Natureza Social da Produção de Mercadorias para Marx

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

Os produtos do trabalho humano só se convertiam em mercadorias quando o objetivo primeiro era trocá-lo por dinheiro no mercado, ou seja, a produção de mercadorias era baseada na busca pelo valor de troca.

Marx elencou três pré-requisitos para que uma sociedade fosse totalmente movida pelo valor de troca (sociedade produtora de mercadorias):

  1. Alto grau de especialização;
  2. Total separação do valor de uso do valor de troca (exigência da especialização);
  3. Mercado amplo e bem desenvolvido com o uso da moeda como equivalente de valor universal (para mediar as trocas).

Havia uma relação social definida e indispensável entre os produtores, mas cada um produzia suas mercadorias individualmente e as vendia no mercado. A partir da renda obtida com esta venda, ele comprava os produtos de que necessitava. Assim, as relações sociais entre produtores pareciam, para cada produtor, relações entre ele e o mercado.

O valor de uso produzido pelo trabalho útil não poderia ser consumido e usado sem o funcionamento das trocas no mercado, em uma sociedade produtora de mercadorias, mas somente o trabalho útil produzia valor de uso. Os economistas burgueses, pelo contrário, achavam que a utilidade (valor de uso) era gerada exclusivamente das trocas. Para Marx, portanto, o trabalho útil é que gerava utilidade e a troca era apenas um pré-requisito necessário para o funcionamento de uma sociedade que produzia mercadorias.

Trabalho Útil e Trabalho Abstrato na Teoria Marxista

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

Marx afirmou que o trabalho define os valores de troca, da mesma forma que o tempo de trabalho, para ele, era trabalho simples e homogêneo, ou seja, subtraindo-se as diferenças entre os tipos de processos de trabalho. Isso gerou dois conceitos distintos: trabalho útil e trabalho abstrato.

O trabalho útil analisava características específicas de processos específicos de trabalho, onde essas qualidades particulares eram necessárias para produzir valores de uso também singulares (de cada mercadoria).

O trabalho abstrato desconsidera essas particularidades e cria valor de troca. Assim, o valor de uma mercadoria significa trabalho humano no sentido abstrato, além de gasto de trabalho humano em geral.

Não era apenas o tempo socialmente necessário de trabalho para a produção de uma mercadoria que contava, segundo Marx; mas, também, deveria se considerar as diferenças entre trabalho qualificado (que exigia tempo para adquirir certas habilidades) e trabalho não-qualificado (para tarefas mais simples). O cálculo dos valores exigiria que o trabalho qualificado fosse reduzido a um simples múltiplo do trabalho sem qualificação.

“O trabalho qualificado só conta como trabalho simples intensificado ou como trabalho simples multiplicado quando se considera uma quantidade de qualificado igual a uma quantidade maior de trabalho simples. [...] As diferentes proporções (…) são estabelecidas por um processo social despercebido pelos produtores[...]” (MARX)

Partindo da ligação entre o valor de troca e a quantidade de trabalho socialmente necessário para sua produção, Marx mostrou, ao longo de sua teoria, as condições sócio-históricas necessárias para que os produtos do trabalho humano se transformassem em mercadorias.

Mercadorias, Valor, Valor de Uso e Valor de Troca para Marx

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

A preocupação de Karl Marx era explicar as relações sociais e a natureza destas entre capitalistas e trabalhadores, o que equivale analisar em teoria econômica, a relação entre salários e juros. Isso foi analisado no volume I de O Capital.

O capitalismo, segundo Marx é um sistema em que a riqueza constitui uma “imensa acumulação de mercadorias, com uma única mercadoria como unidade”. Assim, ele define mercadoria como:

  1. Algo que, por suas propriedades características, satisfaz às necessidades humanas;
  2. Depositário material do valor de troca.

As qualidades físicas particulares de uma mercadoria definem seu valor de uso, no entanto não há relação, para Marx, com a quantidade de trabalho necessário para a apropriação das qualidades úteis de uma mercadoria.

O valor de troca, por sua vez, era expresso em termos monetários, ou seja, quantidade de mercadoria-dinheiro necessária para se obter a mercadoria desejada. O dinheiro, nesse ínterim, era considerado uma mercadoria especial (expresso em numerários) e funcionava como equivalente universal de troca. Logo, o uso do dinheiro como instrumento de troca diferenciava as relações de troca monetárias das de troca por escambo, por exemplo. Quando se desejava ter muita riqueza em termos de valor de troca, acumulava-se moeda; por outro lado, quando se desejava acumular riqueza em termos de valor de uso, acumulavam-se mercadorias. Considerava-se, ainda, valor de troca um meio pelo qual as mercadorias podiam ser direta e quantitativamente comparadas. O valor de troca, por fim, exigia um elemento comum a todas as mercadorias, através do qual as comparações pudessem ser feitas.

Marx, entretanto, não considerava o valor de uso determinante para os preços, pois as qualidades físicas que davam valor de uso às mercadorias não eram diretamente comparáveis, quantitativamente, ao contrário do trabalho empregado na produção destas, que, sim, era comum a todas as mercadorias. As mercadorias seriam, assim, incorporações do trabalho empregado em sua produção, o que ele definiu como valor. Logo, mercadorias eram valores, onde o trabalho humano está contido, embora o sentido de valor não era o mesmo usado por outros economistas (valor de troca ou preço). Aqui se percebe a maior confusão teórica ao se estudar os volumes I e II de O Capital, em virtude da não-distinção, por Marx, dos termos valor e valor de troca, os quais, para ele estavam claramente diferenciados.  A consideração de preços reais, por exemplo, só vai ser dar no volume III de O Capital, porém o livro não foi concluído. Por fim, Marx afirmava que os valores (ou seja, trabalho incorporado) eram os únicos determinantes do valor de troca, inspirado na teoria ricardiana.

A Crítica de Marx à Teoria Clássica

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

Karl Marx, como economista, foi diretamente influenciado por Adam Smith e David Ricardo, além de apreciador dos escritos de Thompson e Hodgskin, embora também os criticasse. A principal crítica de Marx sobre esses economistas estava na ausência de uma análise histórica nas teorias de tais autores e na falta de se considerar a produção como uma atividade social, que vai ser organizado por ele através dos “modos de produção” pelos quais a humanidade passou/passa: escravista, feudal, capitalista, etc.

Os economistas modernos, segundo Marx, eram incapazes de fazer diferença entre características universais da produção (comuns a todos os modos de produção) e características específicas do capitalismo. Isso levava a duas distorções principais:

  1. Crença de que o capital estava presente em todos os processos de produção: foram os equívocos de todos os economistas anteriores a Ricardo (exceto Hodgskin);
  2. Crença de que toda atividade econômica era simplesmente uma série de trocas: todos os economistas posteriores a Ricardo (principalmente Senior e Bastiat) acreditavam nesta distorção.

A produção exige um instrumento de produção, assim como não há “produção sem trabalho passado acumulado” e o capital é um dos instrumentos da produção (também é trabalho passado materializado). Assim, Marx define capital como “relação eterna e geral da natureza”. Apenas no modo de produção capitalista os instrumentos de produção e o trabalho acumulado eram a fonte de renda e de poder da classe dominante.

Outra crítica de Marx aos economistas era sobre a propriedade ser considerada por eles sagrada e por ter sido erroneamente considerada como uma forma existente de propriedade privada capitalista. Além disso, criticou a separação total feita por Mill entre produção e distribuição, pois, para Marx, havia inúmeras formas de propriedade e cada modo de produção apresentava uma em particular e essas formas de propriedade é que determinavam a distribuição. Logo, propriedade e distribuição não eram independentes.

“Toda forma de produção cria suas próprias relações legais (tipos de propriedade), sua própria forma de governo, etc. Tudo o que os economistas burgueses sabem dizer é que a produção pode ser melhor levada a cabo através do policiamento moderno [...] Esquecem-se, porém, de que esse princípio (do manda quem pode) também é uma relação legal, e que o direito do mais forte também vigora em suas ‘repúblicas constitucionais’, só que de outra forma.” (MARX)

Os economistas burgueses, quando aceitavam os direitos de propriedade capitalistas como universais, eternos e sagrados, e viam o capital como sendo comum a toda produção, deixavam de lado as instituições que, para Marx, eram específicas do capitalismo. Desse modo, a explicação de tais economistas estava baseada nas relações de troca, argumentando que eram harmoniosas, promoviam igualdade e liberdade entre os indivíduos “trocadores”.

Marx, entretanto, dizia que essa harmonia resultante das relações de troca era apenas um fato, mas não a causa primeira que levava os indivíduos a permutarem mercadorias. O real motivo eram as diferenças entre as necessidades dos indivíduos e sua produção, ou seja, interesses particulares sem preocupação com o bem-comum. Isso tudo, por fim, estaria embasado nas relações monetárias e na democracia burguesa, as quais camuflam a real desigualdade do sistema através de relações econômicas.

Dez Anos Que Abalaram o Século XX

Fichamento do livro Dez Anos que Abalaram o Século XX: da Crise do Socialismo à Guerra ao Terrorismo, de Paulo Fagundes Vizentini – História Contemporânea III – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro

Legendas utilizadas:

↓ = declínio, diminuição

↑ = aumento, ascensão

→ = implica que; tal que; traz como consequência

X = versus, rivalidade, oposição

O SISTEMA INTERNACIONAL EM TRANSIÇÃO

  • A proposta de análise histórica do livro se situa da década de 70 dos anos 90 até 2001.
  • Linha cronológica: do choque econômico dos anos 70 (marco inicial) aos atentados terroristas à Nova Iorque e Washington em 2001 (marco final).
  • A construção de sistemas internacionais remonta ao século XV a partir da expansão comercial liderada pelos europeus → origens da “globalização”.
  • Século XVIII: advento do sistema capitalista graças à Revolução Industrial inglesa.
  • Século XIX: nas últimas décadas eclode a II Revolução Industrial (anos 1870), a hegemonia inglesa desfacela, a diplomacia bismarkiana na Alemanha acirra o imperialismo entre as grandes potências (anos 1890).
  • Século XX: Primeira Guerra Mundial, Revolução Soviética (1917), ascensão do fascismo, Segunda Guerra Mundial.
  • Pós-II Guerra Mundial: keynesianismo, hegemonia norte-americana, Guerra Fria, III Revolução Industrial (anos 1970), desgaste da liderança dos EUA, fim dos regimes socialistas do leste europeu (1989), queda da URSS e desaparecimento de seu regime (1991), fim da Guerra Fria, término da bipolaridade do sistema internacional.
  • Pós-Guerra Fria: globalização, Revolução Científico-Tecnológica, ascensão da China, formação de blocos regionais.
  • Século XXI: crise, terrorismo, transição.

PARTE I

CRISE, REAÇÕES E O FIM DA GUERRA FRIA

DO MUNDO MODERNO AO PÓS-MODERNO

  • Década de 70 do século XX: origens da crise do sistema internacional estruturado após a II Guerra.
  • reestruturação da economia e política internacional por parte dos EUA gerando uma nova ordem mundial.

Anos 70: Crise, Multipolaridade e Revoluções

  • desgaste da hegemonia norte-americana → Rev. Cubana, Guerra do Vietnã, déficit na economia dos EUA, crise do modelo fordista-keynesiano, queda nas taxas de crescimento e de lucros, limitações do American Way of Life → crise sistêmica enfrentada pelos Estados Unidos
  • soluções (ou tentativas de solução) por parte dos EUA:
  1. ideológicas: Clube de Roma → redução do crescimento + preocupação ambiental
  2. diplomáticas/militares: aproximação com a China + transfere em parte a ação direta em questões locais de segurança aos aliados regionais
  3. econômicas: aumento do preço do petróleo junto à OPEP →  ↑EUA  ↑3º Mundo  ↓Europa Ocidental  ↓Japão
  • retomada da détente → URSS + Leste Europeu são incorporados a uma estratégia de rearticulação de forças
  • participação do 3º Mundo como basilar exploratório dos EUA → ditaduras militares na América Latina
  • Doutrina Nixon + Diplomacia Ping-Pong → traz a China ao jogo político e econômico internacional
  • início da multipolaridade: EUA, URSS e CHINA.
  • ondas revolucionárias + estratégias e novas alianças para contê-las
  • aliança Cuba-URSS para compensar a aliança China-EUA.
  • preocupação americana: a) o efeito dominó que as revoluções socialistas nos países periféricos poderiam causar; b) a solidez da URSS.

A Reestruturação Econômica e a Revolução Científico-Tecnológica

  • tentativa de superar o impacto da alta dos preços, dinamizar a economia e retomar os lucros e a mais-valia.
  • soluções:
  1. políticas migratórias: trabalhadores do 3º Mundo → países capitalistas avançados = obtenção de mão-de-obra barata
  2. nova divisão internacional do trabalho (nova DIT) → obtenção de matéria-prima barata
  3. revolução científico-tecnológica (RCT) → para aumentar a produtividade, logo, a competitividade
  • nova DIT + RCT = III Revolução Industrial
  • Revolução Científico-Tecnológica → alterações estruturais na produção/gestão/administração: fábricas flexíveis sem estoque
  • países vão tentar buscar ou desenvolver tecnologias.

A “Globalização” e o Neoliberalismo

  • a globalização foi impulsionada pela Revolução Científico-Tecnológica; abriu as economias nacionais; gerou inclusão de alguns países e exclusão de outros → aumento das desigualdades regionais; diversificou o espaço mundial.
  • a nova DIT contribui para a globalização financeira e produtiva → geopolítica financeira.
  1. PERIFERIA: 1.1) plataformas de exportação; 1.2) NIP’s (Novos Países Industrializados) → dentre eles, os tigres asiáticos.
  2. CENTRO: pós-industriais → EUA, Europa Ocidental e Japão → desemprego + crescimento a taxas decrescentes.
  • os países da periferia atraíram as multinacionais pelos seguintes fatores:
  1. mão-de-obra barata
  2. ausência de legislação social
  3. facilidades fiscais.
  • período de nascimento da preocupação ambiental.
  • desenvolvimento dos transportes e comunicações → encurtamento das distâncias.
  • desmoralização da social-democracia e ascensão dos neoliberais → Thatcher (Inglaterra).
  • neoliberalismo: pregava a redução da participação do Estado na economia.
  1. Objetivos-meio → alguns foram alcançados:  ↓impostos  ↓inflação  ↓sindicalismo  ↑privatizações
  2. Objetivos-fim → desastre: ↓crescimento  ↑déficits  ↓arrecadação

Anos 80: Nova Guerra Fria e Reação Neoconservadora

  • tensões sociais resultantes da crise econômica + derrota dos interesses ocidentais no 3º Mundo → contra-ofensiva da Nova Direita
  • reação conservadora → governo Carter, democrata mas com conservadores no Congresso americano.
  • ascensão de Reagan nos EUA e Thatcher na Inglaterra → conservadores → fim da détente → Nova Guerra Fria
  1. corrida armamentista;
  2. reforço de alianças: EUA + África do Sul, Israel, Japão, Europa Ocidental x URSS + nações revolucionárias do 3º Mundo;
  3. paralisação no mundo socialista.
  • URSS adota a Perestroika → adaptação
  • países pós-industriais
  1. neoliberalismo + expansão para a periferia de seu modelo → através do FMI e Banco Mundial;
  2. ↑direita  ↑racismo  ↑xenofobia
  3. ↑misticismo
  4. ↑fundamentalismos
  5. ↑cinema-catástrofe: Armageddon, Terremoto, Independence Day, Titanic
  6. ↑doenças: AIDS
  7. ↑criminalidade → massas excluídas pelo Estado neoliberal
  • nova direita → ♦ combate: narcotráfico, terrorismo;  ♦ defende: democracia
  • Era Reagan estimula a abertura dos regimes ditatoriais → Cone Sul, Coréia do Sul, Haiti, Filipinas
  • democracia → propaganda universal X  socialismo do Terceiro Mundo
  • Terceiro Mundo é deixado de lado nas relações internacionais
  • Guerra nas Estrelas → resultado das estratégias conservadoras

A Crise do Socialismo e o Colapso do Campo Soviético (1989-1991)

  • queda da URSS + colapso do socialismo
  1. problemas estruturais/conjunturais internos
  2. pressão externa ocidental
  3. neocapitalismo
  • Era Brejnev →  corrida armamentista + sofre embargos comerciais e tecnológicos → enfraquecimento do governo
  • crise polonesa
  • Era Gorbatchov (1985) → Glasnost + Perestroika → ofensiva diplomática ↔ paz + desarmamento
  • Glasnost: abertura econômica → obter tecnologia e capitais
  • A URSS, por seu tamanho (território e população) e recursos naturais, poderia obter posição de barganha.
  • Perestroika: risco de desestabilização interna → depende da luta política interna + influência da política externa
  • Gorbatchov prioriza as reformas políticas
  • A partir de 1986 → Nova Détente
  1. desarmamento
  2. cooperação comercial
  3. recuo soviético (e de seus aliados) de conflitos regionais.
  • final dos anos 80: URSS → problemas internos: crise econômica; desigualdades sociais; descontentamentos; reformas políticas e descentralização.
  • ↓ ação estatal → greves, criminalidade, apropriação de empresas públicas → separatismos
  • China: reformas internas + abertura somente no plano econômico
  • Iugoslávia: tensões étnicas + abertura econômica ao mercado mundial
  • as reformas da URSS não foram tão bem sucedidas com as da China, porque a abertura soviética foi muito acelerada → “forçada”
  • movimento estudantil na China → estudantes queriam democracia liberal X neoautoritários + velhos dirigentes → violenta repressão → mantém o regime
  • repercussões da Perestroika no Leste europeu
  • Polônia: crise econômica + má administração + enorme influência da Igreja Católica → governo é entregue ao Solidariedade (sindicato).
  • Hungria: comunistas reformadores + multipartidarismo → ascensão de um governo de centro-direita → mais tarde, governos anticomunistas.
  • Hungria e Polônia eram socialistas quase artificiais → fraca legitimidade
  • República Democrática Alemã (RDA): população migrou em 1989 para Hungria e Rep. Federal Alemã (RFA) → regime se desintegra → a população queria a unificação.
  • Tchecoslováquia: mobilização popular de “gente bem vestida” → formação de um governo de centro-direita
  • Bulgária: ausência de mobilização popular comunistas reformistas tomam o poder adaptação à Perestroika
  • Romênia: aceitou empréstimos do FMI → descontentamento da população → golpe da Frente de SalvaçãoNacional em 1989

O Colapso do Regime e do Estado Soviéticos

  • após a abertura econômica e diplomática, a URSS entra em uma crise terminal  → caos socio-econômico + conflitos étnicos e políticos
  • 1991: Gorbatchov cria uma federação renovada → União de Estados Soberanos; Yeltsin é eleito presidente da Rússia; golpe mal sucedido por opositores à desintegração da URSS.
  • Yeltsin desencadeia uma “caça às bruxas”.
  • As repúblicas federadas proclamam suas independências  → dissolução do bloco soviético
  • Formação da Comunidade de Estados Independentes (CEI)
  • Restaram como países socialistas: Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e China.
  • O modelo soviético não pode ser considerado um fracasso total, pois se assim o fosse não teria perdurado tanto.
  • O bloco socialista representou um processo de desenvolvimento autônomo, que foi capaz de obter paridade com relação ao Ocidental, queimando etapas no processo de evolução capitalista a fim de consolidar o comunismo como etapa ulterior.
  • Fatores que colaboraram para o fracasso do modelo soviético:  a) atraso das sociedades envolvidas; b) autoritarismo; c) tensão externa constante.

PARTE II

OS PERDEDORES: A GLOBALIZAÇÃO COMO DESORDEM

A FRAGMENTAÇÃO DO LESTE: OS ESTADOS PÓS-COMUNISTAS

  • queda do muro de Berlim em 1989 + queda da URSS em 1991 → desintegração do regime socialista
  • problemas na evolução interna dos antigos países do campo soviético

Ex-URSS: a Rússia e a Comunidade de Estados Independentes

  • Golpe de agosto de 1991: ainda por Gorbatchov, que tentou formar a União de Estados Soberanos.
  • Golpe de Ieltsin (1991): formou a CEI (Rússia-Ucrânia-Bielorrússia).
  • o PCUS (Partido Comunista da União Soviética) foi interditado por Ieltsin → vácuo político → ascensão das máfias
  • a passagem:  URSS → Rússia foi marcada por um debilitamento estratégico Continue lendo

A Escola Clássica: Bentham e Say

Ficha de resumo de parte do capítulo 8 do livro História do Pensamento Econômico, de Stanley L. Brue – História do Pensamento Econômico – Prof. Ronaldo Herrlein Jr.

JEREMY BENTHAM

  • Utilizou-se do utilitarismo, filosofia que se opõem ao hedonismo (busca pelo prazer) .
  • Princípio da Utilidade: aprova ou desaprova cada ação, de acordo com a direção que ela parece seguir para aumentar ou diminuir a felicidade de uma parte em questão.  Essas ações não são apenas as particulares, mas medidas do governo também.
  • Utilidade: propriedade de cada objeto, pelo qual se tende a produzir o benefício, a vantagem, o prazer, o bem ou a felicidade para uma parte cujo interesse é considerado.
  • O interesse da comunidade é a soma de interesses dos vários membros que a compõem.
  • Utilidade marginal decrescente:  o efeito da riqueza na produção de felicidade continua diminuindo enquanto a quantidade pela qual a riqueza de um homem excede à daquele outro continua a crescer.
  • Riqueza é uma medida de felicidade, mas tem uma Umg decrescente.

A Tecnodemocracia

Ficha de resumo sobre a II Parte do livro As Modernas Tecnodemocracias – Poder Econômico e Poder Político, de Maurice Duverger – História Contemporânea III-A – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro

  • A Europa sente necessidade de regimes democráticos após 5 anos de totalitarismo.
  • As nações do Ocidente se aproximam da “sociedade de consumo”, onde pela primeira vez todas as necessidades (primárias e secundárias) podem ser atendidas.
  • Os países socialistas não conseguem acompanhar no mesmo ritmo, pois para desenvolverem um modelo consumista teriam de passar por mudanças estruturais em seu sistema.
  • O processo de desestalinização do mundo socialista apresentava-se dificultoso.
  • O sistema ocidental não encontrava concorrentes nas sociedades industrializadas e só ele conciliava eficiência econômica com relativa liberdade política.
  • A estabilidade pós-1945 é verificada pela transição da democracia liberal para a tecnodemocracia.
  1. Democracia Liberal: baseada na concorrência econômica, livre mercado, Estado mínimo (liberalismo clássico) com partidos pouco estruturados que causavam acirramento político.
  2. Tecnodemocracia: baseada nas grandes empresas, que planificam suas atividades e impõem produtos pela publicidade, Estado do Bem Estar (keynesianismo) com partidos de massas que disciplinavam seus adeptos e líderes, integrados numa ação coletiva. Também as administrações tanto públicas como privadas tornaram-se mais complexas, hierarquizadas e racionalizadas.
  • Há um mesmo grau de interação entre o econômico e o político nas democracias liberais e nas tecnodemocracias: predomínio de grandes entidades organizadas com tomadas de decisões pelos grandes grupos conjugados com outros.
  • No entanto o sistema foi contestado por estudantes e intelectuais na segunda metade dos anos 60: revoltas nos EUA, Alemanha e França.

A NOVA OLIGARQUIA

  • A nova oligarquia é intimamente ligada à administração e ao Estado: tem mais necessidade deles e os domina melhor, o que deixa muitas vezes os capitalistas em segundo plano.
1. ESTRUTURA DA NOVA OLIGARQUIA
  • Oligarquia que dirigia a democracia liberal: formada por capitalistas proprietários de meios de produção. Só faziam parte os homens de negócios mais importantes, excluindo, por exemplo, pequenos empresários individuais (agricultores, artesãos, comerciantes), embora se esforçasse em desenvolver uma pseudossolidariedade.
  • Oligarquia que dirige a tecnodemocracia: além dos capitalistas, técnicos, administradores e cientistas ocupam lugar de destaque. Há um estreitamento dos laços com o Estado e seus meios de dominação sobre as massa, que é favorecida pela publicidade e propaganda.

A Tecnoestrutura

  • A tecnoestrutura seria a direção coletiva das grandes indústrias, que congrega todos aqueles que possuem as informações necessárias ao andamento da firma, segundo Galbraith. O empresário capitalista (individual) seria substituído pelo empresário tecnocrata, pois as grandes empresas só podem ser dirigidas coletivamente, dado que essa administração exige informações complexas (técnicas de produção, previsão, planificação, organização social, financiamento, marketing etc). Os acionistas dependem dos relatórios preparados pela tecnoestrutura, ou seja, o lucro não é mais o que move o funcionamento da empresa (é apenas uma condição essencial). O que importa agora é o crescimento da firma – impulso econômico fundamental. O aumento das vantagens materiais dos membros da tecnocracia e a extensão do poder deles é a principal motivação. Ainda, para Galbraith os capitalistas não fazem parte da tecnoestrutura.
  • Galbraith distingue dois subsistemas aos quais se aplica a tecnoestrutura: 1) das maiores empresas (não há tamanho máximo) e 2) das pequenas e médias empresas. Os dois praticamente se equivalem em importância.
  • A nova oligarquia não é baseada em hereditariedade (conforme Galbraith e o autor), mas sim na cooptação pelos membros da tecnoestrutura de homens com conhecimento e atitude necessários às empresas – importância da meritocracia.
  • Críticas do autor à análise de Galbraith:
  1. subestima o papel dos capitalistas: os capitalistas, segundo Duverger, podem livremente excluir os membros da tecnoestrutura e substituí-los por outros quandos os lucros estão abaixo do mínimo. Portanto, os capitalistas tem poder de fato na tecnoestrutura, mas nem todos.
  2. não faz distinção sobre os acionistas: os grandes acionistas (que cada vez mais agem coletivamente) possuem a última palavra na tecnoestrutura enquanto que a massa de pequenos acionistas é impotente.
  • Níveis dentro da tecnoestrutura:

1º Nível) Dentro das empresas – os empresários passam a direção ao grupo de especialistas da tecnoestrutura enquanto os negócios vão bem. Quando vão mal, retomam o controle.

2º Nível) Grupos dirigentes das firmas gigantes, dos holdings, das sociedades financeiras, dos bancos comerciais, detentores da maioria das empresas importantes – tecnoestrutura superior. Esses grupos participam mais de perto da direção coletiva, deixando aos experts o papel de conselheiros.

3º Nível) Principais acionistas de conglomerados, de holdings, de sociedades financeiras, de bancos comerciais associados a seus experts, conselheiros e administradores. Os grandes acionistas participam de muitos níveis e empresas e os experts pertencem apenas a uma única tecnoestrutura.

  • Dimensões da nova oligarquia: multinacional.

A Nova Oligarquia e o Estado

  • maior dependência do Estado
  • o neocapitalismo exige um Estado forte e ativo, que regule a economia e proporcione condições para o crescimento econômico.
  • papel do Estado:
  1. manter ou aumentar o poder aquisitivo dos consumidores.
  2. colaborar com o progresso técnico através de investimentos em ciência, educação e tecnologia.
  3. contribuir com a ação industrial, no sentido de realizar os primeiros investimentos para tal empresa.
  4. desenvolver infraestrutura e serviços públicos não-rentáveis.
  5. permitir a expansão das empresas no plano internacional e ajuda-las a conquistar mercados e obter matérias-primas.
  6. sob o neocolonialismo econômico, podem ajudar seus industriais a se implantarem em determinados países (geralmente de 3º mundo) ou protege-los contra as nacionalizações, através da força militar, negociações comerciais ou créditos públicos.
  • A oligarquia econômica, quando precisa do Estado para atingir seus fins, controla-o estreitamente, pois ela depende amplamente das decisões que ele toma.
  • O controle sobre o Estado pela tecnocracia se dá, muitas vezes, através da corrupção de homens de confiança em pontos estratégicos e pelo financiamento de campanhas eleitorais.
  • O controle dos meios de comunicação também se dá pela nova oligarquia econômica.
  • A oligarquia mantém o controle do conjunto de grupos de pressão capitalistas (da indústria, do comércio e da agricultura), que a ajudam a dominar o Estado.
  • Ocorre uma simbiose entre firmas (setor privado)  e administrações (setor público), que constituem os novos grupos de pressão com poder considerável, pois ambos tem os mesmos interesses (particulares).
  • Outro objetivo comum da oligarquia e do Estado é a expansão econômica, que só se dá através do crescimento do país. Isso ratifica a relação de dependência entre ambos.
  • O poder da oligarquia econômica é reforçado pela sua concentração. Isso significa que a concentração econômica é mais forte, mais rápida e mais estável que a concentração política.
  • Diante do avanço das multinacionais (especialmente dos EUA), ocorre um fenômeno de enfraquecimento do Estado-Nação, o qual perde poder político para uma oligarquia estrangeira.
  • A tecnodemocracia acaba se tornando um semi-colonialismo do Ocidente pelos Estados Unidos, por vias econômicas que perpassam o poder político.
2. CONTROLE SOBRE O POVO
  • A oligarquia econômica, para dominar o Estado (através da dominação de políticos e administradores dele), precisa controlar as massas, que elegem tais representantes.

O Desenvolvimento do Consenso

  • Fatores que dificultam o controle das massas na tecnodemocracia:
  1. o voto – sufrágio universal;
  2. o fortalecimento do poder autônomo de partidos e sindicatos;
  3. a perda de importância da religião e a desvinculação das igrejas com o sistema.
  • Fatores que facilitam o controle das massas na tecnodemocracia:
  1. o consenso social (não há mais rivalidades entre burguesia e aristocracia);
  2. a aquiescência dos partidos comunistas ou socialistas para desfrutar de liberdade política e tentar chegar ao poder por vias democráticas para, só então, fazer a revolução;
  3. os socialistas passam a aceitar esse regime misto (típico do neocapitalismo) pois é preferível a social-democracia ao regime puramente liberal.
  4. a melhora da situação da massa popular, através do gradativo crescimento do seu poder aquisitivo.
  5. por mais que seja um aumento ilusório da renda, as massas têm consciência de que isso só é possível dentro do capitalismo.
  6. o semi-fracasso da URSS e das democracias populares colabora para uma adesão das massas (e seu consequente assentimento) ao neocapitalismo.
  7. a homogeneidade dos tipos de vida, que dá a ilusão de uma melhora nas condições da população.
  8. a maior integração das massas populares na comunidade.

Os Novos Meios de Controle

  • O desenvolvimento das técnicas de informação (a mídia) exerce um papel importante nas sociedades industriais no sentido de manipular as massas.
  • Esse controle das “mass media” foi feita pela oligarquia econômica, diretamente ou através do Estado que ela domina.
  • “mass media”: produção, difusão e recebimento de informação (jornais, revistas, TV, rádio, outdoors, posters, flyers, rótulos, etc)
  • a importância da publicidade e do marketing a fim de persuadir os consumidores a comprar, o que demanda produção em larga escala.
  • a moda passa a ser um dos motores do neocapitalismo, sendo veiculada através dos mass media.

“A oligarquia econômica conseguiu pela publicidade aquilo que os ditadores tentaram pela propaganda: obrigar o público a comprar os produtos (…) esta produção corresponde a necessidades que são mais impostas aos consumidores do que por eles propriamente sentidas.” (DUVERGER, pag.161-162)

  • Graças ao uso dos meios de informação em larga escala, a oligarquia econômica conseguiu prolongar por um consenso artificial o consenso natural inicialmente estabelecido na tecnodemocracia.
  • Esse bombardeamento de informações sobre a população ocidental tende a provocar desculturação na sociedade.

Um Crescimento Econômico sem Precedentes: as Bases do Modelo (1945-1973)

Ficha de estudos sobre texto do livro El Crecimiento Económico en el Mundo Desarollado, de Martínez Martín, MADRID: Akal, 1992. História Contemporânea III – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro.

Os EUA lideraram a reconstrução europeia através de profundas mudanças na produção, comércio e consumo oriundos de uma prolongação do esforço bélico para a vida civil, criando uma nova era de expansão do capitalismo nas relações internacionais.

UM CRESCIMENTO ECONÔMICO ESPETACULAR (1945-1973)

  • A II Guerra Mundial resolveu muitos problemas conhecidos anteriormente (Crise de 29, desordem no sistema monetário internacional, tensões sociais, protecionismos, rivalidade pela hegemonia EUA x GB, etc) e estabeleceu as bases para uma economia desconhecida até então.
  • Crescimento econômico espetacular (1950-51 até 1973): associado ao início da Guerra da Coreia, representou uma fase de prosperidade econômica para os países desenvolvidos, sob financiamento americano. Época de maior crescimento do PIB já visto: média global de 4,9% anual e de crescimento da produtividade, média de 4,5% aa.

A REVOLUÇÃO KEYNESIANA

  • Era Keynesiana (1951-1973): marcada por maior intervenção e ampliação das funções do Estado na economia (legislações, comércio e políticas econômicas). Isso foi crucial para o funcionamento econômico do sistema capitalista.
  • John Maynard Keynes propunha uma ação estatal para estimular a demanda e multiplicar a produção, a renda e o emprego. As intervenções públicas corrigiam os defeitos do mercado, evitando as crises e criando o chamado capitalismo misto, mais eficiente. Propunha a criação de um Estado do Bem Estar Social, encarregado de:
  1. criar infraestrutura;
  2. nacionalizar empresas não rentáveis que administravam bens necessários (água, energia, etc);
  3. financiamento da pesquisa científica e tecnológica;
  4. assegurar a produção de serviços de utilidade geral onde há divergência entre o privado e o desejado socialmente: educação, por exemplo;
  5. proporcionar serviços e verbas sociais;
  6. políticas laboriais e salariais, intervindo nos mecanismos do mercado de trabalho;
  7. ordenamento jurídico sobre proteção da propriedade privada e a economia de mercado;
  8. o Estado como consumidor, através da demanda pública de bens e serviços (infraestrutura, gastos militares, equipamentos coletivos e serviços sociais, etc);
  9. política exterior ligada à expansão e proteção das empresas nacionais.
  • após a Crise da Década de 70, causada principalmente pelo excessivo endividamento de alguns países (gastos públicos de até 40% do PIB), muitos passaram a adotar medidas neoliberais ou monetárias, como as da Escola de Chicago, representada por Friedman ou as da Escola da Califórnia, por Shaffer, marcadas pela reprivatização da economia e o Estado mínimo.

O NOVO APARATO PRODUTIVO: A PRODUÇÃO EM MASSA

A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: A ERA DO ÁTOMO

  • A revolução tecnológica oriunda do desenvolvimento científico ocorreu entre os anos 30 e 60 e contou com significativa contribuição das tecnologias da guerra, como por exemplo a aplicação da energia atômica, o avanço da petroquímica e da eletrônica e a corrida armamentista e espacial.
  • Houve uma perfeita sincronia, que jamais será dissolvida a partir de então, entre ciência e produção, de maneira que aquela vai ganhar status de mercadoria e definir a competitividade de um país ou empresa.
  • Ocorre que a partir dessa revolução tecnológica, origina-se a produção de massa, com processos de produção sucessivos e rápidos, com controle automático do fluxo e da qualidade através de computadores, tudo isso aliado a uma divisão internacional do trabalho.
  • O progresso técnico também penetra no setor terciário contribuindo para o processo de terceirização das economias desenvolvidas. Transportes, comunicações e a agricultura modernizam-se em grande escala.
  • A revolução tecnológica vai contribuir para que muitos países saiam da crise dos anos 70, através de um estreitamento entre a cibernética e informático e os setores de produção e distribuição.

A ENERGIA – O PETRÓLEO

  • A partir dos anos 50 a demanda de energia (petróleo, carvão, gás natural, energia elétrica, etc) aumentou vertiginosamente, graças à revolução tecnológica e anteriormente já impulsionada pelo conflito bélico, que proporcionou energia a baixo custo aos países.
  • O petróleo seria a energia mais utilizada, devido a sua abundância, por ser barato (custos de extração e transporte menores que os do carvão), alto rendimento calorífico e por ser importante matéria prima da indústria petroquímica.
  • Até os anos 60, o petróleo era monopólio de algumas empresas, conhecidas como As Sete Irmãs: Exxon, Mobil, Texaco, Gulf, Standard, British Petroleum e Shell.
  • 1960: criação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
  • 1973: crise do petróleo – afetou principalmente os países industrializados, que haviam convertido grande parte de sua matriz energética para a petrolífera (Brasil, Chile, Argentina, por exemplo).

RENOVAÇÃO DOS MEIOS DE PRODUÇÃO E NOVOS SETORES PRODUTIVOS

  • A revolução tecnológica, a nova base energética e a consequente produção em massa modificaram a estrutura do modo de produção capitalista: não mais o empresário individual do século XIX, mas sim os conglomerados econômicos, as empresas transnacionais, a concentração empresarial.
  • A indústria passou por diversificação setorial e por maior especialização, enquadrada na nova DIT: petroquímica, automóveis, transportes, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, aeronáutica, construção, armamentos, todos em larga escala.

A MÃO DE OBRA E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

  • Após a II Guerra, a população mundial aumentou, muito mais nos países subdesenvolvidos do que nos desenvolvidos. Em países como EUA e Japão, foi importante para as economias industriais, enquanto que em países ainda não industrializados tornou-se um sério problema.
  • Os sistemas de produção em massa e a introdução generalizada do princípio automático alteraram a organização do processo de trabalho através de novas aplicações da linha de montagem, facilidade de escoar mais rapidamente os produtos e também substituir a atividade humana em certas tarefas em detrimento do controle e gestão de outras.
  • Mudanças na distribuição setorial do emprego: aumento da participação na indústria e serviços e diminuição na agricultura.

MERCADO MUNDIAL: COMERCIALIZAÇÃO E CONSUMO

O INTERCÂMBIO E A DISTRIBUIÇÃO: A REVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

  • Organizou-se, a partir dos anos 50, um mercado internacional hierarquizado por uma completa trama competitiva entre as empresas transnacionais, que abastecem e estimulam a demanda nos países desenvolvidos e controlam os mercados dos subdesenvolvidos.
  • As grandes redes comerciais a nível mundial, com um modelo consumista imposto pelos países desenvolvidos (principalmente EUA) compunham o que alguns autores chamam de “cultura da marca” – importância do marketing e da propaganda, que emergem neste período.
  • Os transportes e as comunicações assumem papel imprescindível nesta transnacionalização, pois foi através dos avanços tecnológicos que mercadorias e informações puderam circular por todo o globo cada vez mais rápido e a menores custos.

A SOCIEDADE DE CONSUMO

  • A produção de massa teve como consequência o consumo de massa.
  • O crescimento da demanda a nível internacional, com aquisição massiva e diversificada da produção, deu-se graças a alguns fatores:
  1. oferta ampla e diversificada (muitos produtos, muitas marcas, muitas empresas de muitos países – desenvolvidos).
  2. estímulo da demanda (através da publicidade).
  3. nova distribuição espacial das condições de vida (aumento do urbanismo, da malha rodoviária ou ferroviária, enfim, reordenação do espaço territorial).
  4. financiamento do consumo (poder de compra, ganância empresarial).
  5. o apoio estatal programado através de políticas keynesianas (criou condições para o aumento da capacidade de consumo da população).
  6. o papel do setor financeiro (crédito para o consumo privado).

CONCENTRAÇÃO EMPRESARIAL, INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL E DA PRODUÇÃO: AS MULTINACIONAIS E GRANDES CORPORAÇÕES TRANSNACIONAIS

  • A partir da metade do século XX, as empresas protagonizam processos de fusão e absorção de outras, adquirindo caráter multinacional. Isso se caracteriza pela concentração de capital e pela dispersão da produção a nível mundial.
  • Soma-se a isso a contribuição do capital financeiro, através dos grandes bancos, que permitiu a fusão do capital industrial com o bancário. Exemplo: grupo Rockefeller – constituído por bancos e indústrias de diversos ramos (química, eletrônica, alimentação, têxtil, petróleo, etc).
  • A atividade creditícia também foi voltada para os Estados, no sentido de cobrir déficits públicos através de empréstimos. Logo, os bancos passaram a controlar as disponibilidades monetárias de empresas, famílias e também a ser credores do Estado.
  • Economia mundo:  1ª fase) internacionalização das mercadorias no comércio em escala mundial, apoiado em vantagens comparativas e livre comércio; 2ª fase) internacionalização do capital financeiro, exportação de capitais.
  • Nova DIT: países desenvolvidos – detinham as mais altas tecnologias, capital e as grandes empresas multinacionais, produzindo muitas vezes mais no estrangeiro do que internamente; países da periferia – produziam bens de consumo (têxtil, automóveis, etc…) das empresas multinacionais, manufaturas tradicionais e bens de produção de baixo conteúdo tecnológico.
  • Características das multinacionais e grandes corporações transnacionais:
  1. ligadas ao processo de grande concentração e centralização no contexto da internacionalização de capital.
  2. caráter multiplano.
  3. possibilidade de diversificar riscos comerciais e financeiros.
  4. emprego sistemático das formas mais avançadas de organização industrial.
  5. domínio de tecnologia de ponta.
  6. fortes recursos financeiros.
  7. elevados rendimentos das aplicações.
  8. domínio dos mercados onde atuam.
  9. fluxo crescente de saída de capital dos países desenvolvidos.
  10. EUA, GB, JAP e RFA concentravam 75% da matriz das multinacionais.
  11. a zona de localização das filiais se situa em outros países desenvolvidos.
  12. as multinacionais atuam em setores de base da economia.
  13. os ramos produtivos são os de ponta, além de alimentação e metálica básica. O predomínio entre as grandes empresas é norteamericano.
  14. os fluxos de ingresso dos investimentos diretos superam com o tempo a corrente de saída.
  15. as decisões econômicas, graças às multinacionais e corporações transnacionais, fugiram do controle do Estado.

Como entender a Escola Fisiocrática

Ficha de estudos sobre a apostila Como Entender a Escola Fisiocrática, elaborada por Chantós Mariani – História do Pensamento Econômico I – Prof. Ronaldo Herrlein Jr.

  • França em 1756:  caos social e econômico, agricultura precária e estrutura ainda predominantemente feudal com produção em pequena escala. No norte do país havia uma agricultura mais desenvolvida, com vias ao desenvolvimento capitalista.
  • O sistema de tributação francês da época prejudicava a ascensão da agricultura capitalista, pois todas as classes (exceto nobreza e clero) eram obrigados a pagar pesados impostos e sustentar as classes dominantes.
  • A França da metade do século XVIII era, em suma, uma mistura de traços feudais com insustentáveis características mercantilistas.
  • Fisiocracia = governo da natureza
  • Lema: lassez-faire, lassez-passer.
  • Funções que caberiam ao Estado: garantir o livre comércio, dar a infraestrutura necessária ao escoamento da produção e garantir o direito à propriedade privada.
  • Substituição da mão de obra servil pela assalariada.
  • A agricultura, para os fisiocratas, era a única atividade econômica capaz de produzir produto líquido (excedentes).
  • A classe dos proprietários era improdutiva, mas recebia renda dos produtivos por ser detentora das terras e, assim, permitir que a agricultura se desenvolvesse. Isso, para a fisiocracia, constituía a ordem natural.
  • 1758: publicação do Tableau Économique.
  • Classe Produtiva: empresariado agrícola, camponeses assalariados e demais trabalhadores agrícolas.
  • Classe Proprietária: soberano, nobreza proprietária e o clero – dependem da classe produtiva, mas possuem direito natural de receber tal renda, pois detem as terras e administram o Estado.
  • Classe Estéril: cidadãos ocupados com outros serviços (não agrícolas): artesãos, manufatureiros, comerciantes etc.
  • Produto Líquido = produção – custos
  • Condições para o funcionamento do Quadro Econômico:  1) todos os setores tem de gastar o que produzem (em utilidades, não em futilidades, como estava acostumada a nobreza); 2) a população tem que estar distribuída de maneira adequada nos setores; 3) os produtos tem que ter a forma material adequada e nas proporções certas (insumos agrícolas, materias primas, manufaturas etc).
  • Problemas com o Quadro Econômico:  1)caso a produção não fosse ótima em um determinado ano, o produto não seria totalmente repassado para a classe proprietária e isso comprometeria o ciclo; 2) caso um ou mais setores decidisse não repassar toda a renda para o outro, ficando com uma parte para si na expectativa de acumular capital (poupança), o ciclo também estaria comprometido.
  • A classe proprietária deveria reduzir o consumo de luxo a fim de acumular capital para investir em infraestrutura para o setor agrícola, enquanto que a classe produtiva deveria priorizar os adiantamentos primitivos (gastos com insumos e instalações) para o desenvolvimento econômico do ano seguinte.
  • A tributação, para os fisiocratas, deveria incidir exclusivamente sobre o produto líquido (nele já estavam incluídos os juros).
  • A classe produtiva não podia pagar impostos, pois isso prejudicaria o valor reservado para a produção do ano seguinte ou o fluxo de produto de acordo com o quadro econômico.
  • A classe estéril não podia pagar impostos, pois isso prejudicaria a oferta e demanda dos manufaturados, o que poderia causar elevação dos preços dos produtos, afetando também o Tableau.
  • Turgot, ao participar diretamente do governo de Luís XVI, pôs em prática algumas ideias fisiocráticas de livre comércio interno, abolição de certas obrigações feudais, fim de monopólios, imposto único para os proprietários e maior liberdade social (abertura da sociedade estamental).
  • A Fisiocracia deixou um importante legado no estudo econômico, através dos conceitos de produto bruto e produto líquido e o próprio Tableau Économique, que vai servir de base para pensadores posteriores.

O Valor na Ciência Econômica

Resumos sobre a introdução do livro O Valor na Ciência Econômica, de Cláudio Napoleoni – História do Pensamento Econômico I – Prof. Ronaldo Herrlein Júnior

O conceito de “valor” em Economia pode ser definido de três formas:

  1. Valor é uma categoria da economia mercantil (ou economia de troca) irreversível e superior às formas anteriores, as quais seriam “grosseiras” e “primitivas”, segundo Smith = definição pré-marxista
  2. Valor é a categoria fundamental da economia mercantil. Entretanto, esta é um modo de produção e aquele é algo indissolúvel ao tempo histórico = definição marxista
  3. Valor é uma categoria da atividade econômica em geral, atuando como regente na economia, independente da efemeridade ou durabilidade de um determinado modo de produção = definição pós-marxista

ORIGEM DA CIÊNCIA ECONÔMICA

A Economia como ciência surgiu somente quando o sistema capitalista passou a consolidar-se, ou seja, meados do século XVIII, com a efetiva ascensão da classe burguesa,  graças às revoluções, Industrial e Francesa. Antes disso, questões econômicas eram discutidas no campo da Filosofia, da Moral, do Direito e da Política.

A primeira fase da evolução histórica da ciência econômica pode ser analisada segundo duas formas de utilização da mão de obra: o esclavagismo (utilizado na Antiguidade) e a servidão (utilizada na Idade Média). Ambas tinham em comum a característica de que os meios de produção eram completamente afastados dos trabalhadores, os quais representavam mercadoria (no caso da escravidão) e alienação total a terra (no caso da servidão). Eram, portanto, meros instrumentos da produção.  Falando-se especificamente do Feudalismo, a produção econômica majoritariamente era utilizada pelo senhor, para o seu consumo. O senhor era detentor dos meios de produção e da própria produção. A idéia de consumo, para um senhor feudal, estava atrelada tão somente a atividades consideradas “extraeconômicas” na época, como cultura ou guerra, por exemplo. Logo, produção, no sistema feudal, era subordinada ao consumo para o senhor. O colapso deste sistema que tinha como eixo a figura do proprietário (o senhor) se dá quando, em fins do século XV, o consumo passa a interessar também às outras classes (artesãos, vilões, servos, e mais tarde, burguesia). Assim, os trabalhadores passam a vender sua força de trabalho e os proprietários, por sua vez, orientam o processo econômico pela aquisição dessa mão de obra, segundo seus interesses. A principal diferença, ao entrarmos de fato no sistema capitalista, é que o consumo torna-se produtivo e está intrínseco à produção, sendo relevante o consumo tanto dos operários quanto dos capitalistas.

O processo econômico encontra autonomia na medida em que sai da subordinação a uma classe específica (no caso, a nobreza feudal) e passa a envolver todas as demais classes no processo produtivo e na lógica da evolução do capital. Nesse momento, portanto, a ciência econômica assume relevância e independência das demais áreas por protagonizar o próprio andamento histórico, graças ao capital.

O PRODUTO LÍQUIDO SEGUNDO A FISIOCRACIA

A França de meados do século XVIII ainda era ainda uma nação predominantemente rural, com uma economia majoritariamente voltada para o campo, onde aí se concentrava a maior parte do capital francês. Nesse cenário surgiram os fisiocratas, os quais na época se autoentitularam “os economistas”, sob a figura principal de François Quesnay.

Os fisiocratas formularam dois postulados econômicos:

  1. A condução capitalista da agricultura é excelente para a organização do processo produtivo. Logo, as atividades agrícolas são fundamentais para alavancar o desenvolvimento capitalista no país.
  2. As manufaturas são manifestações de um caráter intrinsicamente não capitalista.

Nota-se que no pensamento fisiocrático havia uma desconsideração da influência das atividades industriais (talvez por tais ideias terem emergido naquele contexto francês), as quais seriam mais prósperas na lógica do desenvolvimento capitalista, conforme comprovou a ascensão britânica através da Revolução Industrial.

A fisiocracia criou um termo chave para os estudos econômicos posteriores: o produto líquido, que significa a parte da produção social total que excede a reconstituição necessária à criação da própria produção. Para os fisiocratas, o PL é formado somente na agricultura, pois só neste setor há formação de sobreproduto, não há apenas a transformação de matéria prima em produção, como ocorre nos demais setores. Logo, os fisiocratas acreditavam que somente a agricultura possuía trabalho produtivo, ou seja, trabalho que produz sobreproduto.

Segundo o modelo de sociedade fisiocrática, haveria 3 classes:

  1. PROPRIETÁRIOS FUNDIÁRIOS: possuidores da terra (meio de produção).
  2. TRABALHADORES ASSALARIADOS: mão de obra (população economicamente ativa ou produtiva).
  3. TRABALHADORES ESTÉREIS: trabalhadores de outros setores que não o campo (improdutivos).

Assim, o produto líquido proposto pela fisiocracia significa a própria renda dos proprietários fundiários, já que eles seriam os verdadeiros capitalistas de tal esquema. Consideram, também, que todos os trabalhadores do campo são assalariados.

A relação econômica entre as 3 classes da sociedade foi organizada por Quesnay no chamado Quadro Econômico (Tableau Économique), na qual se pode notar a clara substituição das relações mercantis baseadas na troca para as mediadas pelo uso da moeda. Mesmo assim, os fisiocratas não criaram uma teoria do valor propriamente dita. A moeda em questão era uma mercadoria de uso comum aceita por todos na troca e pela qual eram medidos os valores.

Analisando o Tableau, percebe-se que o produto líquido, após circular pela classe estéril (onde os produtivos adquirem manufaturados), acaba retornando para a classe produtiva (pois os estéreis precisam adquirir matéria prima para produzir novos produtos manufaturados e, assim, gastam sua renda). Cada classe, portanto, fica em posse daquilo que precisa para desempenhar o seu papel na sociedade fisiocrática, sendo que os produtos são deslocados dos processos em que foram obtidos para os que são necessários para a sua produção.

Guerra Fria e Descolonização

Questionário Final – História das Relações Internacionais – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Vizentini

1. Por que a Guerra Fria pode ser considerada simultaneamente um conflito e um sistema?

A Guerra Fria constituiu um sistema conflitante, podendo ser entendida como o novo sistema articulado em termos de política internacional após as deliberações pelas conferências do pós-II Guerra (Yalta, Washington, Potsdam) que resultou em uma bipolaridade entre as duas potências do período, EUA e URSS, originando dois blocos ideológico-político-econômicos dentro da balança-de-poder que se configurara. As discrepâncias entre os dois blocos resultou em um sistema não-pacífico, embora não tenha ocorrido a tão temida guerra nuclear entre os dois polos,  mesmo assim, pode-se dizer que o sistema internacional  constituía um conflito. Conflito marcado por inúmeras movimentações de cada um dos lados no sentido de defender e expandir o modelo que cada um pregava, através da veiculação propagandística em escala global, da corrida armamentista (nuclear principalmente) e espacial, da ânsia pelo desenvolvimento de novas tecnologias e de investimentos na ciência, pelo aumento do fluxo econômico  e cultural que vai acentuar a globalização e pela expansão e interferência em diferentes povos e culturas, como o chamado Terceiro Mundo, por exemplo, na tentativa de cooptar novos atores para fortalecer os bloocos. As tensões que ocorreram a partir da década de 50 também asseveram a característica conflituosa da Guerra Fria, acentuada pela grande capacidade nuclear dos líderes dos dois blocos. Os Estados Unidos possuíam uma vantagem econômica com relação à União Soviética, porém a sua tentativa de tornar-se um hegêmona global e definitivamente acabar com bloco soviético, aos poucos foi afetando a economia americana, principalmente com a Guerra do Vietnã, por exemplo. A URSS, por outro lado, também se viu cada vez mais acuada economicamente diante da tentativa de se equiparar aos EUA na busca de um maior arsenal nuclear e outras investidas em diferentes partes do mundo. O sistema em questão, muitas vezes irracional e agressivo, por vezes foi equilibrado por uma aproximação entre os dois pela via diplomática e por outras posicionou o conflito na iminência de uma terceira guerra mundial. No entanto, na década de 80, a URSS, principalmente por questões domésticas, passou a afrouxar seus antagonismos visando a salvar o próprio país, o que resultou na queda do muro de Berlim e na desfragmentação do bloco socialista, culminando no fim do sistema.

2. Que fatores impulsionaram a descolonização e quais os caminhos básicos pelos quais ela se materializou?

  • a descolonização foi um processo resultante de um conjunto de fatores e de ações envolvendo o poder colonial + condições internas das colônias + conjuntura internacional propícia à alteração do status quo político dos impérios coloniais
  • marco: Conferência de Bandung (1955), reunindo vários países colonizados engajados na luta pela sua libertação.

Fatores:

  1. A nova posição dos EUA como potência aspirante à hegêmona global dentro de uma bipolaridade conflitante com a URSS. Os EUA queriam o deter o avanço do comunismo e a expansão da ideologia marxista. A URSS desenvolvia ações políticas no meio esquerdista e simpatizava com os movimentos anticolonialistas.
  2. A Guerra Fria na década de 50 voltou-se para o chamado Terceiro Mundo, países que não estavam alinhados a nenhum dos dois blocos antagônicos e que faziam parte do mundo colonial.
  3. EUA: o capitalismo se modificava, sendo chamado por alguns autores de neocapitalismo, marcado pela inovação tecnológica, corrida espacial, avanço da cibernética e das ciências e aumento da capacidade nuclear.
  4. URSS: crise do regime comunista, desestalinização na União Soviética, desavenças dentro do bloco, corrida espacial, tentantiva de acompanhar os EUA no incremento do armamento nuclear e nova política no Extremo Oriente.
  5. CHINA: ruptura com a URSS e proclama-se a verdadeira representante do socialismo, alterando a balança de poder no EO.
  6. PORTUGAL: tenta impedir as independências de suas colônias e passa a sofrer com déficits em sua balança comercial e a oposição da maioria dos países da ONU, apesar do apoio de aliados como a África do Sul.

Caminhos da Descolonização:

  • Primeiramente uma ação conjunta, através da Conferência de Bandung, no sentido de desenvolver uma ideologia própria terceiro-mundista que visava a findar com o colonialismo.
  • Em segundo lugar, partiu-se para a luta armada, havendo grande heterogeneidade na solução dos litígios: 1) em alguns houve uma relativa rápida aceitação da metrópole (o caso das colônias francesas, por exemplo), 2) em outros houve lutas prolongadas com divisão do movimento anticolonialista (Angola, por exemplo, onde os grupos receberam apoio dos EUA, URSS, China, Zaire e Cuba); 3) o conflito transformou-se em guerra civil com a necessidade de intervenção das forças de paz da ONU, gerando instabilidade prolongada mesmo após a independência.

Que caminhos o Ocidente poderia mostrar aos povos conquistados? Necessariamente aquele por ele mesmo trilhado: o liberalismo político e econômico, o código civil, o capitalismo e suas leis de mercado, a ganância e  o lucro a qualquer sacrifício. (LINHARES, 1981)

3. O que foi a Détente ou Coexistência Pacífica entre as superpotências e como ela se tornou possível?

  • Equiparidade mútua entre EUA e URSS quanto ao arsenal nuclear em fins da década de 50 – “equilíbrio do terror”.
  • Incomunicabilidade e deterioração da diplomacia: falta de comunicação entre os líderes dos dois grandes blocos até mesmo através das embaixadas.
  • A política de coexistência pacífica partiu da URSS, após a morte de Stálin, sob as mãos de Nikita Kruschev e iniciou dentro do país através da veiculação propagandística do perigo iminente de uma guerra atômica. As idéias foram afirmadas por Kruschev em 1956:

“O princípio da coexistência pacífica está ganhando cada vez mais a aceitação internacional. E isso é lógico, pois não há outra saída para a situação atual. Na realidade só existem duas soluções: a coexistência pacífica, ou então, a mais devastadora guerra da História. Não há uma terceira alternativa (…) Não há qualquer inevitabilidade fatal de guerra.”

  • Os generais norte-americanos como John Foster Dulles, o Pentágono e o Parlamento viram a tentativa de aproximação soviética com desconfiaça e ignoraram as provas concretas de que a URSS queria um diálogo sobre a questão nuclear: 1) retirada do Exército Vermelho da Áustria (1955); 2) aproximação diplomática com a RFA; 3) redução do seu efetivo militar em 640 mil homens.
  • Os anos seguintes foram de sérias crises e tensões entre os dois blocos, estendendo-se ao Terceiro Mundo e ao Oriente Médio. No entanto, Kruschev não desistiu da sua prepotência em projetar-se internacionalmente após ter acabado com o ídolo de Stálin no sentido de liderar a luta pela paz.
  • Em 1959 os líderes das duas potências, Kruschev e Eisenhower, aceitaram os convites para visitas recíprocas.
  • Em sua visita aos EUA, em discurso na ONU, Kruschev argumentou que a coexistência pacífica era uma questão de sobrevivência, recebendo inúmeros aplausos e saindo nas capas dos principais jornais do mundo.

“Quero afirmar aos delegados da Assembleia Geral que a ONU continuará tendo na União Soviética o participante mais ativo em todos os esforços voltados para livrar a Humanidade do fardo dos armamentos e para consolidar a paz mundial.” (Kruschev)

  • Entretanto um conflito tão complexo e abrangente como a Guerra Fria não terminaria apenas com o início do entendimento direto entre os principais envolvidos. Novos fatores abalaram novamente as relações:
  1. A derrubada do avião norte-americano U2 em missão de espionagem sobre território soviético por Kruschev (1960);
  2. A invasão da Baía dos Porcos por Kennedy na tentativa de derrubar o regime socialista de Fidel Castro (1961);
  3. A construção do muro de Berlim pelos soviéticos (1961);
  4. O descontentamento de Mao Tsé-Tung com a diplomacia de Krutschev, passando a considerar os chineses os verdadeiros revolucionários e defensores do Terceiro Mundo,  que levou a um rompimento entre URSS e China.
  5. A crise dos mísseis, quando a URSS instala projéteis na ilha de Cuba, despertando a ira dos EUA. A crise foi resolvida com a retirada dos mísseis por Kruschev mediante o compromisso de Kennedy em respeitar a soberania cubana e não mais apoiar exilados anticastristas.
  • Em 1963 o entendimento diplomático foi retomado através da instalação do telefone vermelho, que permitia contato direto entre os dirigentes dos EUA e URSS. No mesmo ano foi assinado o Tratado de Proibição das Provas Nucleares (na atmosfera e no oceano) pela URSS, EUA e Grã-Bretanha.
  • 1963: Kennedy foi assassinado. 1964: Kruschev é destituido do seu cargo.
  • As alterações na estrutura econômica e sócio-política internacional tornaram a lógica do confrontamento da década de 50 insustentável. Portanto, entre as décadas de 70 e 80 vai imperar a política da détente, ou seja, EUA e URSS vão coexistir no plano internacional, havendo ora descontentamentos ou adesões a um, ora a outro.
  • A política de coexistência pacífica gerou estagnação econômica, atraso político-cultural e supressão das políticas burocráticas no Bloco Soviético.
  • 1968: Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares assinado por EUA, China, URSS, França e Grã-Bretanha.
  • 1972: Nixon visita a China e defende a possessão chinesa sobre o Taiwan. No mesmo ano, o presidente dos EUA recebe convites da URSS, preocupada com a aproximação com os chineses e, então, Nixon visita o país em um importante encontro com o dirigente soviético. O encontro de Nixon com Brezhnev resulta na afirmação da détente através do SALT I (Strategic Arms Limitation Talks) e do Tratado sobre Mísseis Anti-Balísticos.
  • 1979: Carter assina com Brezhnev o SALT II.

4. Analisando a evolução social interna dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e do Bloco Soviético, identifique traços em comum e diferenças básicas.


Balanceamento

Ficha de estudos sobre o capítulo IX do livro “La Segunda Guerra Mundial 1939-1945 – Objetivos de guerra y estrategia de las grandes potencias” de  Andreas Hillgruber – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Vizentini

Que consequências teve o desenrolar e o resultado da II Guerra Mundial para as potências envolvidas e para o sistema internacional em conjunto?

Grã-Bretanha

  • Decadência de sua condição de potência mundial com auge de 1815 a 1860 e na fase imperialista e declínio no final do século XIX por reformas internas e pela entrada na I Guerra Mundial.
  • A II Guerra Mundial confirmou definitivamente a sua derrocada.
  • A recuperação da Grã-Bretanha através de um renascimento da balança de poder pendendo em seu favor, quer pela vitória da Alemanha quer pela vitória dos Aliados, não era possível.
  • A política de apaziguamento adotada pela GB nos anos 30 era uma mera estratégia realista de manter o seu império global.
  • Dois fatores colaboraram para seu declínio:
  1. Não havia como recuperar sua influência sobre o Centro da Europa, pois a URSS estava fortalecida e já dominava essa região.
  2. A Grã-Bretanha adotara uma política contraditória com relação às suas colônias. Prometeu independência para a Índia para o pós-guerra (porém os conservadores como Churchill não queria concede-la, pois sabiam que as riquezas vinham em grande parte das colônias) e também haviam movimentos centrífugos ocorrendo: Canadá, Nova Zelândia e Austrália, por exemplo.
  • Um terceiro fator era a possibilidade de a Grã-Bretanha aliar-se a um potência hegemônica menor na Europa (a Alemanha) ou alienar-se a uma potência hegemônia maior e global (os Estados Unidos). A decisão lógica foi aliar-se aos EUA, haja vista o incremento da divisão internacional de trabalho EUA-GB e a vantagem estratégica de ter o Atlântico protegido pelo seu aliado.
  • A vitória do Partido Trabalhista, agora com Clement Attlee como primeiro Ministro, significou uma aceitação da posição britânica como potência menor e uma maior preocupação com a política interna (reformas sociais).

França

  • Paira sobre uma ambivalência: apreciou as sóbrias e realistas circunstâncias do fim da II Guerra junto às suas limitadíssimas condições do momento aliado à exaltação de sua grandeza como país, uma certa supervalorização na política internacional graças à sua incorporação como quarta potência no pós-guerra pelos Aliados.
  • A tentativa de manter uma política autônoma (adotada por De Gaulle) foi o motivo principal de tanto Grã-Bretanha como URSS terem concedido à França o status de membro do Conselho dos Aliados, numa tentativa de colocar um peso supostamente decisório na balança entre o Leste e o Oeste.
  • Em 1945 qualquer aliança feita com a França, na verdade, tinha uma importância de segunda ordem, já que a polaridade pairava principalmente entre EUA e URSS e não mais entre Grã-Bretanha e União Soviética.
  • A partir de 1945 passarão a enfrentar movimentos de independência em suas colônias, em virtude um movimento francês objetivando restaurar o Império Colonial. Nesse contexto, Argélia e Indochina vão tentar se libertar e, assim, França voltar-se-á para questões internas, deixando a política exterior em segundo plano.

Grã-Bretanha e França foram duas potências, portanto, que, depois da II Guerra Mundial, passaram a se preocupar mais com problemas internos de seus impérios decadentes e a atuar como potências médias na política internacional.

União Soviética

  • Caracterizou-se por uma política exterior proposta já a partir de 1944 através de esforços diplomáticos e avanços do Exército Vermelho no sentido de adquirir liberdade de movimento nas negociações internacionais e estratégicas – Stálin e Molotov.
  • Apesar de ter sido o país que mais sofreu na guerra e que mais teve seu território prejudicado (no lado dos Aliados), obteve grandes êxitos através da expansão da sua esfera de influência sobre um amplo cinturão de países além das repúblicas socialistas originais (extensão para o Oeste inclusive).
  • Não conseguiu afirmar plenamente sua principal zona de influência da Escandinávia à Itália (com fronteiras fixadas também na Alemanha pelo Acordo de Potsdam) graças à mudança de postura norte-americana, que passou da cooperação (Roosevelt) ao enfrentamento (Truman). Como alternativa, restava à URSS uma segunda zona de influência na Ásia, através da aproximação com a China de Chang Kai Chek e outros territórios adquiridos por acordos com os Aliados.
  • Sentia-se ainda cercada por potências imperialistas (como em 1939) porém agora com uma esfera de influência muito maior.
  • Adquiriu uma posição, na Europa, de potência semi-hegemônica, pois diversos Estados europeus reagiram ao poder soviético e muitos aderiram ao bloco ocidental, sob a liderança dos EUA.
  • Não conseguia mais manipular os estados neutros (os have nots) na Europoa, pois os EUA revelavam-se superiores militar e tecnologicamente, o que impedia um conflito direto com essa potência.
  • Por mais que se situasse junto aos EUA no plano de potência mundial do pós-guerra, enfrentava sérias dificultades: perigos clássicos de toda potência hegemônica em manter um extenso território (Centroeuropa e Extremo Oriente), dificuldade internas na dirigência do comunismo soviético após a morte de Stálin e tensões étnicas dos povos constituintes da URSS.

Estados Unidos

  • Nação mais forte e dominante tanto do ponto de vista econômico como estratégico (potência marítima e aérea) e como potência mundial notavelmente atraente devido às suas concepções liberais e democráticas.
  • A propaganda democrática e liberal amplamente usada pelos EUA nos anos posteriores à II Guerra a impedia de atuar como potência global de forma direta (seria contraditório).
  • A alternativa de potência mundial em um grande espaço regional, Atlântico e europeu ocidental se associou a eleição de enfrentar ou cooperar com a URSS.
  1. Não seria possível uma modificação territorial na Europa do pós-guerra sem um conflito direto entre EUA e URSS. Optaria-se, portanto, por uma polaridade entre ambos os blocos e a repartição do continente (Alemanha como núcleo) a fim de manter o equilíbrio.
  2. A outra opção seria uma política isolacionista à semelhança da adotada na I Guerra, ou seja, isolamento paralelo a um compromisso com a política internacional (possibilidade descartada).

Japão

  • Potência que sofreu a derrocada mais agressiva, porém menos decisiva para o país a largo prazo.
  • Sua capitulação em 1945 significou o fim da tentativa, pela primeira vez, de um estado asiático de atuar no mesmo rank das grandes potências ocidentais.
  • Entretanto a derrota do Japão não significou um final brusco na evolução do país, como se suspeitava devido à desdivinização da figura do imperador. O que se verificou foi uma mudança de direção, distinta e mais moderna, graças a alguns fatores:
  1. Passou a depender unicamente dos EUA;
  2. A ascensão de uma segunda potência asiática – a China;
  3. A revalorização do Japão no plano estratégico global norte-americano.
  • O Japão passou a viver uma fase mesclada de elementos históricos e tradicionais aliados à utilização do imponente potencial econômico da maior potência do pós-guerra (EUA).

Itália

  • Só poderia se afirmar como potência apoiando-se em outras mais fortes no âmbito global.
  • Enfrentava sérias dificuldades sociais e políticas herdadas do regime fascista.
  • Era menos importante estrategicamente que o Japão, portanto, não recebeu grande apoio dos EUA, teve de se reerguer com suas próprias e insuficientes forças e contentar-se com seu papel de potência média.

Alemanha

  • Ficara evidente que as intenções de Hitler de transformar a Alemanha em um grande império de posição hegemônica regional não seriam mantidas diante da derrota na II Guerra Mundial.
  • A capitulação significou uma catástrofe para os alemães, não somente militar e política, mas também moral.
  • Foi o país onde se verificou a maior discrepância entre o desejado e o realmente alcançado.
  • Após 1945, acabaram-se as aspirações, desde a época de Bismarck por cerca de 80 anos, de transformar a Alemanha em grande potência e pairava um pessimismo e uma depressão sobre o povo alemão acerca de uma possível reestruturação do país diante de crimes de guerra, tensões políticas e ideológicas, desmembramento e ocupação por outros países da administração alemã, etc.
  • A Guerra Fria viria a constituir uma solução para a Alemanha, significando uma ruptura com o passado militarmente muito mais acentuado que no caso da Itália ou do Japão, por exemplo, e passando a ocupar posição decisória na disputa entre os dois blocos hegemônicos.
  • Berlim tornou-se o palco das disputas concretas entre EUA e URSS, onde as forças dos dois países se chocavam mais diretamente.

Política e Estratégia na Fase Final da Segunda Guerra: Setembro de 1994 – Setembro de 1945

Ficha de estudos sobre o capítulo VIII do livro “La Segunda Guerra Mundial 1939-1945 – Objetivos de guerra y estrategia de las grandes potencias” de  Andreas Hillgruber – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Vizentini

  • Diante da evidente agonia do império hitleriano, nos últimos anos da guerra, pairava uma crucial questão entre os aliados: quem decidiria a nova ordem européia e mundial daí pra frente?
  • O fim da guerra européia já havia sido praticamente definido através de 2 conferências em 1943:

I Conferência de Moscou (Outubro de 1943)

  • EUA, URSS e INGLATERRA se reúnem e resolvem os seguintes pontos:
    1. Criação de um Organismo Internacional de Uso não-egoísta pelos e para os países.
    2. Declaração final seria assinada também pela China.
    3. Ocupação total do território alemão pelos três aliados;
    4. Desarmamento completo da Alemanha.

Conferência do Teerã  (Novembro-Dezembro de 1943)

  • Conferência tripartida no Irã – encontro dos Três Grandes (Stálin, Roosevelt e Churchill).
  • Foi discutido a importância da Turquia entrar na guerra antes do final ao lados do Aliados. Assim a URSS poderia dar suporte a eles.
  • Tratou-se da Operação Overlord, a ser praticada em maio de 1944.
  • Por insistência de Stálin, definiu-se a fronteira do pós-guerra na Polônia como sendo as bordas dos rios Oder e Neisse e a linha Curzon.
  • Falou-se sobre a tentativa de criação de uma organização das nações unidas.
  • A URSS comprometeu-se a entrar na guerra contra o Japão assim que a Alemanha estivesse derrotada.

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  • A União Soviética já se encontrava em condições de defender seus interesses frente aos Estados Unidos e Grã-Bretanha, pois havia se apropriado de grande parte dos territórios do Leste da Europa Central.
  • Do final de 1943 a metade de 1944 discutiu-se muito sobre a criação de um organismo internacional para a manutenção da paz. A dianteira fora tomada por Roosevelt, que considerava 4 zonas de risco no planeta, que deveriam ser vigiadas pelos EUA, URSS, Grã-Bretanha e China.

Conferência de Dumbarton Oaks (Agosto-Setembro de 1944)

  • Participação das 4 grandes potências: EUA, URSS, Grã-Bretanha e China.
  • Discutiu-se sobre a criação da ONU, quais países poderiam integrar a organização e qual seria o direito de veto no futuro Conselho de Segurança dos membros permanentes.
  • Nesta conferência foi apresentado o Plano Morgenthau (Henry Morgenthau Jr., Secretário do Tesouro dos EUA) como a finalidade de redução, desmembramento, desindustrialização e desmilitarização da Alemanha. Este plano enfrentou a oposição do Secretário da Guerra dos EUA, Henry Stimson, e do Secretário de Estado norte-americano, Cordell Hull.
  • A princípio o Plano Morgenthau seria adotado sobre a Alemanha ao término da guerra, porém Roosevelt abdica de assinar o documento em virtude da pressão popular norte-americana e da oposição de setores do seu governo.

IV Conferência de Moscou – TOLSTOY (Outubro de 1944)

  • Encontro principalmente entre Churchill e Stálin que decidiram transformar as zonas de operações em esferas de influência sem a participação americana.
  • Fixaram-se percentagens para a divisão dos Balcãs entre Grã-Bretanha e URSS:
  • Grécia – 90% influência britânica
  • Romênia – 90% influência soviética
  • Iugoslávia e Hungria – 50% a princípio para os soviéticos, depois 80%
  • Bulgária – 75% influência soviética.
  • A Grá-Bretanha só foi capaz, nos anos seguintes, de manter influência sobre a Grécia mesmo; nas demais regiões, somente com o apoio dos EUA.

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  • Stálin se aproxima da França do general Charles De Gaulle, que adotava uma política exterior independente dos EUA e da Grã-Bretanha. A URSS pretendia, com isso, obter apoio para pressionar os EUA e a Grã-Bretanha no cenário pós-guerra.
  • Dezembro de 1944: encontro de Stálin e De Gaulle em Moscou.
  • DE GAULLE: reconhece a fronteira da Polônia como a linha Oder-Neisse, porém se negou a reconhecer o Comitê de Lublin.
  • STÁLIN: negou a linha do Rin como fronteira da França.
  • Foi firmado um pacto de aliança e ajuda mútua no sentido de conter a Alemanha nos próximos 20 anos entre URSS-França.

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  • A Comissão Consultiva Européia aprovou 3 documentos durante o ano de 1944 no que tange ao futuro da Alemanha após sua rendição.
  1. Projeto para a Rendição da Alemanha (julho de 1944)
  2. Protocolo de Zonificação (setembro de 1944): Berlim não era considerada zona de ocupação soviética.
  3. Tratado sobre as Organizações de Controle na Alemanha (novembro de 1944): as organizações lá estabelecidas tinham direito de veto a fim de defender os interesses de seu governo.
  • A Comissão Consultiva não havia estabelecido a nova fronteira oriental alemã, o que só vai ser claramente definido na Conferência de Yalta (fevereiro de 1945).  Os limites tomados como base eram os do território do Reich de 1937.

Ofensiva de Ardenas (dezembro de 1944)

  • Ardenas era uma região principalmente da Bélgica, mas que se estendia também por Luxemburgo e França.

  • Hitler planejou um ataque surpresa nesta região a fim de dividir as tropas inglesas e americanas desde Eifel a Antwerp, através das Ardemas e do rio Mosa. Paralelamente bombardearia a Grã-Bretanha, forçando-os a pedir a paz.

  • A ofensiva inciou-se em 16 de dezembro de 1944 entre Monschau e Echternach, terminando em 4 dias. As tropas migraram então para Leste, onde o Exército Vermelho avançava. A marinha alemã voltou-se rapidamente para o Oeste defendendo Schleswig-Holstein e a Dinamarca.

  • O fanatismo alemão atingiu seu ápice após a derrota da Campanha das Ardenas pela formação da Volkssturm (milícia popular) e da Hitler-Jugend (Hitler Youth), fase conhecida como mobilização total da população alemã numa tentativa desesperada de vencer a guerra. Hitler chegou a declarar que “o povo alemão demonstrou-se fraco nesta guerra e que o futuro pertencia ao povo do Leste, mais fortes” pouco antes do seu suicídio.

Conferência de Yalta (Feveiro de 1945)

  • Reunindo novamente os Três Grandes: Stálin, Churchill e Roosevelt na Criméia.
  • Foi decidido que a Alemanha e a Áustria deveriam ser divididas em setores administrados pela União Soviética, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos.
  • A industria bélica alemã deveria ser confiscada pelos aliados e os crimes de guerra cometidos pelo nazismo seriam julgados por uma corte internacional em tribunal instalado em Nuremberg -desnazificação da Alemanha.
  • A Questão do Comitê de Lublin: Churchill e Roosevelt defendiam eleições livres na Polônia a fim de restabelecer a integridade nacional, enquanto Stálin queria a instalação de um governo pró-soviético. Mesmo assim a URSS oficialmente aceitou a criação do Governo Provisório de Unidade Nacional.
  • Extremo Oriente: URSS ratifica seu compromisso de entrar na guerra contra o Japão 2 ou 3 meses após o fim da guerra na Europa. Em troca, garantia o status quo na Mongólia “exterior”; ocupava a Sakhalia do sul e ilhas adjacentes e passa a ocupar as ilhas Kuriles. Também foi acordado a internacionalização do porto de Dailan (Dairen), a aquisição da base naval de Port Arthur e administração das ferrovias do Leste da China e do sul da Manchúria pelos soviéticos.
  • Acordo Secreto de Yalta (11 de fevereiro de 1945): entre EUA e Grã-Bretanha sobre as concessões aos soviéticos no Extremo Oriente.
  • Sobre a futura Organização das Nações Unidas: a soberania das grandes potências estaria agora subordinada à ONU, porém a organização não conseguirá impedir (no imediato pós-guerra) a articulação de uma política anti-URSS. Discutiu-se acerca do direito de veto no futuro Conselho de Segurança, sobre o qual os EUA fizeram algumas concessões, pois os soviéticos estavam com uma ampla esfera de influência (sobre os Bálcãs, Centroeuropa e Extremo Oriente). Stálin posicionou-se contra à elevação da Ucrânia e Bielorrússia a membros independentes da futura ONU.
  • Europa Central: Roosevelt mantém a mesma posição adotada por Churchill (questão das porcentagens para as esferas de influência) e ambos defendiam eleições livres na Polônia e Yugoslávia para a formação dos governos após o final da guerra.  A União Soviética, por sua vez, defendia a permanência dos governos provisórios formados em 1944 (Comitê de Lublin e Comitê de Tito). Aí reside uma grande divergência entre os Aliados quanto a questão do cordão sanitário, pois GB e EUA queriam manter o cordão, enquanto URSS queria eliminá-lo.

Março de 1945

  • A URSS expõe acordo feito de amizade e neutralidade com a Turquia existente desde 1925. Nesta altura, a Turquia já havia declarado guerra ao Eixo.
  • O acordo tratava de:  1) concessão de bases para as forças navais e aéreas soviéticas nos estreitos turcos; 2) concessão dos distritos de Kars e Ardahan para a URSS.
  • Finais de março e ainda não havia se chegado a um consenso dentro da Comissão Consultiva Européia sobre o desmembramento da Alemanha.

Abril de 1945

  • O presidente Roosevelt falece.
  • Hitler aproveita a oportunidade para concentrar o resto das tropas alemãs em um espaço no Norte e outro no Sul, pois acreditava em uma ruptura da coligação anti-hitler.
  • A Áustria é tomada pelos soviéticos, os quais estabelecem um governo provisório de seu interesse, sem comunicar aos demais Aliados.
  • Americanos e soviéticos uniram suas tropas em Torgau em 25 de abril, pondo fim à última tentativa alemã de vencer a guerra.
  • Mussolini é assassinado em 28 de abril.
  • Hitler se suicida em 29 de abril.
  • A URSS expõe acordo de neutralidade firmado com o Japão em 1941, desconsiderando todas as promessas feitas durante 1944 de entrar na guerra contra os japoneses.

Maio de 1945

  • Karl Dönitz, sucessor de Hitler, aceita a rendição total da Alemanha e tenta transferir o governo de Flensburg (zona britânica) para Berlim (zona soviética).
  • Capitulação da Alemanha: 8 de maio de 1945.
  • Stálin seguia fazendo alianças unilaterais em seus esferas de influência e imediações visando a eliminar interferências ocidentais nas regiões tomadas pelo Exército Vermelho. Tentativas de manter sob influência soviética principalmente Polônia, Bulgária e Romênia.

Junho de 1945

  • As 4 potências vencedoras (EUA, Grã-Bretanha, URSS e França) assumem com máxima autoridade o governo na Alemanha, conforme o Tratado sobre as Organizações de Controle na Alemanha, firmado em novembro de 1944.
  • O presidente Truman, inexperiente em diplomacia, adotava uma política muito mais anti-comunista que Roosevelt e isso vai repercutir nos atritos entre EUA e URSS.
  • É instalado o governo provisório na Polônia, sob influência soviética.

Conferência de Potsdam (Julho de 1945)

  • Realizada na Alemanha (Potsdam fica na região metropolitana de Berlim) com a participação de Harry Truman (EUA), Joseph Stálin (URSS) e Winston Churchill (Grã-Bretanha), além dos Ministros de Assuntos Exteriores Molotov (URSS), Byrnes (EUA) e Anthony Eden (Grã-Bretanha).
  • Principais pontos com relação à Alemanha: desmilitarização, desnazificação, democratização, descentralização e descartelização (descentralização da economia).
  • Desmembramento da Alemanha e da Áustria em 4 zonas de ocupação e também divisão de cada capital, respectivamente Berlim e Viena.
  • Os territórios anexados pela Alemanha seriam devolvidos aos países de origem: região dos Sudetos (para a Tchecoslováquia), Alsácia-Lorena (para a França) e territórios poloneses (para a Polônia).
  • A fronteira oriental da Alemanha seriam os limites naturais dos rios Oder-Neisse.
  • Redução da capacidade industrial alemã.
  • Sobre a Polônia: o Governo Provisório de Unidade Nacional (concordado pelos 3 Aliados em Yalta) seria criado. Reconheceu-se a influência soviética sobre o governo polonês (Comite de Lublin) e o fim do reconhecimento do Governo no Exílio (em Londres).
  • Os limites da Polônia seriam definidos pela linha Curzon, sendo que territórios orientais foram incorporados pela URSS e territórios ocidentais recuperados da Alemanha pela Polônia (não podendo ser ocupados pelos soviéticos).
  • Foram afirmados os países-satélite da URSS: República Popular da Polônia, República Popular da Hungria, República Socialista da Tchecoslováquia, República Popular da Romênia, República Popular Federal da Iugoslávia, República Popular da Albânia e o Leste da Alemanha como zona de ocupação.
  • A URSS posiciona-se contra a instalação de eleições livres em países de sua esfera de influência, alegando que governos elegidos democraticamente neste países seriam antisoviéticos e isso era indubitavalmente inaceitável.
  • Expulsão dos Alemães da Europa Central: expulsão de alemães da Polônia, Tchecoslováquia (Sudetos) e Hungria dentro da política de desnazificação.
  • A Questão do Japão: EUA e Grã-Bretanha fizeram um acordo secreto sobre a utilização da bomba atômica sobre o Japão, diante do teste nuclear no Novo México (16 de julho de 1945). Dessa forma, não precisariam do auxílio soviético para a derrota do Japão.
  • 21 de julho de 1945: Japão propõe uma rendição mediada pela URSS desde que se mantivesse a monarquia.
  • Stálin aceita finalmente entrar na guerra contra o Japão mediante concessões pelos aliados ocidentais na Europa (a cessão de 15% dos equipamentos industriais confiscados para fins de reparação na 3 zonas de ocupação ocidentais e 10% do aparato industrial das zonas ocidentais).

Agosto de 1945

  • O lançamento das bombas atômicas sobre o Japão (6 de agosto em Hiroshima e 9 de agosto em Nagasaki) foi autorizado pelo presidente Truman com 2 objetivos: um primordial, forçar o Japão a capitular e, outro, no escopo do crescente enfrentamento com a URSS, demonstrar a superioridade norte-americana.
  • A URSS declara guerra ao Japão em 8 de agosto de 1945, enviando tropas para a Coréia, Manchúria e Ilhas Kuriles.
  • Stálin assina um acordo de amizade e aliança com o Governo Nacional de Chang Kai-Chek.
  • O comandante americano encarregado de governar o Japão em 1945, Douglas Mac Arthur, determinou que à URSS caberiam as seguintes regiões: Manchúria, Mongólia Interior, Coréia do Norte (determinada pelo paralelo 38) e sul do Sakhalin, não mencionando as Ilhas Kuriles (que deveria passar às mãos dos soviéticos conforme o Acordo Secreto de Yalta). O president Truman afirma que necessitava de uma base aérea em apenas uma das ilhas Kuriles, porém Stálin negou-se a concedê-la e reafirmou sua possessão sobre todas as ilhas.

Setembro de 1945

  • Em 2 de setembro de 1945 se dá a rendição total japonesa.
  • O exército japonês na China rendeu-se ao Governo Nacional de Chang Kai-Chek e imediatamente os soviéticos tomam Dailan e a base de Port Arthur.
  • O núcleo do Japão foi incluído como um todo dentro da esfera de influência norte-americana e se converteu em bastão estratégico dos EUA no continente asiático, frente ao Extremo Oriente soviético.
  • Verificou-se no imediato pós-guerra uma tentativa de se retomar colônias na Ásia por parte da França, Holanda e Grã-Bretanha, o que foi de encontro aos movimentos emancipacionistas.  O Vietnã e a Indonésia, por exemplo, proclamaram suas independências. A Índia tentou libertação semelhante da Grã-Bretanha, porém não se efetivou.
  • China: os soviéticos e os norte-americanos não tinham uma idéia clara da relação entre as forças políticas chinesas. URSS tentou apoiar Chang Kai-Chek a fim de evitar a presença dos EUA em território chinês. Todavia os EUA enviaram tropas à China. As pressões americanas e soviéticas levaram Mao Tsé-Tung e Chang Kai-Chek a uma trégua e os americanos abandonaram o país.
  • A ocupação direta do Japão e Coréia do Sul significava para os EUA uma segunda zona de influência (a primeira, América Latina e Europa Ocidental) para equilibrar a grande esfera soviética sobre a Europa Central.

O Triunfo do Internacionalismo Conservador (1921-1929)

Ficha de estudos sobre o texto do livro “American Diplomacy in the Twentieth Century” de Robert Schulzinger – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Vizentini

O Republicano Warren Harding assume o governo dos Estados Unidos da América em 1923 e, diferentemente do que propunha o seu antecessor Wroodow Wilson, mantém o país no escopo da economia política internacional, sem engajar-se nas relações internacionais – retorno ao um quase isolacionismo. Dessa forma, os EUA estão fora da Liga das Nações, criada com o final da Primeira Guerra Mundial a fim de manter a paz mundial e adotam agora o que se convém chamar de internacionalismo conservador.

  • Atos Roger (1924): amalgamou o serviço consular americano ao corpo diplomático,  estabelecendo um piso salarial para a classe com a criação do Serviço de Relações Exteriores dos Atos Roger.
  • Os EUA passam a competir em considerada igualdade com a Europa, na “era do automóvel”, pois entendiam que os europeus tinham as mesmas  condições de obtenção de matérias-primas através do colonialismo, especialmente borracha e petróleo.
  • O novo governo republicano tenta uma política de Open Door sobre o governo do Iraque, interessados que estavam em obter petróleo no país.  Conquistaram, assim, em 1928, através da Corporação para o Desenvolvimento do Oriente Próximo, a concessão de 23,75% da Companhia Turca de Petróleo no Iraque.
  • Os ingleses fizeram acordos com os iraquianos, transformando a Companhia Turca de Petróleo em Companhia Iraquiana de Petróleo, com maioria das ações sob o domínio britânico. Os interesses americanos foram, portanto, prejudicados.
  • Os EUA voltam seus olhos, então, para a Pérsia (Irã), com amplas reservas petrolíferas. Nomeiam, através de acordos com o Xá Reza Pahlevi, o americano Arthur Millspaugh para conselheiro econômico do Departamento de Estado. Escândalos relacionados a choques culturais e religiosos terminam com o assassinato do vice-consul americano, em 1924, e assim, põe por terra a tentativa de imperialismo no país. Só retornam em 1943.
  • O Secretário do Tesouro Andrew Mellon cria uma nova legislação para expandir os bancos norte-americanos sobre os mares. Ficam impossibilitados de contrair empréstimos com os EUA países já com dívidas com estes; para fins de armamentos; para países não-reconhecidos pelos EUA e para monopólios internacionais que mantivessem preços concorrenciais que prejudicassem os EUA.
  • Outra questão econômica internacional relevante nos anos 20 foi a dos débitos da Primeira Guerra, em especial, os da Alemanha. Esta deveria fazer os pagamentos em marcos de ouro, porém passou a emitir papel-moeda, o que gerou inflação no país. Diante disso, chegou a negar-se a pagar as dívidas e ato contínuo a França envia tropas para a região do Ruhr. Como solução, os EUA implantam o Plano Dawes (1923), para auxiliar a Alemanha na reerguimento da sua economia, através de empréstimos a juros baixos.
  • Na década de 20 verificou-se um aumento do interesse pelas Relações Internacionais nos Estados Unidos, principalmente com a criação da revista Foreign Affairs (1922) e a criação de cursos de relações internacionais em várias universidades. Esses centros de pesquisa passaram a reavaliar a diplomacia européia no que tange aos tratamentos para com a Alemanha e concluíram que os EUA não deveriam confiar em tais alianças.
  • 1921-1924: criação de leis restritivas quanto à imigração, determinando uma cota para cada nação. Essas leis foram aplicadas principalmente quanto à Itália fascista.
  • Balanceamento Naval:  como a Grã-Bretanha, França, Japão e Itália haviam sofrido muito com a guerra, não mais competiam entre si no sentido de aumentar frotas. Os EUA, por sua vez, diminuíram também os investimentos em armamentos na década de 20.
  • 1920: fim da aliança anglo-japonesa.
  • Conferência de Washington (1921-22): revela uma inclinação dos EUA para as relações internacionais, determinando padrões da balança naval, limitando o tamanho e o ritmo da construção de navios e estabelecendo cotas para as frotas. Foram assinados 3 acordos que marcaram o fim da conferência:
  1. Acordo das Cinco Potências: Estados, Grã-Bretanha, Japão, França e Itália, estabelecendo uma proporção da força naval para cada qual.
  2. Acordo entre EUA, Japão, França e Grã-Bretanha: no qual cada um deveria respeitar as possessões umas das outras no Pacífico.
  3. Acordo das Noves Potências: as potências com interesses no Extremo Oriente sancionam a integridade territorial da China.
  • 1927: Conferência Naval de Genebra, organizada pelo então presidente dos Estados Unidos, Coolidge, visando à expansão dos tratados navais. Foi um fracasso e os jornais europeus chamaram o presidente de despreparado.
  • 1930: Conferência Naval de Londres, organizada pelo presidente Hoover. Já dentro do contexto da Grande Depressão, todos os países presentes concordaram em reduzir suas frotas navais.

OS ESTADOS UNIDOS E A AMÉRICA LATINA

As medidas econômicas adotadas pelos Estados Unidos desde o final da Primeira Guerra Mundial, visavam a expulsar os Europeus do crescente mercado consumidor latino-americana para, assim, poderem ampliar suas exportações sobre este.

O governo norte-americano mantinha tropas no Haiti, República Dominicana e Nicarágua e controlavam o poder político em Cuba.

No México, os EUA intervinham militarmente, porém em 1928, com a nova constituição, o país passou a ter autonomia, apesar de conceder amplos privilégios às indústrias norte-americanas. Essa constituição perdurou até 1938, quando Cárdenas assume o poder e expropia as empresas  petrolíferas estadunidenses.

  • Conferência de Havana (1928): contestação dos países latino-americanos ao intenso intervencionismo norte-americano.

A Guerra Total e o Equilíbrio de Forças, 1914-1918

Estratégias das Duas Coalizões e Disponibilidade de Recursos Militares e Econômicos de Cada Uma

  • ESTADOS UNIDOS: publicamente neutros, porém próximos à Grã-Bretanha e à França, por parcerias comerciais.
  • JAPÃO: aliança com a Grã-Bretanha.
  • ITÁLIA: neutra em 1914. Passa para o lado da Entente (1915), sem trazer muitos benefícios para a aliança, pois era fraca militar e economicamente.
  • IMPÉRIO OTOMANO: ao entrar na guerra ao lado dos impérios Centrais, passa a prejudicar a Rússia, em virtude do bloqueamento dos estreitos que possibilitava o escoamento da produção russa de cereais.
  • IMPÉRIOS CENTRAIS: superioridade industrial e tecnólogica. No caso da Alemanha, ótima infraestrutura (ferrovias e comunicações) e facilidade de recrutar soldados.
  • FRANÇA E RÚSSIA: dificuldades de coordenar estratégias em virtude da enorme distância entre os dois países.
  • INGLATERRA: bloqueia o Mar do Norte e na costa ocidental age como guardiã dos Aliados nos mares, permitindo-lhes abastecimento, muitas vezes oriundo das colônias. Podia fornecer empréstimos e munições ao países da sua aliança, por possuir um vasto império colonial around the world.

Os Aliados possuíam uma notável superioridade naval, a qual garantia a manutenção da comunicação no Mediterrâneo e no Mar do Norte. Isso foi parcialmente comprometido a partir do uso de submarinos pela Alemanha e da entrada do Império Otomano ao lado da Alemanha e Áustria-Hungria.

A Alemanha tinha vantagens específicas: o grande avanço sobre Bélgica e França foi mantido (fracasso do plano francês XVII) e a eficiente mobilidade das tropas da frente ocidental para a orienta, graças à boas ferrovias alemãs, aliado ao avanço lento das tropas russas na Oeste.

  • Os dois primeiros anos da guerra significaram uma tentativa da França e da Rússia de conter o poderio alemão.
  • Na questão econômica, o deslocamento de capital para a a indústria bélica aumentou de aproximada 4% (antes da guerra) para 25 a 33% (na guerra total). Nesse ponto, Itália e Áustria-Hungria eram as mais fracas, sendo amparadas por seus respectivos aliados.
  • O três impérios mais frágeis na guerra eram, portanto, o Austro-Húngaro (à sombra da Alemanha), o Império Russo (com uma série de dificuldades) e a Itália (incapaz de defender-se sozinha).

A Rússia foi a primeira a esfacelar-se. Causas: 1) ataques constantes dos alemães nas suas fronteiras e alguns ataques austro-húngaros também; 2) por estar isolada (não podia exportar nem abastecer-se) pela Turquia; 3) falta de infraestrutura; 4) questões políticas internas: czarismo e suas precária gestão dos recursos; 5) problemas econômicos (inflação); 6) problemas sociais (greves e contestações à guerra) e 7) problemas militares (perdas humanas imensas e a consequentes deserções.

“é simplesmente uma massa enorme, cansada, andrajosa e mal alimentada de homens enraivecidos, unidos pela sede comum de paz, e pela decepção geral.” (STAVKA)

As Alianças e o Plano Inclinado que levou à Guerra, 1890-1914

Ficha de estudos sobre texto do livro “Ascensão e Queda das Grandes Potências” de Paul Kennedy – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Vizentini

  • A modificação do sistema das grandes potências em fins do século XIX se deu pelas alterações provocadas pelo sistema bismarckiano, que pela primeira vez na história, procurou alianças em tempos de paz.

Exemplos: aliança austro-alemã (1872-73), aliança Alemanha-Itália (1882), aliança Áustria-Hungria e Alemanha com a Romênia (1883).

  • Após 1905, verificou-se uma tendência de os países lutarem em coalizão, não mais sozinhos:  enrigecimento dos blocos.
  • Bismarck, através dos acordos secretos que fizera tanto com Rússia quanto com França, acabou alertando indiretamente os dois países de que um isolamento neste período era fatal e, assim, estes passaram a buscar cada vez mais aliar-se, temerosos que estavam da Alemanha.
  • Com a aliança entre França e Rússia, em 1894, os blocos passam a equilibrar-se, o que significa duas coisas: a eclosão de um conflito incalculável ou a não-agressão pelo equilíbrio de forças.
  • Década de 1890: preocupações com a África do Sul, Extremo Oriente, Vale do Nilo e Pérsia, além de ser uma década de “corrida naval”, o que preocupa a Grã-Bretanha.
  • O Império Britânico rompe o seu isolacionismo esplêndido, propõe uma aliança com a Alemanha e passa a fazer concessões diplomáticas principalmente no escopo das relações anglo-americanas.  Em 1902, firma também alianças com o Japão e, futuramente, com a França.
  • 1904: criação da Entente Cordiale entre Inglaterra e França.
  • Guerra Russo-Japonesa (1904-1905): Inglaterra e França viram-se num impasse, pois esta tinha acordos com a Rússia e aquela com o Japão. Em 1904, criaram uma aliança entre si: a Entente, encerrando as discordâncias coloniais anglo-francesas e, assim, não interferiram no conflito.
  • Conferência de Algeciras (1906): significou o fracasso da diplomacia alemã, pois os interesses da França no Marrocos foram atendidos.
  • 1907: aliança anglo-russa – elimina os desentendimentos entre Inglaterra e Rússia quanto ao Tibete, Pérsia e Afeganistão e, agora com a Tríplice Entente (Inglaterra, França e Rússia) consolidada, a Alemanha sente-se acuada.
  • 1908-1909: intensificação da corrida naval na Alemanha, através do programa de construções de Tirpitz, o que ameaça a Inglaterra e aumenta suas rivalidades para com os alemães, pois se sente ameaçada no Mar do Norte. No mesmo ano, a indignação russa pela anexação da Bósnia-Herzegovina pela Áustria-Hungria, acirra os desentendimentos para com a a Alemanha, o que gera um crescimento da corrida armamentista e do nacionalismo no Império Russo.
  • 1911: a Segunda Crise do Marrocos – provoca euforia patriótica na França e na Alemanha, a partir da consolidação da Tríplice Entente, haja vista a defesa da Inglaterra em favor da França na questão.
  • 1912: reaparecimento da questão balcânica, quando se forma a Liga de Países dos Balcãs, expulsando definitivamente o Império Otomano da Europa. Isso significou a ascensão da Sérvia, o descontentamento da Áustria-Hungria, a preparação da Rússia para apoiar militarmente os estados balcânicos  e uma aproximação da Alemanha com a Turquia.
  • A partir daí as potências já preparam seus planos de guerra:  Plano Schlieffen (Alemanha), Plano XVII (França), preparação da Inglaterra para defender a França no caso de um ataque alemão, preparação da Áustria-Hungria para invadir a Sérvia e também o Império Russo e preparação da Rússia para invadir o Império Austro-Húngaro e a Alemanha.

Erro de cálculo: todos os países acreditavam que a guerra seria rápida e pontual, porém não contaram com as inovações técnicas que seriam usadas na guerra (trincheiras, metralhadoras, submarinos, torpedos, minas, armas químicas, entre outras). Além disso, o novo sistema de alianças foi decisivo para o prolongamento do conflito: venceria o bloco com maiores recursos militares, navais, financeiros (maior número de colônias, maior capacidade de produção de alimentos e maiores capitais), industriais, populacional e tecnológico. :o

O Fortalecimento das Alianças e as Crises (1890-1914)

Ficha de estudos sobre texto do livro “A Europa de 1815 aos Nossos Dias (Vida Política e Relações Internacionais” de Jean-Baptiste Duroselle – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Visentini

- As tensões aumentam na Europa a partir de 1890, principalmente pelo acirramento das disputas por colônias em África e Ásia e, também, pela demissão de Otto von Bismarck da diplomacia alemã, por Wilhelm II. Bismarck, de uma certa forma, equilibrava o sistema no período através de uma série de alianças, acordos bilaterais e até mesmo acordos secretos com uma ou outra potência.

- Holstein, novo embaixador alemão, recusou-se a renovar o acordo de contra-segurança com os russos conseguido por Bismarck. Baseava-se na hipótese de que era impossível uma aproximação entre França e Rússia.

1. O AMADURECIMENTO DAS ALIANÇAS E OS CONFLITOS (1890-1904)

  • aproximação entre França e Rússia: França, temerosa por não ter aliados, aceita conceder empréstimos à Rússia a fim de defender-se da Alemanha em uma possível alinça franco-russa. Os dois países tinham mais uma coisa em comum: descontentamento com os avanços ingleses sobre Egito e costa ocidental africana.
  • Inglaterra decidida a eliminar a França do Vale do Nilo.
  • A França, sem condições de travar uma guerra sozinha contra a Inglaterra, abandona o Egito.
  • Áustria-Hungria e Rússia decidem por um tempo manter o status quo nos Bálcãs, por 2 motivos: primeiro, o rei da Sérvia (e este era sempre o pivô da rivalidade) era pró-Áustria e, segundo, o Império Russo estava mais interessado no Extremo Oriente.
  • 1898:  break up of China – partilha da China pelas potências européias, sob a liderança da Alemanha.
  • Japão, descontente com a interferência européia direta na China, invade a Manchúria.
  • A inauguração da divisão chinesa pela Alemanha significou o lançamento de Wilhelm II na Weltpolitik: uma mudança perigosa de relações exteriores. Significou também um avanço sobre o Oriente, com a construção de ferrovia na Turquia, um avanço marítimo com a política naval de Tirpitz, um crescimento econômico que já superava a Inglaterra e um avanço comercial, tudo isso amparado por teorias racistas e pangermanistas.
  • A Inglaterra se revela amplamente insatisfeita e acuada com os avanços alemães e decide aproximar-se deles. O novo chanceler alemão, Bülow, recusa a proposta.
  • 1904: formação da Entente Cordiale entre Inglaterra e França.

Apêndice 1 – Entente Cordiale

Para a formação desta importante aliança, França renuncia as suas pretensões no Egito e, de outro lado, Inglaterra reconhece os direitos da França sobre o Marrocos.

2. A ERA DAS CRISES (1904-1914)

  • 1903: o rei da Sérvia é assassinado por oficiais da Mão Negra. O novo rei, Pedro I é abertamente pró-francês, pró-russo e contrário à Áustria-Hungria, ou seja, o país passa a inimigo oficial do Império Ausro-Húngaro.

  • 1904-1905: derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa, o que significou um enfraquecimento do exército russo e um maior interesse pelos Balcãs (não mais pelo Extremo Oriente).
  • PRIMEIRA CRISE DO MARROCOS (1905): Alemanha declara-se favorável à independência do Marrocos, enquanto França pretendia dominá-lo plenamente diante do parecer britânico. Nesse ínterim, Wilhelm II tenta uma aproximação com Nicolau II, porém não chega a se efetivar, devido à anterior aliança franco-russa. A crise é solucionada com a Conferência de Algesiras (1906), na qual os portos foram todos confiados à França e Espanha.
  • CRISE DA BÓSNIA-HERZEGOVINA (1908-10909): Áustria-Hungria anexa a Bósnia-Herzegovina a fim de enfraquecer a Sérvia e também porque acreditavam que, com isso, eliminariam as tentativas de nacionalismo iugoslavo. A Rússia não tinha condições de, neste momento – e sozinha, enfrentar o Império Austro-Húngaro e a França não quis se envolver. Esta crise, portanto, exacerbou o nacionalismo sérvio e a rivalidade austro-russa.
  • CRISE DE AGADIR OU SEGUNDA CRISE DO MARROCOS (1911): No Marrocos, o sultão Moulay Hafid é aprisionado por rebeldes e, assim, pede ajuda à França, que envia tropas para a o interior  do país. Isso provoca a ira da Alemanha, que considera uma ocupação efetiva e de caratér colonial por parte dos franceses e, então, partem com navios para lá. A Rússia permanece neutra no conflito. A Inglaterra posiciona-se a favor da França e diz estar preparada para uma guerra, porém os embaixadores de França e Alemanha fazem um acordo.

      Apêndice 2:  Acordo Colonial Franco-Alemão de 1911.

      Neste acordo, que termina com a Crise de Agadir, França cede grande parte do Congo para a Alemanha, recebendo em troca um pedaço do Camerum e o reconhecimento do protetorado francês no Marrocos.

  • PRIMEIRA CRISE BALCÂNICA (1912-1913): forma-se uma coalizão de países balcânicos (apoiada pela Rússia) contra o Império Otomano. Os aliados vencem os turcos. Os sérvios e os gregos fazem uma aliança contra os búlgaros, pois estes queriam amplos territórios na vitória contra a Turquia. No entanto, Bulgária ataca a Sérvia em 1913. Os búlgaros foram batidos em 15 dias pelos sérvios. Nestes conflitos, nenhuma potência deu apoio concreto (com envio de tropas), porém por muito pouco Áustria-Hungria não entra no conflito contra a Sérvia e, consequentemente, contra a Rússia.

3. A CRISE DE JULHO DE 1914

A crise fatal para que estourasse a Primeira Guerra Mundial foi balcânica e não pelos conflitos coloniais, pois estes já haviam sido gradativamente acordados entre as potências durante o século XIX e início do XX.

O estopim aconteceu em 28 de junho de 1914, quando o herdeiro do império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, foi assassinado na Bósnia-Herzegovina por um integrante da Mão Negra. A Áustria-Hungria tinha o pretexto que faltava para atacar a Sérvia, confiantes que estavam de ter sido a mando do governo sérvio. Tratava-se de uma força que não parava de crescer e que comprometia o seu império: o nacionalismo iugoslavo, cujo foco estava na Sérvia.

A Alemanha, por sua vez, sentia-se ameaçada pela aliança franco-russa e agora não podia mais recusar apoio à Áustria-Hungria, senão a Dúplice Aliança estaria comprometida e ela ficaria sozinha no cenário internacional.

Para a Rússia, a guerra era difícil, já que enfrentava dificuldades econômicas e políticas, porém em seu papel de “mãe dos povos eslavos”, precisava entrar no conflito em defesa da Sérvia.

A França, por outro lado, defenderia a Rússia, caso os alemães a atacassem, em virtude da Tríplice Entente.

A Diplomacia Bismarckiana (1871-1890)

Ficha de estudos sobre texto do livro “A Europa de 1815 aos Nossos Dias (Vida Política e Relações Internacionais” de Jean-Baptiste Duroselle – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Visentini

O diplomata alemão Otto von Bismarck, além de responsável pela unificação alemã, passou a coordenar de uma certa forma o sistema internacional europeu da segunda metade do século XIX, tornando a Alemanha uma das grandes potências do período.

“Em todos os Estados europeus, a questão das relações com o Império alemão está no centro das preocupações dos homens de governo: é para Bismarck que todos voltam seus olhares.” (RENOUVIN) :)

1. CONSERVANTISMO BISMARCKIANO

* No pós-unificação (a partir de 1871), Bismarck não tinha intenções hegemônicas, mas sim de consolidação do estado alemão: manter a coesão, eliminar as resistências (pela anexação de Alsácia-Lorena, dos poloneses, dos dinamarqueses do Slesvig, etc) e favorecer o desenvolvimento econômico.

* Para tanto, passa a elaborar uma série de sistemas que possibilitassem a gravitação das outras potências européias em torno da Alemanha.

  • Primeiro Sistema Bismarckiano (1872-73): atrai os possíveis aliados franceses para o seu lado, formando a “Entente” dos 3 Imperadores (Rússia, Alemanha e Áustria-Hungria) + Itália, pois via a França como uma ameaça.

1877 : o Império Otomano sofre revoltas na Sérvia-Montenegro e Bulgária, onde tanto Áustria-Hungria quanto Rússia tinham interesses. O Império Russo declara guerra, em defesa dos estados eslavos, ao Otomano.

1878: Tratado de San Stefano – saindo vitoriosa, Rússia tenta criar a Grande Bulgária, sobre o qual Áustria-Hungria opõe-se. A Alemanha paira como mediador do conflito, inclinando-se (pela posição de Bismarck) mais favoravelmente ao Império Austro-Húngaro do que ao Russo: fim do sistema dos três imperadores.

1881: Bismarck consegue um acordo com o Império Russo, o qual prometia neutralidade diante de uma guerra franco-alemã.

  • Segundo Sistema Bismarckiano (1882): formação da Tríplice Aliança entre Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.

A Itália abdica do seu irrendetismo diante das promessas austro-alemãs de proteção frente a um possível ataque francês (e, também, porque já estava descontente com a colonização francesa na Tunísia).

Dúplice Aliança: tratado puramente defensivo e secreto com a Rússia, no qual Bismarck promete a neutralidade alemã no conflito entre Áustria e Rússia na Bulgária (Crise Búlgara de 1886).

  • Terceiro Sistema Bismarckiano (1887): consolidação do isolamento francês pelas alianças alemãs com outras potências vizinhas.

1887: renovação dos tratados da Tríplice Aliança através dos Acordos Mediterrâneos – manutenção do status quo na região.

2. EXPANSÃO COLONIAL DOS ANOS 1880

Ocorre uma aceleração pelo interesse ao colonialismo depois de 1870, por influência da geografia política e por necessidade de exploração e aumento de domínios.

A expansão das grandes potências para a África e a Ásia foi freada pelos movimentos das nacionalidades (nos Balcãs principalmente). Mesmo assim, o crescimento do movimento colonial deu-se como uma espécie de compensação pelas divisões políticas que deixavam insatisfeitos um ou outro estado na Europa. Significou, portanto, uma transposição para além-mar da diplomacia de equilíbrio europeu.

  • 1881: França conquista a Tunísia.
  • 1882: Inglaterra conquista o Egito.
  • 1884-85: Inglaterra se estende da Birmânia litorânea para o Norte.
  • 1885: França, em parceria com a Bélgica, penetra da África equatorial para o interior do continente.
  • 1884-85: Conferência Colonial de Berlim – acordos entre as potências para a colonização da África.
  • 1884: Alemanha conquista Togo, Camarões, sudoeste e oeste africanos e algumas ilhas do Pacífico.
  • 1889: Itália conquista a Somália e a Eritréia.

Passou-se a adotar 2 métodos que já se praticavam na Europa:

  1. o da divisão de territórios (por acordos bilaterais para estabelecer as fronteiras das colônias).
  2. o da criação de “Estados-Tampões” que evitassem choques entre as potências interessadas.

3. GRANDEZAS E FRAQUEZAS DA EUROPA BISMARCKIANA

  • Pontos Positivos

De um modo geral a Europa bismarckiana (após 1871) significou uma relativa paz no continente, pois as alianças e tensões entre as potências conseguiram ser equilibradas nas mãos do grande diplomata.

Em duas oportunidades Bismarck soube evitar a guerra:  em 1878, na crise entre Áustria-Hungria e Rússia após o Tratado de San Stefano e, em 1886, na crise Búlgara.

  • Pontos Negativos

A mudança de postura após a Unificação Alemã foi pouco compreendida pela população e até pelo rei Wilhelm I: antes, o engajamento em prol de um nacionalismo alemão (pangermanismo) com vias expansionistas e, agora, uma acomodação e uma preocupação mais interna com o país, sem o ideário de conquistar todos os territórios onde houvesse povos germânicos.

Bismarck foi incapaz de compreender a força dos nacionalismos na época, pois estava crente que na política do momento e, de uma certa forma, ignorou o patriotismo dos povos vizinhos, como os da Alsácia-Lorena, por exemplo, que se mostravam deveras insatisfeitos com a anexação alemã.

Outro ponto foi a expansão do exército alemão, fator este que motivou uma corrida armamentista generalizada no final do século XIX, pela Rússia (principalmente, pois temia o crescimento da Alemanha) e também por Grã-Bretanha e França.

Japão: da Era Tokugawa à Revolução Meiji

Ficha de estudos sobre texto do livro “Introducción a la Historia Contemporánea 1770-1918” de José Urbano Martínez Carreras – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Visentini

A civilização japonesa era uma das mais importantes culturas marítimas do Extremo Oriente, que se manteve totalmente isolada do exterior e cerrada por uma estrutura tradicional e feudal.

1. ERA TOKUGAWA (1601-1868)

  • influência do passado histórico japonês: posição insular, economia agrária intensiva, monarquia imperial centralizada e feudalismo descentralizado com elites guerreiras.
  • 1603: estabelecimento do Shogunato – caráter hereditário, um clã governando em nome do império.
  • produção agrária com base no arroz.
  • 1853-54: presença ocidental – pressão para a abertura do Japão ao mundo, até então isolado. Diante de forças armadas americanas, os japoneses cedem ao ocidente.
  • 1858: Tratado das Cinco Nações – EUA, Holanda, Rússia, Grã-Bretanha e França com relação ao colonialismo no Japão.
  • 1860-68: disputas internas entre forças não-ocidentalizantes e pró-ocidentes, que dão cabo ao Shogunato.

2. RESTAURAÇÃO MEIJI (1866-1912)

  • modernização e ocidentalização do Japão.
  • libertação do colonialismo ocidental.
  • 1868-81: consolidação da Revolução Meiji através da transformação da sociedade japonesa, porém se mantendo uma base tradicional.
  • 1881-1912: apogeu do Japão Meiji
  • Constituição de 1889 – autoritária
  • oligarquia no poder
  • crescimento econômico
  • guerra contra a Rússia (1905), da qual saem vitoriosos.
  • expansionismo e imperialismo próprios.

3. JAPÃO: POTÊNCIA MUNDIAL (1912-1937)

  • ERA TAISHO (1912-26): Japão na Primeira Guerra Mundial.
  • ERA SHOWA (1926 em diante)
  • sistema liberal com configuração de regime autoritário.

Os Impérios Absolutistas da Europa Central e Oriental

Texto do livro “Introducción a la Historia Contemporánea 1770-1918″ de José U. Martínez Carrera

Segunda metade do século XIX > Europa dividida

Europa Ocidental

  • Liberalismo
  • Grã-Bretanha, França, Espanha, Portugal + Novos Estados: Bélgica e Itália

Europa Central e Oriental

  • Monarquias Tradicionais
  • Áustria-Hungria, Rússia, Turquia

Década de 70: Alemanha Imperial >  Bismarck < influência dos dois modelos

1. O IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO

- grande potência européia que emergiu após o Congresso de Viena (1815)

- imensos territórios e povos com o coração em Áustria

- manteve-se praticamente intacto durante as Revoluções de 1830 e 48.

- Problemas Externos: hostilidades com a Rússia (Leste) e com o Império Turco (Bálcãs)

- Problemas Internos: heterogeneidade dos povos da Europa Central (nacionalidades) e rivalidade com a Prússia.

Apêndice 1 – Os Povos e as Nacionalidades
  • os vários povos do Imp. Austríaco formavam diversas nacionalidades dentro da estrutura imperial-estatal.
  • GERMANOS: predominantes (alemães e austríacos)
  • MAGIARES: mais unidos e diferenciados, queriam a formação de uma nação húngara independente.
  • ESLAVOS: fragmentados: Sul, tchecos da Boêmia, polacos da Galícia e eslovacos;  Norte, eslovenos, croatas, sérvios, dálmatas.
  • ROMANOS: região da Transilvânia.
  • ITALIANOS: latinos e católicos, ao sul do império na região de Trento e Triste.
  • aos poucos os povos foram adquirindo certa autonomia interna através das aspirações nacionalistas. Exemplo: 1867, a consolidação da monarquia dual, sendo a Hungria uma coroa com administração própria.

- crescimento econômico: Áustria torna-se uma potência econômico-industrial.

- desenvolvimento das ferrovias que ligavam a Europa Central e Ocidental à Europa Mediterrânea e Oriental.

- abolição da servidão > êxodo rural > para países industrializados  e América

- aumento populacional: devido à paz interna, melhoras no saneamento e alimentação.

- crescimento da burguesia e classes médias, trabalhadores individuais e urbanos.

- desenvolvimento industrial (1860-70)

*produção de ferro (Morávia-Silésia)
*metalurgia e siderurgia (Estíria)
*porcelana e vidro (Boêmia)
*indústria têxtil (Boêmia e Morávia)

- início do século XX: Áustria era a quarta potência econômica industrial da Europa.

- sistema conservador-autoritário de equilíbrio, baseado na afirmação de uma monarquia dual (para resolver a questão das nacionalidades) + tradição, exército e Igreja Católica.

- após 1867, Áustria-Hungria vive um período de paz interior, graças ao desenvolvimento econômico propiciado pelo progresso da burguesia no império e por discretas reformas políticas do tipo liberais, principalmente em Áustria.

- no campo das Relações Internacionais (de 1867 a 1914), amizade cada vez mais consolidada através de alianças e acordos com Alemanha e uma rivalidade acentuada com Rússia na questão dos Bálcãs.

“En el campo de las relaciones internacionales, el Imperio de Austria-Hungría estaba sujeto a una diplomacia limitada tanto en el aspecto financeiro como administrativo [...] tanto por cuestiones internas como por necesidades externas, se halló dominada por la iniciativa diplomática de Alemania.”(CARRERAS)

2. O IMPÉRIO RUSSO

- Segundo maior império europeu que emerge durante a segunda metade do século XIX através de uma política expansionista.

- império pluriterritorial e multinacional.

  • Países Russos Propriamente Ditos: Rússia, Ucrânia e Rússia Branca.
  • Territórios Incorporados na Europa Báltica e Central: Estônia, Letônia, Lituânia, Finlândia e Polônia.
  • Territórios Sulistas disputados com a Turquia: zona do Mar Negro, da “Besarabia” e Criméia ao Cáucaso.
  • Ásia Setentrional: Sibéria.

- Nacionalidades:

  • eslavos e ortodoxos (maioria)
  • russos, ucranianos e russos brancos (Rússia Ocidental e colonizadores da Sibéria)
  • povos não-eslavos nem ortodoxos (poloneses, por exemplo)
  • católicos (minoria)
  • finlandeses (protestantes)
  • turcos
  • muçulmanos
  • povos asiáticos (mongóis, iranianos, caucasianos, budistas)
  • judeus
  • germânicos

- Linhas geopolíticas de incorporação de territórios:

  • As Ventanas da Rússia: frente ocidental do Báltico ao Mar Negro (incorporação de Finlândia, Polônia e Países Bálticos), ocasionando rivalidades com Áustria e Turquia.
  • Territórios entre os mares Negro e Cáspio: incorporação de Cubão (?), Daguestão, Geórgia e norte da Armênia para construção de ferrovias transcaucasianas.
  • Ásia Central e Turquistão: Tachkent, Samarcanda e Merv, também para a construção de ferrovias.
  • Ásia Setentrional e Sibéria rumo ao Oriente Médio e Pacífico: construção da ambiciosa ferrovia transiberiana (1892-1904). Cessão do Alaska em 1867 para os Estados Unidos.

- Dificuldades do imenso império Russo:

  • insuficiente acumulação de capital diante de uma sociedade ainda arcaica (essencialmente agrária e quase feudal) e de um incipiente (e também insuficiente) mercado nacional.
  • atraso econômico pelo tardio desenvolvimento da infra-estrutura (ferrovias e demais investimentos em transportes) e da rede bancária.
  • sociedade muito polarizada entre uma oligarquia aristocrática (minoritária e dominante) e uma grande massa rural e ainda servil (miserável e analfabeta)
  • até a metade do século XIX, o setor metalúrgico (Ural e São Petersburgo) era ainda muito primitivo enquanto que o setor têxtil (Moscou e Volga) era um pouco mais emergente.
  • a partir da segunda metade do século XIX a economia russa começa a expandir-se, porém se verificam desajustes entre o ritmo de crescimento industrial e o agrícola.

- Principais modificações no cenário de expansão da economia russa depois de 1860 aproximadamente:

  • crescimento populacional (chegando a 100 milhões de habitantes)
  • avanço industrial
  • incremento das redes de transporte e comunicações
  • constituição de um mercado consumidor interno (com a abolição da servidão)
  • investimentos estrangeiros na economia.
  • formação de uma elite cultural – intelligentsia

- Política no Império Russo: caracterizada pelo domínio da Dinastia Romanov no século XIX.

  • Nicolau I (1825-1855): introdução do liberalismo e repressão das contestações oriundas da Primavera dos Povos.
  • Alexandre II (1855-1881): reformista, em primeiro momento; depois, centralizador.
  • Alexandre III (1881-1894): reforço da autoridade e centralização, ultraconservador.
  • Nicolau II (1894-1917): tentou manter a política conservadora do seu antecessor, porém diante das tensões oriundas da derroba russa nas guerras contra o Japão e das mudanças sociais da virada do século (surgimento de uma classe burguesa forte, fortalecimento da esquerda, descontentamento das classes inferiores, etc) foi incapaz de levar a dinastia adiante – Revolução Soviética.

3. O IMPÉRIO TURCO OTOMANO

- Império asiático-muçulmano influente sobre a região balcânica e de velhas estruturas absolutistas e despóticas como o Austro-Húngaro e o Russo.

- As bases geohistóricas do conflito euro-oriental estão situadas em três importantes pontos com imprescindível compreensão no século XIX até a Primeira Guerra Mundial:

  1. Situação Interna do Império Turco: imenso império situado em três continentes, tendo o Mediterrâneo Oriental como centro – Ásia Ocidental, África do Norte e Europa Oriental. Além da questão da extensão territorial, podemos apontar o atraso das instituições em relação às demais potências européias, disputas internas por questões religiosas, exército fraco e mal preparado além de má administração.
  2. Ação dos Povos e Nacionalidades Balcânicas: a grande diversidade cultural possibilitou a configuração de movimentos emancipacionistas visando à criação de novos Estados: gregos, croatas, sérvios, húngaros, romanos e búlgaros, por exemplo.
  3. Intervenção Exterior por Parte das Potências Européias: por ser uma zona estratégica, as nações européias preocupavam-se em influenciar os Estados que iam surgindo do gradativo desmembramento do Império Turco-Otomano.
  • Áustria: interessada na saída pelo Mar Adriático.
  • Rússia: procura anexar territórios do centro e oriente do Império a fim de influenciar as populações eslavas da região.
  • Inglaterra e França: procuram apoiar a Turquia para que o Império não se fragmente, temorosos do avanço russo e preocupados com o Mediterrâneo e Canal de Suez.

- A partir dessas bases se desencadeiam todos os problemas conhecidos como Questão do Oriente, que vão desafiar as relações internacionais durante todo século XIX (incluindo aí a Independência da Grécia e a Guerra da Criméia) culminando, mais tarde, nos conflitos causadores da Primeira Guerra Mundial.