Natureza Social da Produção de Mercadorias para Marx

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

Os produtos do trabalho humano só se convertiam em mercadorias quando o objetivo primeiro era trocá-lo por dinheiro no mercado, ou seja, a produção de mercadorias era baseada na busca pelo valor de troca.

Marx elencou três pré-requisitos para que uma sociedade fosse totalmente movida pelo valor de troca (sociedade produtora de mercadorias):

  1. Alto grau de especialização;
  2. Total separação do valor de uso do valor de troca (exigência da especialização);
  3. Mercado amplo e bem desenvolvido com o uso da moeda como equivalente de valor universal (para mediar as trocas).

Havia uma relação social definida e indispensável entre os produtores, mas cada um produzia suas mercadorias individualmente e as vendia no mercado. A partir da renda obtida com esta venda, ele comprava os produtos de que necessitava. Assim, as relações sociais entre produtores pareciam, para cada produtor, relações entre ele e o mercado.

O valor de uso produzido pelo trabalho útil não poderia ser consumido e usado sem o funcionamento das trocas no mercado, em uma sociedade produtora de mercadorias, mas somente o trabalho útil produzia valor de uso. Os economistas burgueses, pelo contrário, achavam que a utilidade (valor de uso) era gerada exclusivamente das trocas. Para Marx, portanto, o trabalho útil é que gerava utilidade e a troca era apenas um pré-requisito necessário para o funcionamento de uma sociedade que produzia mercadorias.

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Trabalho Útil e Trabalho Abstrato na Teoria Marxista

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

Marx afirmou que o trabalho define os valores de troca, da mesma forma que o tempo de trabalho, para ele, era trabalho simples e homogêneo, ou seja, subtraindo-se as diferenças entre os tipos de processos de trabalho. Isso gerou dois conceitos distintos: trabalho útil e trabalho abstrato.

O trabalho útil analisava características específicas de processos específicos de trabalho, onde essas qualidades particulares eram necessárias para produzir valores de uso também singulares (de cada mercadoria).

O trabalho abstrato desconsidera essas particularidades e cria valor de troca. Assim, o valor de uma mercadoria significa trabalho humano no sentido abstrato, além de gasto de trabalho humano em geral.

Não era apenas o tempo socialmente necessário de trabalho para a produção de uma mercadoria que contava, segundo Marx; mas, também, deveria se considerar as diferenças entre trabalho qualificado (que exigia tempo para adquirir certas habilidades) e trabalho não-qualificado (para tarefas mais simples). O cálculo dos valores exigiria que o trabalho qualificado fosse reduzido a um simples múltiplo do trabalho sem qualificação.

“O trabalho qualificado só conta como trabalho simples intensificado ou como trabalho simples multiplicado quando se considera uma quantidade de qualificado igual a uma quantidade maior de trabalho simples. […] As diferentes proporções (…) são estabelecidas por um processo social despercebido pelos produtores[…]” (MARX)

Partindo da ligação entre o valor de troca e a quantidade de trabalho socialmente necessário para sua produção, Marx mostrou, ao longo de sua teoria, as condições sócio-históricas necessárias para que os produtos do trabalho humano se transformassem em mercadorias.

Mercadorias, Valor, Valor de Uso e Valor de Troca para Marx

HUNT, E. K. História do Pensamento Econômico. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

A preocupação de Karl Marx era explicar as relações sociais e a natureza destas entre capitalistas e trabalhadores, o que equivale analisar em teoria econômica, a relação entre salários e juros. Isso foi analisado no volume I de O Capital.

O capitalismo, segundo Marx é um sistema em que a riqueza constitui uma “imensa acumulação de mercadorias, com uma única mercadoria como unidade”. Assim, ele define mercadoria como:

  1. Algo que, por suas propriedades características, satisfaz às necessidades humanas;
  2. Depositário material do valor de troca.

As qualidades físicas particulares de uma mercadoria definem seu valor de uso, no entanto não há relação, para Marx, com a quantidade de trabalho necessário para a apropriação das qualidades úteis de uma mercadoria.

O valor de troca, por sua vez, era expresso em termos monetários, ou seja, quantidade de mercadoria-dinheiro necessária para se obter a mercadoria desejada. O dinheiro, nesse ínterim, era considerado uma mercadoria especial (expresso em numerários) e funcionava como equivalente universal de troca. Logo, o uso do dinheiro como instrumento de troca diferenciava as relações de troca monetárias das de troca por escambo, por exemplo. Quando se desejava ter muita riqueza em termos de valor de troca, acumulava-se moeda; por outro lado, quando se desejava acumular riqueza em termos de valor de uso, acumulavam-se mercadorias. Considerava-se, ainda, valor de troca um meio pelo qual as mercadorias podiam ser direta e quantitativamente comparadas. O valor de troca, por fim, exigia um elemento comum a todas as mercadorias, através do qual as comparações pudessem ser feitas.

Marx, entretanto, não considerava o valor de uso determinante para os preços, pois as qualidades físicas que davam valor de uso às mercadorias não eram diretamente comparáveis, quantitativamente, ao contrário do trabalho empregado na produção destas, que, sim, era comum a todas as mercadorias. As mercadorias seriam, assim, incorporações do trabalho empregado em sua produção, o que ele definiu como valor. Logo, mercadorias eram valores, onde o trabalho humano está contido, embora o sentido de valor não era o mesmo usado por outros economistas (valor de troca ou preço). Aqui se percebe a maior confusão teórica ao se estudar os volumes I e II de O Capital, em virtude da não-distinção, por Marx, dos termos valor e valor de troca, os quais, para ele estavam claramente diferenciados.  A consideração de preços reais, por exemplo, só vai ser dar no volume III de O Capital, porém o livro não foi concluído. Por fim, Marx afirmava que os valores (ou seja, trabalho incorporado) eram os únicos determinantes do valor de troca, inspirado na teoria ricardiana.

Dez Anos Que Abalaram o Século XX

Fichamento do livro Dez Anos que Abalaram o Século XX: da Crise do Socialismo à Guerra ao Terrorismo, de Paulo Fagundes Vizentini – História Contemporânea III – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro

Legendas utilizadas:

↓ = declínio, diminuição

↑ = aumento, ascensão

→ = implica que; tal que; traz como consequência

X = versus, rivalidade, oposição

O SISTEMA INTERNACIONAL EM TRANSIÇÃO

  • A proposta de análise histórica do livro se situa da década de 70 dos anos 90 até 2001.
  • Linha cronológica: do choque econômico dos anos 70 (marco inicial) aos atentados terroristas à Nova Iorque e Washington em 2001 (marco final).
  • A construção de sistemas internacionais remonta ao século XV a partir da expansão comercial liderada pelos europeus → origens da “globalização”.
  • Século XVIII: advento do sistema capitalista graças à Revolução Industrial inglesa.
  • Século XIX: nas últimas décadas eclode a II Revolução Industrial (anos 1870), a hegemonia inglesa desfacela, a diplomacia bismarkiana na Alemanha acirra o imperialismo entre as grandes potências (anos 1890).
  • Século XX: Primeira Guerra Mundial, Revolução Soviética (1917), ascensão do fascismo, Segunda Guerra Mundial.
  • Pós-II Guerra Mundial: keynesianismo, hegemonia norte-americana, Guerra Fria, III Revolução Industrial (anos 1970), desgaste da liderança dos EUA, fim dos regimes socialistas do leste europeu (1989), queda da URSS e desaparecimento de seu regime (1991), fim da Guerra Fria, término da bipolaridade do sistema internacional.
  • Pós-Guerra Fria: globalização, Revolução Científico-Tecnológica, ascensão da China, formação de blocos regionais.
  • Século XXI: crise, terrorismo, transição.

PARTE I

CRISE, REAÇÕES E O FIM DA GUERRA FRIA

DO MUNDO MODERNO AO PÓS-MODERNO

  • Década de 70 do século XX: origens da crise do sistema internacional estruturado após a II Guerra.
  • reestruturação da economia e política internacional por parte dos EUA gerando uma nova ordem mundial.

Anos 70: Crise, Multipolaridade e Revoluções

  • desgaste da hegemonia norte-americana → Rev. Cubana, Guerra do Vietnã, déficit na economia dos EUA, crise do modelo fordista-keynesiano, queda nas taxas de crescimento e de lucros, limitações do American Way of Life → crise sistêmica enfrentada pelos Estados Unidos
  • soluções (ou tentativas de solução) por parte dos EUA:
  1. ideológicas: Clube de Roma → redução do crescimento + preocupação ambiental
  2. diplomáticas/militares: aproximação com a China + transfere em parte a ação direta em questões locais de segurança aos aliados regionais
  3. econômicas: aumento do preço do petróleo junto à OPEP →  ↑EUA  ↑3º Mundo  ↓Europa Ocidental  ↓Japão
  • retomada da détente → URSS + Leste Europeu são incorporados a uma estratégia de rearticulação de forças
  • participação do 3º Mundo como basilar exploratório dos EUA → ditaduras militares na América Latina
  • Doutrina Nixon + Diplomacia Ping-Pong → traz a China ao jogo político e econômico internacional
  • início da multipolaridade: EUA, URSS e CHINA.
  • ondas revolucionárias + estratégias e novas alianças para contê-las
  • aliança Cuba-URSS para compensar a aliança China-EUA.
  • preocupação americana: a) o efeito dominó que as revoluções socialistas nos países periféricos poderiam causar; b) a solidez da URSS.

A Reestruturação Econômica e a Revolução Científico-Tecnológica

  • tentativa de superar o impacto da alta dos preços, dinamizar a economia e retomar os lucros e a mais-valia.
  • soluções:
  1. políticas migratórias: trabalhadores do 3º Mundo → países capitalistas avançados = obtenção de mão-de-obra barata
  2. nova divisão internacional do trabalho (nova DIT) → obtenção de matéria-prima barata
  3. revolução científico-tecnológica (RCT) → para aumentar a produtividade, logo, a competitividade
  • nova DIT + RCT = III Revolução Industrial
  • Revolução Científico-Tecnológica → alterações estruturais na produção/gestão/administração: fábricas flexíveis sem estoque
  • países vão tentar buscar ou desenvolver tecnologias.

A “Globalização” e o Neoliberalismo

  • a globalização foi impulsionada pela Revolução Científico-Tecnológica; abriu as economias nacionais; gerou inclusão de alguns países e exclusão de outros → aumento das desigualdades regionais; diversificou o espaço mundial.
  • a nova DIT contribui para a globalização financeira e produtiva → geopolítica financeira.
  1. PERIFERIA: 1.1) plataformas de exportação; 1.2) NIP’s (Novos Países Industrializados) → dentre eles, os tigres asiáticos.
  2. CENTRO: pós-industriais → EUA, Europa Ocidental e Japão → desemprego + crescimento a taxas decrescentes.
  • os países da periferia atraíram as multinacionais pelos seguintes fatores:
  1. mão-de-obra barata
  2. ausência de legislação social
  3. facilidades fiscais.
  • período de nascimento da preocupação ambiental.
  • desenvolvimento dos transportes e comunicações → encurtamento das distâncias.
  • desmoralização da social-democracia e ascensão dos neoliberais → Thatcher (Inglaterra).
  • neoliberalismo: pregava a redução da participação do Estado na economia.
  1. Objetivos-meio → alguns foram alcançados:  ↓impostos  ↓inflação  ↓sindicalismo  ↑privatizações
  2. Objetivos-fim → desastre: ↓crescimento  ↑déficits  ↓arrecadação

Anos 80: Nova Guerra Fria e Reação Neoconservadora

  • tensões sociais resultantes da crise econômica + derrota dos interesses ocidentais no 3º Mundo → contra-ofensiva da Nova Direita
  • reação conservadora → governo Carter, democrata mas com conservadores no Congresso americano.
  • ascensão de Reagan nos EUA e Thatcher na Inglaterra → conservadores → fim da détente → Nova Guerra Fria
  1. corrida armamentista;
  2. reforço de alianças: EUA + África do Sul, Israel, Japão, Europa Ocidental x URSS + nações revolucionárias do 3º Mundo;
  3. paralisação no mundo socialista.
  • URSS adota a Perestroika → adaptação
  • países pós-industriais
  1. neoliberalismo + expansão para a periferia de seu modelo → através do FMI e Banco Mundial;
  2. ↑direita  ↑racismo  ↑xenofobia
  3. ↑misticismo
  4. ↑fundamentalismos
  5. ↑cinema-catástrofe: Armageddon, Terremoto, Independence Day, Titanic
  6. ↑doenças: AIDS
  7. ↑criminalidade → massas excluídas pelo Estado neoliberal
  • nova direita → ♦ combate: narcotráfico, terrorismo;  ♦ defende: democracia
  • Era Reagan estimula a abertura dos regimes ditatoriais → Cone Sul, Coréia do Sul, Haiti, Filipinas
  • democracia → propaganda universal X  socialismo do Terceiro Mundo
  • Terceiro Mundo é deixado de lado nas relações internacionais
  • Guerra nas Estrelas → resultado das estratégias conservadoras

A Crise do Socialismo e o Colapso do Campo Soviético (1989-1991)

  • queda da URSS + colapso do socialismo
  1. problemas estruturais/conjunturais internos
  2. pressão externa ocidental
  3. neocapitalismo
  • Era Brejnev →  corrida armamentista + sofre embargos comerciais e tecnológicos → enfraquecimento do governo
  • crise polonesa
  • Era Gorbatchov (1985) → Glasnost + Perestroika → ofensiva diplomática ↔ paz + desarmamento
  • Glasnost: abertura econômica → obter tecnologia e capitais
  • A URSS, por seu tamanho (território e população) e recursos naturais, poderia obter posição de barganha.
  • Perestroika: risco de desestabilização interna → depende da luta política interna + influência da política externa
  • Gorbatchov prioriza as reformas políticas
  • A partir de 1986 → Nova Détente
  1. desarmamento
  2. cooperação comercial
  3. recuo soviético (e de seus aliados) de conflitos regionais.
  • final dos anos 80: URSS → problemas internos: crise econômica; desigualdades sociais; descontentamentos; reformas políticas e descentralização.
  • ↓ ação estatal → greves, criminalidade, apropriação de empresas públicas → separatismos
  • China: reformas internas + abertura somente no plano econômico
  • Iugoslávia: tensões étnicas + abertura econômica ao mercado mundial
  • as reformas da URSS não foram tão bem sucedidas com as da China, porque a abertura soviética foi muito acelerada → “forçada”
  • movimento estudantil na China → estudantes queriam democracia liberal X neoautoritários + velhos dirigentes → violenta repressão → mantém o regime
  • repercussões da Perestroika no Leste europeu
  • Polônia: crise econômica + má administração + enorme influência da Igreja Católica → governo é entregue ao Solidariedade (sindicato).
  • Hungria: comunistas reformadores + multipartidarismo → ascensão de um governo de centro-direita → mais tarde, governos anticomunistas.
  • Hungria e Polônia eram socialistas quase artificiais → fraca legitimidade
  • República Democrática Alemã (RDA): população migrou em 1989 para Hungria e Rep. Federal Alemã (RFA) → regime se desintegra → a população queria a unificação.
  • Tchecoslováquia: mobilização popular de “gente bem vestida” → formação de um governo de centro-direita
  • Bulgária: ausência de mobilização popular comunistas reformistas tomam o poder adaptação à Perestroika
  • Romênia: aceitou empréstimos do FMI → descontentamento da população → golpe da Frente de SalvaçãoNacional em 1989

O Colapso do Regime e do Estado Soviéticos

  • após a abertura econômica e diplomática, a URSS entra em uma crise terminal  → caos socio-econômico + conflitos étnicos e políticos
  • 1991: Gorbatchov cria uma federação renovada → União de Estados Soberanos; Yeltsin é eleito presidente da Rússia; golpe mal sucedido por opositores à desintegração da URSS.
  • Yeltsin desencadeia uma “caça às bruxas”.
  • As repúblicas federadas proclamam suas independências  → dissolução do bloco soviético
  • Formação da Comunidade de Estados Independentes (CEI)
  • Restaram como países socialistas: Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e China.
  • O modelo soviético não pode ser considerado um fracasso total, pois se assim o fosse não teria perdurado tanto.
  • O bloco socialista representou um processo de desenvolvimento autônomo, que foi capaz de obter paridade com relação ao Ocidental, queimando etapas no processo de evolução capitalista a fim de consolidar o comunismo como etapa ulterior.
  • Fatores que colaboraram para o fracasso do modelo soviético:  a) atraso das sociedades envolvidas; b) autoritarismo; c) tensão externa constante.

PARTE II

OS PERDEDORES: A GLOBALIZAÇÃO COMO DESORDEM

A FRAGMENTAÇÃO DO LESTE: OS ESTADOS PÓS-COMUNISTAS

  • queda do muro de Berlim em 1989 + queda da URSS em 1991 → desintegração do regime socialista
  • problemas na evolução interna dos antigos países do campo soviético

Ex-URSS: a Rússia e a Comunidade de Estados Independentes

  • Golpe de agosto de 1991: ainda por Gorbatchov, que tentou formar a União de Estados Soberanos.
  • Golpe de Ieltsin (1991): formou a CEI (Rússia-Ucrânia-Bielorrússia).
  • o PCUS (Partido Comunista da União Soviética) foi interditado por Ieltsin → vácuo político → ascensão das máfias
  • a passagem:  URSS → Rússia foi marcada por um debilitamento estratégico Continuar lendo

A Tecnodemocracia

Ficha de resumo sobre a II Parte do livro As Modernas Tecnodemocracias – Poder Econômico e Poder Político, de Maurice Duverger – História Contemporânea III-A – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro

  • A Europa sente necessidade de regimes democráticos após 5 anos de totalitarismo.
  • As nações do Ocidente se aproximam da “sociedade de consumo”, onde pela primeira vez todas as necessidades (primárias e secundárias) podem ser atendidas.
  • Os países socialistas não conseguem acompanhar no mesmo ritmo, pois para desenvolverem um modelo consumista teriam de passar por mudanças estruturais em seu sistema.
  • O processo de desestalinização do mundo socialista apresentava-se dificultoso.
  • O sistema ocidental não encontrava concorrentes nas sociedades industrializadas e só ele conciliava eficiência econômica com relativa liberdade política.
  • A estabilidade pós-1945 é verificada pela transição da democracia liberal para a tecnodemocracia.
  1. Democracia Liberal: baseada na concorrência econômica, livre mercado, Estado mínimo (liberalismo clássico) com partidos pouco estruturados que causavam acirramento político.
  2. Tecnodemocracia: baseada nas grandes empresas, que planificam suas atividades e impõem produtos pela publicidade, Estado do Bem Estar (keynesianismo) com partidos de massas que disciplinavam seus adeptos e líderes, integrados numa ação coletiva. Também as administrações tanto públicas como privadas tornaram-se mais complexas, hierarquizadas e racionalizadas.
  • Há um mesmo grau de interação entre o econômico e o político nas democracias liberais e nas tecnodemocracias: predomínio de grandes entidades organizadas com tomadas de decisões pelos grandes grupos conjugados com outros.
  • No entanto o sistema foi contestado por estudantes e intelectuais na segunda metade dos anos 60: revoltas nos EUA, Alemanha e França.

A NOVA OLIGARQUIA

  • A nova oligarquia é intimamente ligada à administração e ao Estado: tem mais necessidade deles e os domina melhor, o que deixa muitas vezes os capitalistas em segundo plano.
1. ESTRUTURA DA NOVA OLIGARQUIA
  • Oligarquia que dirigia a democracia liberal: formada por capitalistas proprietários de meios de produção. Só faziam parte os homens de negócios mais importantes, excluindo, por exemplo, pequenos empresários individuais (agricultores, artesãos, comerciantes), embora se esforçasse em desenvolver uma pseudossolidariedade.
  • Oligarquia que dirige a tecnodemocracia: além dos capitalistas, técnicos, administradores e cientistas ocupam lugar de destaque. Há um estreitamento dos laços com o Estado e seus meios de dominação sobre as massa, que é favorecida pela publicidade e propaganda.

A Tecnoestrutura

  • A tecnoestrutura seria a direção coletiva das grandes indústrias, que congrega todos aqueles que possuem as informações necessárias ao andamento da firma, segundo Galbraith. O empresário capitalista (individual) seria substituído pelo empresário tecnocrata, pois as grandes empresas só podem ser dirigidas coletivamente, dado que essa administração exige informações complexas (técnicas de produção, previsão, planificação, organização social, financiamento, marketing etc). Os acionistas dependem dos relatórios preparados pela tecnoestrutura, ou seja, o lucro não é mais o que move o funcionamento da empresa (é apenas uma condição essencial). O que importa agora é o crescimento da firma – impulso econômico fundamental. O aumento das vantagens materiais dos membros da tecnocracia e a extensão do poder deles é a principal motivação. Ainda, para Galbraith os capitalistas não fazem parte da tecnoestrutura.
  • Galbraith distingue dois subsistemas aos quais se aplica a tecnoestrutura: 1) das maiores empresas (não há tamanho máximo) e 2) das pequenas e médias empresas. Os dois praticamente se equivalem em importância.
  • A nova oligarquia não é baseada em hereditariedade (conforme Galbraith e o autor), mas sim na cooptação pelos membros da tecnoestrutura de homens com conhecimento e atitude necessários às empresas – importância da meritocracia.
  • Críticas do autor à análise de Galbraith:
  1. subestima o papel dos capitalistas: os capitalistas, segundo Duverger, podem livremente excluir os membros da tecnoestrutura e substituí-los por outros quandos os lucros estão abaixo do mínimo. Portanto, os capitalistas tem poder de fato na tecnoestrutura, mas nem todos.
  2. não faz distinção sobre os acionistas: os grandes acionistas (que cada vez mais agem coletivamente) possuem a última palavra na tecnoestrutura enquanto que a massa de pequenos acionistas é impotente.
  • Níveis dentro da tecnoestrutura:

1º Nível) Dentro das empresas – os empresários passam a direção ao grupo de especialistas da tecnoestrutura enquanto os negócios vão bem. Quando vão mal, retomam o controle.

2º Nível) Grupos dirigentes das firmas gigantes, dos holdings, das sociedades financeiras, dos bancos comerciais, detentores da maioria das empresas importantes – tecnoestrutura superior. Esses grupos participam mais de perto da direção coletiva, deixando aos experts o papel de conselheiros.

3º Nível) Principais acionistas de conglomerados, de holdings, de sociedades financeiras, de bancos comerciais associados a seus experts, conselheiros e administradores. Os grandes acionistas participam de muitos níveis e empresas e os experts pertencem apenas a uma única tecnoestrutura.

  • Dimensões da nova oligarquia: multinacional.

A Nova Oligarquia e o Estado

  • maior dependência do Estado
  • o neocapitalismo exige um Estado forte e ativo, que regule a economia e proporcione condições para o crescimento econômico.
  • papel do Estado:
  1. manter ou aumentar o poder aquisitivo dos consumidores.
  2. colaborar com o progresso técnico através de investimentos em ciência, educação e tecnologia.
  3. contribuir com a ação industrial, no sentido de realizar os primeiros investimentos para tal empresa.
  4. desenvolver infraestrutura e serviços públicos não-rentáveis.
  5. permitir a expansão das empresas no plano internacional e ajuda-las a conquistar mercados e obter matérias-primas.
  6. sob o neocolonialismo econômico, podem ajudar seus industriais a se implantarem em determinados países (geralmente de 3º mundo) ou protege-los contra as nacionalizações, através da força militar, negociações comerciais ou créditos públicos.
  • A oligarquia econômica, quando precisa do Estado para atingir seus fins, controla-o estreitamente, pois ela depende amplamente das decisões que ele toma.
  • O controle sobre o Estado pela tecnocracia se dá, muitas vezes, através da corrupção de homens de confiança em pontos estratégicos e pelo financiamento de campanhas eleitorais.
  • O controle dos meios de comunicação também se dá pela nova oligarquia econômica.
  • A oligarquia mantém o controle do conjunto de grupos de pressão capitalistas (da indústria, do comércio e da agricultura), que a ajudam a dominar o Estado.
  • Ocorre uma simbiose entre firmas (setor privado)  e administrações (setor público), que constituem os novos grupos de pressão com poder considerável, pois ambos tem os mesmos interesses (particulares).
  • Outro objetivo comum da oligarquia e do Estado é a expansão econômica, que só se dá através do crescimento do país. Isso ratifica a relação de dependência entre ambos.
  • O poder da oligarquia econômica é reforçado pela sua concentração. Isso significa que a concentração econômica é mais forte, mais rápida e mais estável que a concentração política.
  • Diante do avanço das multinacionais (especialmente dos EUA), ocorre um fenômeno de enfraquecimento do Estado-Nação, o qual perde poder político para uma oligarquia estrangeira.
  • A tecnodemocracia acaba se tornando um semi-colonialismo do Ocidente pelos Estados Unidos, por vias econômicas que perpassam o poder político.
2. CONTROLE SOBRE O POVO
  • A oligarquia econômica, para dominar o Estado (através da dominação de políticos e administradores dele), precisa controlar as massas, que elegem tais representantes.

O Desenvolvimento do Consenso

  • Fatores que dificultam o controle das massas na tecnodemocracia:
  1. o voto – sufrágio universal;
  2. o fortalecimento do poder autônomo de partidos e sindicatos;
  3. a perda de importância da religião e a desvinculação das igrejas com o sistema.
  • Fatores que facilitam o controle das massas na tecnodemocracia:
  1. o consenso social (não há mais rivalidades entre burguesia e aristocracia);
  2. a aquiescência dos partidos comunistas ou socialistas para desfrutar de liberdade política e tentar chegar ao poder por vias democráticas para, só então, fazer a revolução;
  3. os socialistas passam a aceitar esse regime misto (típico do neocapitalismo) pois é preferível a social-democracia ao regime puramente liberal.
  4. a melhora da situação da massa popular, através do gradativo crescimento do seu poder aquisitivo.
  5. por mais que seja um aumento ilusório da renda, as massas têm consciência de que isso só é possível dentro do capitalismo.
  6. o semi-fracasso da URSS e das democracias populares colabora para uma adesão das massas (e seu consequente assentimento) ao neocapitalismo.
  7. a homogeneidade dos tipos de vida, que dá a ilusão de uma melhora nas condições da população.
  8. a maior integração das massas populares na comunidade.

Os Novos Meios de Controle

  • O desenvolvimento das técnicas de informação (a mídia) exerce um papel importante nas sociedades industriais no sentido de manipular as massas.
  • Esse controle das “mass media” foi feita pela oligarquia econômica, diretamente ou através do Estado que ela domina.
  • “mass media”: produção, difusão e recebimento de informação (jornais, revistas, TV, rádio, outdoors, posters, flyers, rótulos, etc)
  • a importância da publicidade e do marketing a fim de persuadir os consumidores a comprar, o que demanda produção em larga escala.
  • a moda passa a ser um dos motores do neocapitalismo, sendo veiculada através dos mass media.

“A oligarquia econômica conseguiu pela publicidade aquilo que os ditadores tentaram pela propaganda: obrigar o público a comprar os produtos (…) esta produção corresponde a necessidades que são mais impostas aos consumidores do que por eles propriamente sentidas.” (DUVERGER, pag.161-162)

  • Graças ao uso dos meios de informação em larga escala, a oligarquia econômica conseguiu prolongar por um consenso artificial o consenso natural inicialmente estabelecido na tecnodemocracia.
  • Esse bombardeamento de informações sobre a população ocidental tende a provocar desculturação na sociedade.

Um Crescimento Econômico sem Precedentes: as Bases do Modelo (1945-1973)

Ficha de estudos sobre texto do livro El Crecimiento Económico en el Mundo Desarollado, de Martínez Martín, MADRID: Akal, 1992. História Contemporânea III – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro.

Os EUA lideraram a reconstrução europeia através de profundas mudanças na produção, comércio e consumo oriundos de uma prolongação do esforço bélico para a vida civil, criando uma nova era de expansão do capitalismo nas relações internacionais.

UM CRESCIMENTO ECONÔMICO ESPETACULAR (1945-1973)

  • A II Guerra Mundial resolveu muitos problemas conhecidos anteriormente (Crise de 29, desordem no sistema monetário internacional, tensões sociais, protecionismos, rivalidade pela hegemonia EUA x GB, etc) e estabeleceu as bases para uma economia desconhecida até então.
  • Crescimento econômico espetacular (1950-51 até 1973): associado ao início da Guerra da Coreia, representou uma fase de prosperidade econômica para os países desenvolvidos, sob financiamento americano. Época de maior crescimento do PIB já visto: média global de 4,9% anual e de crescimento da produtividade, média de 4,5% aa.

A REVOLUÇÃO KEYNESIANA

  • Era Keynesiana (1951-1973): marcada por maior intervenção e ampliação das funções do Estado na economia (legislações, comércio e políticas econômicas). Isso foi crucial para o funcionamento econômico do sistema capitalista.
  • John Maynard Keynes propunha uma ação estatal para estimular a demanda e multiplicar a produção, a renda e o emprego. As intervenções públicas corrigiam os defeitos do mercado, evitando as crises e criando o chamado capitalismo misto, mais eficiente. Propunha a criação de um Estado do Bem Estar Social, encarregado de:
  1. criar infraestrutura;
  2. nacionalizar empresas não rentáveis que administravam bens necessários (água, energia, etc);
  3. financiamento da pesquisa científica e tecnológica;
  4. assegurar a produção de serviços de utilidade geral onde há divergência entre o privado e o desejado socialmente: educação, por exemplo;
  5. proporcionar serviços e verbas sociais;
  6. políticas laboriais e salariais, intervindo nos mecanismos do mercado de trabalho;
  7. ordenamento jurídico sobre proteção da propriedade privada e a economia de mercado;
  8. o Estado como consumidor, através da demanda pública de bens e serviços (infraestrutura, gastos militares, equipamentos coletivos e serviços sociais, etc);
  9. política exterior ligada à expansão e proteção das empresas nacionais.
  • após a Crise da Década de 70, causada principalmente pelo excessivo endividamento de alguns países (gastos públicos de até 40% do PIB), muitos passaram a adotar medidas neoliberais ou monetárias, como as da Escola de Chicago, representada por Friedman ou as da Escola da Califórnia, por Shaffer, marcadas pela reprivatização da economia e o Estado mínimo.

O NOVO APARATO PRODUTIVO: A PRODUÇÃO EM MASSA

A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: A ERA DO ÁTOMO

  • A revolução tecnológica oriunda do desenvolvimento científico ocorreu entre os anos 30 e 60 e contou com significativa contribuição das tecnologias da guerra, como por exemplo a aplicação da energia atômica, o avanço da petroquímica e da eletrônica e a corrida armamentista e espacial.
  • Houve uma perfeita sincronia, que jamais será dissolvida a partir de então, entre ciência e produção, de maneira que aquela vai ganhar status de mercadoria e definir a competitividade de um país ou empresa.
  • Ocorre que a partir dessa revolução tecnológica, origina-se a produção de massa, com processos de produção sucessivos e rápidos, com controle automático do fluxo e da qualidade através de computadores, tudo isso aliado a uma divisão internacional do trabalho.
  • O progresso técnico também penetra no setor terciário contribuindo para o processo de terceirização das economias desenvolvidas. Transportes, comunicações e a agricultura modernizam-se em grande escala.
  • A revolução tecnológica vai contribuir para que muitos países saiam da crise dos anos 70, através de um estreitamento entre a cibernética e informático e os setores de produção e distribuição.

A ENERGIA – O PETRÓLEO

  • A partir dos anos 50 a demanda de energia (petróleo, carvão, gás natural, energia elétrica, etc) aumentou vertiginosamente, graças à revolução tecnológica e anteriormente já impulsionada pelo conflito bélico, que proporcionou energia a baixo custo aos países.
  • O petróleo seria a energia mais utilizada, devido a sua abundância, por ser barato (custos de extração e transporte menores que os do carvão), alto rendimento calorífico e por ser importante matéria prima da indústria petroquímica.
  • Até os anos 60, o petróleo era monopólio de algumas empresas, conhecidas como As Sete Irmãs: Exxon, Mobil, Texaco, Gulf, Standard, British Petroleum e Shell.
  • 1960: criação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
  • 1973: crise do petróleo – afetou principalmente os países industrializados, que haviam convertido grande parte de sua matriz energética para a petrolífera (Brasil, Chile, Argentina, por exemplo).

RENOVAÇÃO DOS MEIOS DE PRODUÇÃO E NOVOS SETORES PRODUTIVOS

  • A revolução tecnológica, a nova base energética e a consequente produção em massa modificaram a estrutura do modo de produção capitalista: não mais o empresário individual do século XIX, mas sim os conglomerados econômicos, as empresas transnacionais, a concentração empresarial.
  • A indústria passou por diversificação setorial e por maior especialização, enquadrada na nova DIT: petroquímica, automóveis, transportes, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, aeronáutica, construção, armamentos, todos em larga escala.

A MÃO DE OBRA E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

  • Após a II Guerra, a população mundial aumentou, muito mais nos países subdesenvolvidos do que nos desenvolvidos. Em países como EUA e Japão, foi importante para as economias industriais, enquanto que em países ainda não industrializados tornou-se um sério problema.
  • Os sistemas de produção em massa e a introdução generalizada do princípio automático alteraram a organização do processo de trabalho através de novas aplicações da linha de montagem, facilidade de escoar mais rapidamente os produtos e também substituir a atividade humana em certas tarefas em detrimento do controle e gestão de outras.
  • Mudanças na distribuição setorial do emprego: aumento da participação na indústria e serviços e diminuição na agricultura.

MERCADO MUNDIAL: COMERCIALIZAÇÃO E CONSUMO

O INTERCÂMBIO E A DISTRIBUIÇÃO: A REVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

  • Organizou-se, a partir dos anos 50, um mercado internacional hierarquizado por uma completa trama competitiva entre as empresas transnacionais, que abastecem e estimulam a demanda nos países desenvolvidos e controlam os mercados dos subdesenvolvidos.
  • As grandes redes comerciais a nível mundial, com um modelo consumista imposto pelos países desenvolvidos (principalmente EUA) compunham o que alguns autores chamam de “cultura da marca” – importância do marketing e da propaganda, que emergem neste período.
  • Os transportes e as comunicações assumem papel imprescindível nesta transnacionalização, pois foi através dos avanços tecnológicos que mercadorias e informações puderam circular por todo o globo cada vez mais rápido e a menores custos.

A SOCIEDADE DE CONSUMO

  • A produção de massa teve como consequência o consumo de massa.
  • O crescimento da demanda a nível internacional, com aquisição massiva e diversificada da produção, deu-se graças a alguns fatores:
  1. oferta ampla e diversificada (muitos produtos, muitas marcas, muitas empresas de muitos países – desenvolvidos).
  2. estímulo da demanda (através da publicidade).
  3. nova distribuição espacial das condições de vida (aumento do urbanismo, da malha rodoviária ou ferroviária, enfim, reordenação do espaço territorial).
  4. financiamento do consumo (poder de compra, ganância empresarial).
  5. o apoio estatal programado através de políticas keynesianas (criou condições para o aumento da capacidade de consumo da população).
  6. o papel do setor financeiro (crédito para o consumo privado).

CONCENTRAÇÃO EMPRESARIAL, INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL E DA PRODUÇÃO: AS MULTINACIONAIS E GRANDES CORPORAÇÕES TRANSNACIONAIS

  • A partir da metade do século XX, as empresas protagonizam processos de fusão e absorção de outras, adquirindo caráter multinacional. Isso se caracteriza pela concentração de capital e pela dispersão da produção a nível mundial.
  • Soma-se a isso a contribuição do capital financeiro, através dos grandes bancos, que permitiu a fusão do capital industrial com o bancário. Exemplo: grupo Rockefeller – constituído por bancos e indústrias de diversos ramos (química, eletrônica, alimentação, têxtil, petróleo, etc).
  • A atividade creditícia também foi voltada para os Estados, no sentido de cobrir déficits públicos através de empréstimos. Logo, os bancos passaram a controlar as disponibilidades monetárias de empresas, famílias e também a ser credores do Estado.
  • Economia mundo:  1ª fase) internacionalização das mercadorias no comércio em escala mundial, apoiado em vantagens comparativas e livre comércio; 2ª fase) internacionalização do capital financeiro, exportação de capitais.
  • Nova DIT: países desenvolvidos – detinham as mais altas tecnologias, capital e as grandes empresas multinacionais, produzindo muitas vezes mais no estrangeiro do que internamente; países da periferia – produziam bens de consumo (têxtil, automóveis, etc…) das empresas multinacionais, manufaturas tradicionais e bens de produção de baixo conteúdo tecnológico.
  • Características das multinacionais e grandes corporações transnacionais:
  1. ligadas ao processo de grande concentração e centralização no contexto da internacionalização de capital.
  2. caráter multiplano.
  3. possibilidade de diversificar riscos comerciais e financeiros.
  4. emprego sistemático das formas mais avançadas de organização industrial.
  5. domínio de tecnologia de ponta.
  6. fortes recursos financeiros.
  7. elevados rendimentos das aplicações.
  8. domínio dos mercados onde atuam.
  9. fluxo crescente de saída de capital dos países desenvolvidos.
  10. EUA, GB, JAP e RFA concentravam 75% da matriz das multinacionais.
  11. a zona de localização das filiais se situa em outros países desenvolvidos.
  12. as multinacionais atuam em setores de base da economia.
  13. os ramos produtivos são os de ponta, além de alimentação e metálica básica. O predomínio entre as grandes empresas é norteamericano.
  14. os fluxos de ingresso dos investimentos diretos superam com o tempo a corrente de saída.
  15. as decisões econômicas, graças às multinacionais e corporações transnacionais, fugiram do controle do Estado.

Como entender a Escola Fisiocrática

Ficha de estudos sobre a apostila Como Entender a Escola Fisiocrática, elaborada por Chantós Mariani – História do Pensamento Econômico I – Prof. Ronaldo Herrlein Jr.

  • França em 1756:  caos social e econômico, agricultura precária e estrutura ainda predominantemente feudal com produção em pequena escala. No norte do país havia uma agricultura mais desenvolvida, com vias ao desenvolvimento capitalista.
  • O sistema de tributação francês da época prejudicava a ascensão da agricultura capitalista, pois todas as classes (exceto nobreza e clero) eram obrigados a pagar pesados impostos e sustentar as classes dominantes.
  • A França da metade do século XVIII era, em suma, uma mistura de traços feudais com insustentáveis características mercantilistas.
  • Fisiocracia = governo da natureza
  • Lema: lassez-faire, lassez-passer.
  • Funções que caberiam ao Estado: garantir o livre comércio, dar a infraestrutura necessária ao escoamento da produção e garantir o direito à propriedade privada.
  • Substituição da mão de obra servil pela assalariada.
  • A agricultura, para os fisiocratas, era a única atividade econômica capaz de produzir produto líquido (excedentes).
  • A classe dos proprietários era improdutiva, mas recebia renda dos produtivos por ser detentora das terras e, assim, permitir que a agricultura se desenvolvesse. Isso, para a fisiocracia, constituía a ordem natural.
  • 1758: publicação do Tableau Économique.
  • Classe Produtiva: empresariado agrícola, camponeses assalariados e demais trabalhadores agrícolas.
  • Classe Proprietária: soberano, nobreza proprietária e o clero – dependem da classe produtiva, mas possuem direito natural de receber tal renda, pois detem as terras e administram o Estado.
  • Classe Estéril: cidadãos ocupados com outros serviços (não agrícolas): artesãos, manufatureiros, comerciantes etc.
  • Produto Líquido = produção – custos
  • Condições para o funcionamento do Quadro Econômico:  1) todos os setores tem de gastar o que produzem (em utilidades, não em futilidades, como estava acostumada a nobreza); 2) a população tem que estar distribuída de maneira adequada nos setores; 3) os produtos tem que ter a forma material adequada e nas proporções certas (insumos agrícolas, materias primas, manufaturas etc).
  • Problemas com o Quadro Econômico:  1)caso a produção não fosse ótima em um determinado ano, o produto não seria totalmente repassado para a classe proprietária e isso comprometeria o ciclo; 2) caso um ou mais setores decidisse não repassar toda a renda para o outro, ficando com uma parte para si na expectativa de acumular capital (poupança), o ciclo também estaria comprometido.
  • A classe proprietária deveria reduzir o consumo de luxo a fim de acumular capital para investir em infraestrutura para o setor agrícola, enquanto que a classe produtiva deveria priorizar os adiantamentos primitivos (gastos com insumos e instalações) para o desenvolvimento econômico do ano seguinte.
  • A tributação, para os fisiocratas, deveria incidir exclusivamente sobre o produto líquido (nele já estavam incluídos os juros).
  • A classe produtiva não podia pagar impostos, pois isso prejudicaria o valor reservado para a produção do ano seguinte ou o fluxo de produto de acordo com o quadro econômico.
  • A classe estéril não podia pagar impostos, pois isso prejudicaria a oferta e demanda dos manufaturados, o que poderia causar elevação dos preços dos produtos, afetando também o Tableau.
  • Turgot, ao participar diretamente do governo de Luís XVI, pôs em prática algumas ideias fisiocráticas de livre comércio interno, abolição de certas obrigações feudais, fim de monopólios, imposto único para os proprietários e maior liberdade social (abertura da sociedade estamental).
  • A Fisiocracia deixou um importante legado no estudo econômico, através dos conceitos de produto bruto e produto líquido e o próprio Tableau Économique, que vai servir de base para pensadores posteriores.