Dez Anos Que Abalaram o Século XX

Fichamento do livro Dez Anos que Abalaram o Século XX: da Crise do Socialismo à Guerra ao Terrorismo, de Paulo Fagundes Vizentini – História Contemporânea III – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro

Legendas utilizadas:

↓ = declínio, diminuição

↑ = aumento, ascensão

→ = implica que; tal que; traz como consequência

X = versus, rivalidade, oposição

O SISTEMA INTERNACIONAL EM TRANSIÇÃO

  • A proposta de análise histórica do livro se situa da década de 70 dos anos 90 até 2001.
  • Linha cronológica: do choque econômico dos anos 70 (marco inicial) aos atentados terroristas à Nova Iorque e Washington em 2001 (marco final).
  • A construção de sistemas internacionais remonta ao século XV a partir da expansão comercial liderada pelos europeus → origens da “globalização”.
  • Século XVIII: advento do sistema capitalista graças à Revolução Industrial inglesa.
  • Século XIX: nas últimas décadas eclode a II Revolução Industrial (anos 1870), a hegemonia inglesa desfacela, a diplomacia bismarkiana na Alemanha acirra o imperialismo entre as grandes potências (anos 1890).
  • Século XX: Primeira Guerra Mundial, Revolução Soviética (1917), ascensão do fascismo, Segunda Guerra Mundial.
  • Pós-II Guerra Mundial: keynesianismo, hegemonia norte-americana, Guerra Fria, III Revolução Industrial (anos 1970), desgaste da liderança dos EUA, fim dos regimes socialistas do leste europeu (1989), queda da URSS e desaparecimento de seu regime (1991), fim da Guerra Fria, término da bipolaridade do sistema internacional.
  • Pós-Guerra Fria: globalização, Revolução Científico-Tecnológica, ascensão da China, formação de blocos regionais.
  • Século XXI: crise, terrorismo, transição.

PARTE I

CRISE, REAÇÕES E O FIM DA GUERRA FRIA

DO MUNDO MODERNO AO PÓS-MODERNO

  • Década de 70 do século XX: origens da crise do sistema internacional estruturado após a II Guerra.
  • reestruturação da economia e política internacional por parte dos EUA gerando uma nova ordem mundial.

Anos 70: Crise, Multipolaridade e Revoluções

  • desgaste da hegemonia norte-americana → Rev. Cubana, Guerra do Vietnã, déficit na economia dos EUA, crise do modelo fordista-keynesiano, queda nas taxas de crescimento e de lucros, limitações do American Way of Life → crise sistêmica enfrentada pelos Estados Unidos
  • soluções (ou tentativas de solução) por parte dos EUA:
  1. ideológicas: Clube de Roma → redução do crescimento + preocupação ambiental
  2. diplomáticas/militares: aproximação com a China + transfere em parte a ação direta em questões locais de segurança aos aliados regionais
  3. econômicas: aumento do preço do petróleo junto à OPEP →  ↑EUA  ↑3º Mundo  ↓Europa Ocidental  ↓Japão
  • retomada da détente → URSS + Leste Europeu são incorporados a uma estratégia de rearticulação de forças
  • participação do 3º Mundo como basilar exploratório dos EUA → ditaduras militares na América Latina
  • Doutrina Nixon + Diplomacia Ping-Pong → traz a China ao jogo político e econômico internacional
  • início da multipolaridade: EUA, URSS e CHINA.
  • ondas revolucionárias + estratégias e novas alianças para contê-las
  • aliança Cuba-URSS para compensar a aliança China-EUA.
  • preocupação americana: a) o efeito dominó que as revoluções socialistas nos países periféricos poderiam causar; b) a solidez da URSS.

A Reestruturação Econômica e a Revolução Científico-Tecnológica

  • tentativa de superar o impacto da alta dos preços, dinamizar a economia e retomar os lucros e a mais-valia.
  • soluções:
  1. políticas migratórias: trabalhadores do 3º Mundo → países capitalistas avançados = obtenção de mão-de-obra barata
  2. nova divisão internacional do trabalho (nova DIT) → obtenção de matéria-prima barata
  3. revolução científico-tecnológica (RCT) → para aumentar a produtividade, logo, a competitividade
  • nova DIT + RCT = III Revolução Industrial
  • Revolução Científico-Tecnológica → alterações estruturais na produção/gestão/administração: fábricas flexíveis sem estoque
  • países vão tentar buscar ou desenvolver tecnologias.

A “Globalização” e o Neoliberalismo

  • a globalização foi impulsionada pela Revolução Científico-Tecnológica; abriu as economias nacionais; gerou inclusão de alguns países e exclusão de outros → aumento das desigualdades regionais; diversificou o espaço mundial.
  • a nova DIT contribui para a globalização financeira e produtiva → geopolítica financeira.
  1. PERIFERIA: 1.1) plataformas de exportação; 1.2) NIP’s (Novos Países Industrializados) → dentre eles, os tigres asiáticos.
  2. CENTRO: pós-industriais → EUA, Europa Ocidental e Japão → desemprego + crescimento a taxas decrescentes.
  • os países da periferia atraíram as multinacionais pelos seguintes fatores:
  1. mão-de-obra barata
  2. ausência de legislação social
  3. facilidades fiscais.
  • período de nascimento da preocupação ambiental.
  • desenvolvimento dos transportes e comunicações → encurtamento das distâncias.
  • desmoralização da social-democracia e ascensão dos neoliberais → Thatcher (Inglaterra).
  • neoliberalismo: pregava a redução da participação do Estado na economia.
  1. Objetivos-meio → alguns foram alcançados:  ↓impostos  ↓inflação  ↓sindicalismo  ↑privatizações
  2. Objetivos-fim → desastre: ↓crescimento  ↑déficits  ↓arrecadação

Anos 80: Nova Guerra Fria e Reação Neoconservadora

  • tensões sociais resultantes da crise econômica + derrota dos interesses ocidentais no 3º Mundo → contra-ofensiva da Nova Direita
  • reação conservadora → governo Carter, democrata mas com conservadores no Congresso americano.
  • ascensão de Reagan nos EUA e Thatcher na Inglaterra → conservadores → fim da détente → Nova Guerra Fria
  1. corrida armamentista;
  2. reforço de alianças: EUA + África do Sul, Israel, Japão, Europa Ocidental x URSS + nações revolucionárias do 3º Mundo;
  3. paralisação no mundo socialista.
  • URSS adota a Perestroika → adaptação
  • países pós-industriais
  1. neoliberalismo + expansão para a periferia de seu modelo → através do FMI e Banco Mundial;
  2. ↑direita  ↑racismo  ↑xenofobia
  3. ↑misticismo
  4. ↑fundamentalismos
  5. ↑cinema-catástrofe: Armageddon, Terremoto, Independence Day, Titanic
  6. ↑doenças: AIDS
  7. ↑criminalidade → massas excluídas pelo Estado neoliberal
  • nova direita → ♦ combate: narcotráfico, terrorismo;  ♦ defende: democracia
  • Era Reagan estimula a abertura dos regimes ditatoriais → Cone Sul, Coréia do Sul, Haiti, Filipinas
  • democracia → propaganda universal X  socialismo do Terceiro Mundo
  • Terceiro Mundo é deixado de lado nas relações internacionais
  • Guerra nas Estrelas → resultado das estratégias conservadoras

A Crise do Socialismo e o Colapso do Campo Soviético (1989-1991)

  • queda da URSS + colapso do socialismo
  1. problemas estruturais/conjunturais internos
  2. pressão externa ocidental
  3. neocapitalismo
  • Era Brejnev →  corrida armamentista + sofre embargos comerciais e tecnológicos → enfraquecimento do governo
  • crise polonesa
  • Era Gorbatchov (1985) → Glasnost + Perestroika → ofensiva diplomática ↔ paz + desarmamento
  • Glasnost: abertura econômica → obter tecnologia e capitais
  • A URSS, por seu tamanho (território e população) e recursos naturais, poderia obter posição de barganha.
  • Perestroika: risco de desestabilização interna → depende da luta política interna + influência da política externa
  • Gorbatchov prioriza as reformas políticas
  • A partir de 1986 → Nova Détente
  1. desarmamento
  2. cooperação comercial
  3. recuo soviético (e de seus aliados) de conflitos regionais.
  • final dos anos 80: URSS → problemas internos: crise econômica; desigualdades sociais; descontentamentos; reformas políticas e descentralização.
  • ↓ ação estatal → greves, criminalidade, apropriação de empresas públicas → separatismos
  • China: reformas internas + abertura somente no plano econômico
  • Iugoslávia: tensões étnicas + abertura econômica ao mercado mundial
  • as reformas da URSS não foram tão bem sucedidas com as da China, porque a abertura soviética foi muito acelerada → “forçada”
  • movimento estudantil na China → estudantes queriam democracia liberal X neoautoritários + velhos dirigentes → violenta repressão → mantém o regime
  • repercussões da Perestroika no Leste europeu
  • Polônia: crise econômica + má administração + enorme influência da Igreja Católica → governo é entregue ao Solidariedade (sindicato).
  • Hungria: comunistas reformadores + multipartidarismo → ascensão de um governo de centro-direita → mais tarde, governos anticomunistas.
  • Hungria e Polônia eram socialistas quase artificiais → fraca legitimidade
  • República Democrática Alemã (RDA): população migrou em 1989 para Hungria e Rep. Federal Alemã (RFA) → regime se desintegra → a população queria a unificação.
  • Tchecoslováquia: mobilização popular de “gente bem vestida” → formação de um governo de centro-direita
  • Bulgária: ausência de mobilização popular comunistas reformistas tomam o poder adaptação à Perestroika
  • Romênia: aceitou empréstimos do FMI → descontentamento da população → golpe da Frente de SalvaçãoNacional em 1989

O Colapso do Regime e do Estado Soviéticos

  • após a abertura econômica e diplomática, a URSS entra em uma crise terminal  → caos socio-econômico + conflitos étnicos e políticos
  • 1991: Gorbatchov cria uma federação renovada → União de Estados Soberanos; Yeltsin é eleito presidente da Rússia; golpe mal sucedido por opositores à desintegração da URSS.
  • Yeltsin desencadeia uma “caça às bruxas”.
  • As repúblicas federadas proclamam suas independências  → dissolução do bloco soviético
  • Formação da Comunidade de Estados Independentes (CEI)
  • Restaram como países socialistas: Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e China.
  • O modelo soviético não pode ser considerado um fracasso total, pois se assim o fosse não teria perdurado tanto.
  • O bloco socialista representou um processo de desenvolvimento autônomo, que foi capaz de obter paridade com relação ao Ocidental, queimando etapas no processo de evolução capitalista a fim de consolidar o comunismo como etapa ulterior.
  • Fatores que colaboraram para o fracasso do modelo soviético:  a) atraso das sociedades envolvidas; b) autoritarismo; c) tensão externa constante.

PARTE II

OS PERDEDORES: A GLOBALIZAÇÃO COMO DESORDEM

A FRAGMENTAÇÃO DO LESTE: OS ESTADOS PÓS-COMUNISTAS

  • queda do muro de Berlim em 1989 + queda da URSS em 1991 → desintegração do regime socialista
  • problemas na evolução interna dos antigos países do campo soviético

Ex-URSS: a Rússia e a Comunidade de Estados Independentes

  • Golpe de agosto de 1991: ainda por Gorbatchov, que tentou formar a União de Estados Soberanos.
  • Golpe de Ieltsin (1991): formou a CEI (Rússia-Ucrânia-Bielorrússia).
  • o PCUS (Partido Comunista da União Soviética) foi interditado por Ieltsin → vácuo político → ascensão das máfias
  • a passagem:  URSS → Rússia foi marcada por um debilitamento estratégico
  • Rússia

  1. ↓capacidade de arrecadação de impostos → corrupção
  2. fuga de cérebros para o poder paralelo → “ameaça russa” → expansão para outros países
  3. torna-se membro do Conselho de Segurança da ONU
  4. potência nuclear (também eram a Ucrânia, Bielorrússia e Cazaquistão)
  5. perda de influência, mas se mantém no jogo internacional
  6. parceria com a China → “asiatização”
  7. não há identidade nacional → frustração na população
  8. dificuldades econômicas
  9. país multinacional
  10. impotência no plano internacional → enfrenta o avanço da OTAN + pede ajuda financeira aos organismos internacionais
  • fim do Pacto de Varsóvia e do Comecon
  • desconfiança das ex-repúblicas soviéticas com relação à CEI (Comunidade dos Estados Independentes)
  • os novos Estados buscam cooperação e integração → economia + segurança e oscilam entre os novos atores → China, EUA, Rússia, Oriente Médio
  • Boris Ieltsin
  1. vácuo político
  2. problemas com a Duma (parlamento russo) → 1993: bombardeia o Parlamento
  3. apoio ocidental
  4. tinha capacidade tática
  5. 1994: ataca a Chechênia
  6. 1996: reelege-se → instabilidade política

  • Iugoslávia
  1. socialismo autogestionário → independente de Moscou e do Ocidente
  2. fazia parte do movimento dos Países Não-Alinhados → neutralidade
  3. não integrava a OTAN nem o Pacto de Varsóvia
  4. crise interna devido à liberalização da economia após a morte de Tito
  5. nacionalismos: sérvios + croatas + eslovenos
  6. 1990: fim do partido único → acirramento dos separatismos
  7. 1991: independência da Eslovênia e da Croácia
  8. sofreu embargos e isolamento diplomático, mesmo tendo eleições livres + multipartidarismo

  • Croácia
  1. 1/4 da população era sérvia
  2. governo de direita + apoio da Alemanha
  3. sérvios invadem regiões onde havia sua maioria étnica

  • Bósnia-Herzegovina
  1. 1992: declara independência
  2. guerra civil → sérvios  X  bósnios X croatas (os dois últimos com apoio das potências ocidentais, principalmente Alemanha)
  3. mitos: a) a demonização dos sérvios (outros grupos também foram cruéis); b) o conflito é apenas étnico (mentira, são conflitos estratégicos).
  4. ausência de instituições + caos políticos = fanatismos/separatismos
  5. 1995: ONU retira suas tropas dos enclaves sérvios → dominados pelos croatas → limpeza étnica
  6. croatas + bósnios + apoio da OTAN x   sérvios (abandonados pelo gov. iugoslavo)
  7. após a guerra civil, torna-se uma Federação (de croatas + bósnios) + a República Sérvia

  • Macedônia
  1. 1992: torna-se independente
  • a União Europeia apoiava as independências
  • problemas persistentes na Iugoslávia:
  1. oposição interna →  Montenegro sem apoio da OTAN
  2. albaneses da província de Kosovo (com apoio da OTAN) → sufocados pela Iugoslávia
  3. 1996: criação do ELK (Exército de Libertação do Kosovo) com apoio de:  a) presidente da Albânia; b) criminosos/máfia ($); c) da OTAN; d) guerrilheiros de esquerda; e) albaneses que moravam nos EUA/UE.
  4. OTAN decide dialogar em 1999 → fracassa e realiza ataque aéreo contra a Iugoslávia

  • criação da Aliança Atlântica – objetivos
  1. submeter a Iugoslávia à nova ordem mundial
  2. isolar a Rússia dentro da massa continental eurasiana
  3. ocupar o Kosovo
  4. fomentar a independência de Montenegro
  5. estabelecer uma ligação terrestre entre os membros da organização da Hungria à Grécia.

  • mudança de papel da OTAN: defensiva → ofensiva
  • embaixada chinesa em Belgrado é bombardeada
  • desrespeito ao Direito Internacional e à soberania dos Estados
  • a Iugoslávia cede → permite entrada da OTAN e forças da ONU

A Transição na Europa Oriental

  • Reunificação Alemã
  1. caça às bruxas
  2. eliminação de qualquer resquício da RDA
  3. xenofobia interna com relação ao leste.
  4. parte oriental da Alemanha: ex-comunistas criam o PDS (Partido do Socialismo Democrático)
  • transição dos regimes socialistas para capitalistas no Leste europeu e a formação de governos: 1) de centro-direita – anticomunistas → economia de mercado; ou, 2) de comunistas reformados → liberal-reformista.
  • a ocidentalização gerou fragmentação
  • retorno de ex-comunistas ao poder → neocomunistas moderados
  • aumento da criminalidade
  • frustração na população
  • Tchecolosváquia
  1. fragmentação em 1993
  2. República Tcheca: mais próxima do Ocidente → economia de mercado
  3. Eslováquia: mais autônoma → maior atuação do Estado

  • governos moderados ex-comunistas → aderem a nacionalismos: Eslováquia, Iugoslávia, Romênia e Bulgária + RDA (agora unificada) – características:
  1. mantêm a ideologia leninista;
  2. não são revolucionários;
  3. respeitam a democracia institucional;
  4. mantêm a importância do Estado em certos setores.

A FRAGMENTAÇÃO DO SUL: O ORIENTE MÉDIO E A ÁFRICA

  • os “perdedores da globalização” passam a sofrer os efeitos do novo modelo que vem sendo implantado
  • marginalização diplomático-estratégica dos Estados periféricos
  • conflitos locais extremamente violentos

Oriente Médio: Apogeu e Declínio

  • Arco das Crises → interesses → petróleo + proximidade com a URSS e o oceano Índico
  • Irã → Revolução Iraniana
  1. contra o Xá
  2. contra o imperialismo americano
  3. contra as desigualdades que o capitalismo provocou na região
  4. contra a sujeição à diplomacia americana.

  • Afeganistão
  1. Revolução de Abril (1978): golpe da esquerda → PDPA (Partido Democrático do Povo Afegão) → REFORMAS→ 2 facções: facção comunista radical (Khalq) e facção comunista moderada (Parcham)
  2. as reformas geraram reações de certos grupos: classes rurais + clero + família patriarcal
  3. reacionários + apoio da URSS ao Parcham → golpe de Estado (1979) →  queriam reformas moderadas

  • Primeira Guerra do Golfo: Irã – Iraque
  1. Iraque invade o Irã
  2. visava a acabar com o imperialismo iraniano
  3. queria desunir os muçulmanos
  4. interesses no petróleo da região.
  • 1982: Israel ataca o Líbano para acabar com a OLP
  • reação do Hezzbolah + palestinos + sunitas + facções cristãs + druzos → Israel abandona o país
  • Israel: a Intifada (1987) → crise interna
  • Líbano: guerra civil
  • Gorbatchov diminui o apoio à OLP e aos árabes + libera a migração de judeus para a URSS
  • 1988: cessar-fogo entre Irã e Iraque
  • 1990: Iraque invade o Kuwait → Conselho de Segurança da ONU condena a ação → EUA + alidados invadem o Iraque → recuo das tropas iraquianas
  • Saddam Hussein permanece no poder, apesar da derrota.
  • EUA voltam-se para o petróleo no Oriente Médio → petromonarquias
  • ascensão de grupos islâmicos fundamentalistas
  • Segunda Guerra do Golfo + fim da Guerra Fria = derrota do mundo árabe
  • EUA pressionam Israel para que faça acordos com os palestinos
  • 1991: Conferência de Paz de Madrid → árabes foram bem diplomáticos
  • mudanças pós-Guerra Fria: Israel – perde importância estratégica para os EUA
  • Eixo Riad-Cairo: pressionam os EUA para forçar Israel a fazer concessões aos palestinos
  • EUA e o jogo diplomático árabe

  1. reduzir gastos na região
  2. obter petróleo com os árabes
  3. acelerar o crescimento da economia americana para competir com a UE e Japão
  • Razões para os árabes pedirem ajuda aos EUA
  1. fragilidade das petromonarquias
  2. temor de que políticas democratizantes sejam implantadas na região
  3. queda dos preços do petróleo
  4. situação social interna nos países é conturbada
  • EUA se apoiam em países mais fracos para evitar a ascensão de potências regionais médias
  • Israel: situação precária (social e econômica) → fundamentalismo judaico → dificulta a paz
  • movimentos políticos de caráter islâmico (fascistas) → apoio das petromonarquias, que eram próximas aos EUA na Guerra Fria (“antídoto religioso” contra o avanço comunista)
  • Irã: contava com a cooperação dos EUA e de Israel
  • ↑ crise socieconômica  ↑ globalização ↑ regimes reformistas (Afeganistão, por exemplo) →  ↑fundamentalismos com influência de grupos conservadores + grupos economicamente dominantes →  altera o status quo → avança para outros países e para o movimento palestino

O Pós-Guerra do Golfo e o Acordo de Paz Israel-OLP

  • Irã: busca apoio para seu projeto nuclear
  • Pós-Guerra Fria:  ↓ influência russa  ↑ influência americana no Oriente Médio
  • os conflitos da região geram radicalização social + instabilidade diplomática + gastos excessivos com defesa e segurança
  • ex-repúblicas soviéticas na Ásia Central: maioria islâmicas → instabilidade
  • Afeganistão
  1. queda do regime socialista (1992)
  2. surgem partidos fundamentalistas + narcotráfico → financiam os conflitos

  • Arábia Saudita: disputas entre as elites aumentam a instabilidade
  • novas zonas de tensão
  1. Turquia
  2. novas repúblicas do Cáucaso
  3. Chifre da África
  • EUA → governo Bill Clinton →  diminui o apoio a Israel → tensões internas e nas bordas desde a Intifada
  • Faixa de Gaza: tornou-se onerosa para Israel
  • OLP (Organização pela Libertação da Palestina) – após a Intifada

  1. petromonarquias abandonam o movimento
  2. Hammas ganhou espaço
  3. Yasser Arafat ganha destaque
  • Acordo de Oslo (1993): negociação secreta de paz entre a OLP e Israel → mediação dos EUA
  1. palestinos recebem o controle da maior parte da Faixa de Gaza + Jericó
  2. OLP reconhece Israel e vice-versa
  3. criação da ANP (Autoridade Nacional Palestina) para administrar os territórios
  • 1994: Israel e Jordânia fazem as pazes
  • Acordo de Oslo II (1995): ANP obtém outros territórios na Cisjordânia (enclaves antes controlados por Israel) → Arafat consegue articular entre os diferentes grupos
  • Israel

  1. Nethanyahu: articula um acordo com a Turquia contra os árabes + assina acordos com a OLP para retirar população israelense da Cisjordânia → pressão americana.
  2. 1999: Barak é eleito primeiro-ministro de Israel → assina acordo com o Líbano e retira suas tropas do território libanês + negocia a paz com a ANP
  3. início do processo de construção de paz Israel – palestinos.
  • Paz Duradoura: só será possível com reformas sociais e integração econômica entre os países para diminuir as desigualdades
  • a criação do Estado palestino depende da rearticulação das forças regionais + internacionais

Os Conflitos Africanos e a “Década Perdida”

  • anos 70: descolonização e ruptura com Portugal e Espanha, últimos a deixarem a região.
  • Saara Espanhol → invadido pelo Marrocos
  • 1975: independências de Angola e Moçambique
  • África do Sul → 1976: levante de Soweto + mobilização negra + atentados do CNA (Congresso Nacional Africano) x repressão do Estado → eleição de Mugabe → garantias aos empresários brancos, gerando prosperidade econômica e desigualdades
  • Etiópia: revoltas camponesas + apoio de Cuba e URSS para conter a invasão da Somália
  • final dos anos 70 → 80: conflitos de baixa intensidade – objetivos
  1. derrubar os regimes revolucionários do Terceiro Mundo
  2. apoio dos EUA + aliados: armas, ajuda financeira etc
  • participação da África do Sul nos movimentos de libertação de Angola e Moçambique + apoio dos EUA à África do Sul
  • Chifre da África: ↑ militarização das forças de oposição na Etiópia
  • Líbia: EUA bombardeiam o país com a desculpa do antiterrorismo (1986).
  • a África sofria os efeitos da crise e da reestruturação do capitalismo mundial.
  • anos 80: medidas econômicas de Reagan abalam as economias africanas → recorrem a empréstimos internacionais
  • Década Perdida: ↑ dívida externa sem resultados positivos nos países africanos →  ↑ fome ↑ migrações ↓ industrialização
  • pós-1987: URSS pressiona seus aliados por acomodação política

África: da Marginalização à Reafirmação (anos 80-90)

  • a URSS tinha papel estratégico nos conflitos africanos, mas, no pós-Guerra, a África perde importância estratégica e capacidade de barganha → marginalização da África → tribalização dos conflitos
  • Cuba abandona a África
  • 1990: Namíbia torna-se independente
  • África do Sul
  1. 1991: fim do apartheid e Mandela é solto
  2. ganha importância por ser estratégica para a nova ordem mundial → protagonista de uma possível integração na região
  3. 1994: Mandela é eleito → situação interna complicada
  4. aproximação com a China
  5. torna-se mediadora em vários conflitos no continente
  6. 1999: MBeki, do CNA, assume o poder
  • 1994: ONU retira tropas da Somália, que fragmenta-se em clãs armados
  • 1995: independência da Eritréia
  • Norte da África → Argélia: caracterizada pelo fundamentalismo islâmico  → FIS (Frente Islâmica de Salvação)
  • Golfo da Guiné: turbulência política interna + guerras civis
  • extermínios em Ruanda e Burundi → questão dos hutus e dos tútsis
  • Zaire: Aliança das Forças Democráticas para Libertação do Congo-Zaire → líder Kabila + apoio de Ruanda, Uganda e Angola → queda de Mobutu (1997)
  • mudança de postura dos EUA com relação à África → competição com a União Europeia + reordenamento mundial
  • França: papel de gendarme na África durante a Guerra Fria → ex-socialistas inimigos da França voltam-se para os EUA
  • os EUA cortaram a influência francesa (e europeia) na África
  • Zaire → República Democrática do Congo sob influência americana → estoura uma guerra civil em 1998:  tutsis X governo
  • 1999: guerra entre Etiópia e Eritréia por questões de fronteira
  • a África passa por um processo de construção de Estados nacionais
  • os conflitos africanos não são apenas históricos, mas foram agravados por alguns fatores:

  1. colonialismo;
  2. vácuo político nas dirigências de muitos países africanos;
  3. marginalização internacional no pós-Guerra Fria
  4. tribalismos + nacionalismos + narcotráfico e criminalidade + fome + doenças (AIDS, principalmente)
  • os conflitos não são tão-pouco recentes.
  • o continente tenta se reorganizar com autonomia, apesar da influência americana.

NEOLIBERALISMO E (DES)INTEGRAÇÃO NA AMÉRICA LATINA

  • Década Perdida = anos 80 → esgotamento da industrialização + redemocratização
  • Mercosul: polo mais ou menos autônomo, embora articulado sob discursos neoliberais

Crise, Neoliberalismo e Desintegração na América Latina

  • EUA: elevam a taxa de juros devido à crise da dívida externa → consequências para a América Latina → países declaram moratória + Guerra das Malvinas = enfraquecimento das ditaduras
  • Abertura democrática → eleição de presidentes neoliberais
  • retrocesso econômico → crise social e econômica
  • aliados da URSS abandonados: Cuba consegue manter-se → turismo

O Mercosul: Resposta Periférica à Globalização

  • Brasil – Argentina: tratado de cooperação (1988) para minimizar a marginalização da América Latina no plano internacional
  • o governo brasileiro adota uma diplomacia favorável ao Consenso de Washington → equivocada
  • 1990: os EUA lançam a Iniciativa para as Américas, visando à criação de uma área de livre-comércio em todo o continente
  • 1991: Tratado de Assunção → criação do Mercosul entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
  • o Mercosul

  1. possui órgãos intergovernamentais, o que facilita a rápida integração dos países membros;
  2. a ausência de órgãos supranacionais torna o bloco propenso a pressões externas;
  3. nos primeiros anos de sua criação, incrementou significativamente o comércio entre seus membros;
  4. evitou que os países-membros sofressem da desindustrialização;
  5. a integração se dá por processos paralelos informais → certas regiões dos países-membros passam a protagonizar o integracionismo;
  6. necessita de Estados atuantes e não neoliberais.
  • a política externa brasileira adotou uma estratégia de adaptação do país às novas realidades + voltar-se para a vizinhança para 1) criar base regional fort; 2) obter vantagens econômicas; e, 3) resistir ao NAFTA.

Os EUA e a Área de Livre Comércio das Américas

  • 1994: Clinton retoma a proposta de criação da ALCA
  • Brasil opõem-se ao projeto americano, defendendo cooperação de projetos de integração já existentes.
  • 1995: Mercosul assina tratado de cooperação com a União Europeia → divergências com os EUA
  • a política externa brasileira tem o Mercosul como prioridade; em segundo lugar, a busca por acordos hemisféricos; e, em terceiro, a consolidação de vínculos extracontinentais.
  • faz-se necessárias algumas medidas para manter a integração entre os membros do Mercosul (regras comuns, evitar competições internas  etc) e aumentar a cooperação com outros países ou blocos.
  • faz-se necessárias reformas internas nos países-membros do Mercosul a fim de diminuir as desigualdades e propiciar o crescimento econômico do bloco.

PARTE III

OS ARTICULADORES DA NOVA ORDEM MUNDIAL

OS EUA, A OTAN E A NOVA ORDEM MUNDIAL

  • Desafios à hegemonia americana
  1. século XX: Alemanha nazista + Itália fascista + Japão = II Guerra Mundial
  2. URSS + bloco socialista = Guerra Fria
  3. China
  • OTAN → tornou-se um instrumento para a manutenção da supremacia americana

Os Estados Unidos como Única Superpotência

  • Pós-Guerra Fria: ↓ prestígio americano por falta de bipolaridade
  • Os EUA são a única superpotência? Vem perdendo posição em diversos pontos que caracterizam um poder internacional (hegêmona global):
  1. a reafirmação extena implica um crescente enfraquecimento interno dos EUA;
  2. penetração das minorias na identidade cultural  americana → ruptura do american way of life ;
  3. tentativa de demonstração de força através da OTAN tem gastos compartilhados com os demais membros da organização;
  4. diferença de atitudes entre Democratas e Republicanos → Democratas: optam por um multilateralismo e vêem os EUA como líder mundial; Republicanos: preferem relações bilaterais e usam da força para manter o status quo.

As Estruturas Hegemônicas de Poder

  • Os EUA faz uso de organismos internacionais para afirmar/exercer sua hegemonia → OMC, ONU, OTAN, FMI, G-7 + poder midiático + controle da internet + influência em ONGs
  • as potências dominantes continuam as mesmas: EUA, Japão, Alemanha, França e Inglaterra + China (exceção).
  • os Estados têm sua soberania limitada pelo papel dominante que as empresas transnacionais e o capital internacional têm desenvolvido.

A Articulação de Uma Nova Ordem Mundial

  • unipolaridade ou bipolaridade? na verdade, o sistema intenacional está em transição → pós-hegemonia → diluição do poder mundial
  • ↑ rivalidades capitalistas
  • ↑ interdependência entre os países do G-7
  • ascendência dos EUA sobre a ONU → instrumento político
  • Estados Unidos → busca consolidar um sistema de equilíbrio de poder → usa a OTAN par isso
  1. tenta impedir a proliferação nuclear
  2. tenta reduzir exércitos convencionais em todo o mundo
  3. tenta impedir a ascensão de potências hegemônicas regionais
  • desafio para os EUA: intenso envolvimento externo afeta sua economia doméstica.
  • mudança de estratégia americana: contenção → para o engajamento e ampliação
  • os EUA continuam com peso absoluto, vantagem militar, domínio sobre organizações-chave, mas precisam ajustar-se internamente para sustentar uma posição de hegêmona global.

GLOBALIZAÇÃO/REGIONALIZAÇÃO: UNIÃO EUROPEIA E NAFTA

Globalização → busca por integração regional por maior competitividade no comércio internacional

Globalização e Integração: Bulding Blocks no Norte

  • algumas áreas são integradas globalmente, mas outras têm sido excluídas do processo de globalização.
  • anos 80: nova Guerra Fria e a crise do socialismo → abafaram os efeitos do neoliberalismo → a repercussão veio nos anos 90: ↑concorrência ↑rivalidades ↑formação de blocos de integração supranacionais ↑fortalecimento da União Europeia
  • União Europeia (UE): abertura econômica intermediária entre o nacional e o global.

Desafios da União Europeia: a Ampliação e o Euro

  • a Guerra Fria foi decisiva para a consolidação do processo integracionista europeu → apoio dos EUA → Plano Marshall → criação da CEE (Comunidade Econômica Europeia)
  • muitos países europeus sofreram influência americana na adoção dos modelos econômicos → predomínio do neoliberalismo na década de 80
  • Gorbatchov: defendia uma zona de cooperação → Nova Détente
  • Consequências da Revolução Científico-Tecnológica no plano sócio-econômico europeu:
  1. neoliberalismo → privatizações → supressão de postos de trabalho
  2. conservadorismo político → fim do Estado do Bem-Estar Social → abandono de políticas sociais
  • por outro lado, a UE era vista como modelo triunfante de integração econômica
  • fim da URSS → reaparecem tensões na Europa que dificultavam a plena integração → instabilidade
  • Tratado de Maastricht (1992): transforma a CEE → UE (União Europeia)
  • questão do leste europeu:  reordenamento econômico + migrações + influência exagerada da OTAN (demasiada subordinação aos EUA e não à UE)
  • principais dificuldades na integração política da UE:
  1. desemprego
  2. descontentamento social
  3. a moeda única (euro)
  4. a expansão da OTAN após o conflito na Iugoslávia
  5. disparidades entre os países + velhas disputas (Grã-Bretanha x Alemanha)
  6. incorporação dos países do Leste → disparidades
  • após a oposição Leste-Oeste, com o fim da Guerra Fria, veio uma oposição de caráter econômica, Norte-Sul, inclusive dentro do continente europeu.
  • a UE busca abertura em outras regiões para evitar isolamento → acordo com o Mercosul em 1995
  • a Europa foi o continente mais diretamente afetado com o fim da Guerra Fria e sofre de algumas consequências disso:
  1. problemas gerados pela nova situação econômico-político-social;
  2. necessidade de uma rápida adaptação ao novo panorama internacional que se configurava;
  3. paradigma globalização – regionalização;
  4. dificuldades de integração política na UE;
  5. a expansão para o Leste europeu demanda enormes recursos para auxílio financeiro desses países;
  6. poder e capacidade estratégica dos EUA ainda limitam a ascensão europeia;
  7. a UE têm dificuldades em articular uma diplomacia comum;
  8. a UE mostrou baixa capacidade estratégica nos acontecimentos pós-Guerra Fria;
  9. alguns países mantém seus interesses à frente dos interesses da comunidade (exemplo: França, que realizou testes nucleares  contrariando à política de não-proliferação nuclear ou a Grã-Bretanha, que não adotou o euro, entre outros).

O NAFTA: Gênese de um Bloco Norte-Americano

  • EUA – desde fins dos anos 80 → reorientação da economia para aumentar a competitividade internacional:
  1. ↓gastos militares
  2. tradeoff: manter presença internacional X  retomar o crescimento interno
  • novo cenário: ↓multilateralismo ↑novas formas de protecionismo ↑regionalização
  • 1994: criação do NAFTA (North American Free Trade Agreement)
  1. EUA – maior potência industrial, porém com dificuldades internas
  2. México – mão de obra barata + mercado consumidor + zona-tampão para frear a imigração latina nos EUA + recursos naturais (petróleo)
  3. Canadá – imensa extensão territorial + recursos naturais
  • o NAFTA permitiu aos EUA ampliar seu espaço de manobra a fim de recuperar sua economia + estender-se a outras regiões (Ásia, América Latina)
  • tentativa de ampliar a cooperação transpacífica → APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation): usa o NAFTA para aproximar-se de outras zonas importantes.
  • abertura dos mercados latino-americanos → contribuiu para a recuperação da economia americana
  • EUA: insistiram na criação da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) quando viram o crescimento do MERCOSUL e a resposta sul-americana, através da ALCSA (Área de Livre Comércio Sul-Americana), apresentada pelo Brasil.

Ascensão e Contenção da Ásia Oriental

  • Ásia Oriental: única região com crescimento real e constante desde a década de 70.
  • Japão: pioneiro em termos de crescimento econômico; em segundo lugar, vieram os Tigres Asiáticos; em terceiro, a China; e, por fim, o sul-sudeste da Ásia.
  • China: desafio à ordem mundial pós-Guerra Fria → associação ao mercado internacional + autonomia político-militar → modelo híbrido

O Desenvolvimento Asiático e o Fim da Guerra Fria

  • aproximação China-EUA
  • EUA: ↑investimentos nos Tigres Asiáticos
  • A Revoada dos Gansos → ganso-líder: Japão; demais gansos: Taiwan + Coreia do Sul + Hong Kong + Cingapura → Tigres Asiáticos; novos gansos: países da ANSEA (Associação das Nações do Sudeste Asiático) – Tailândia, Filipinas, Malásia, Indonésia, etc → novos Tigres ou “tigrinhos”.
  • Os países asiáticos inspiraram-se no modelo triunfante japonês, porém possuíam características próprias:
  1. regimes políticos ditatoriais
  2. considerável participação estatal na economia (embora houvesse abertura controlada)
  3. mercado interno protegido
  4. associação do Estado + empresas privadas → caráter oligopólico
  5. modelo capitalista-socialista ou socialismo de direita
  • China: a partir dos anos 70, o Partido Comunista Chinês adota novas medidas desenvolvimentistas:
  1. criação das ZEE’s (Zonas Econômicas Especiais) → abertura econômica → economia socialista de mercado
  2. autonomia com relação à URSS
  3. associação aos Tigres Asiáticos
  4. acelerado processo de industrialização → mão-de-obra barata + cooptação de capital de outros países
  5. potência nuclear + capacidade militar
  6. membro permanente do Conselho de Segurança da ONU (com poder de veto).
  • III Revolução Industrial → transferência de indústrias da segunda fase do Japão para os Tigres
  • Ásia Oriental → nova fronteira do capitalismo
  • a Austrália sofre um processo de “asiatização”
  • o Japão se expande economicamente sobre os demais países do Pacífico → novos Tigres
  • não há a formação de um bloco regional → regionalismo aberto
  • 1989: fundação da APEC (Conselho Econômico da Ásia e Pacífico) → principal forma de articulação regional na Ásia
  • ↑economia chinesa + autonomia político-diplomática → ↑preocupação dos EUA  +  ↑multilateralismo dos países da ANSEA entre si + países não-alinhados ↑cooperação Sul-Sul
  • China: ↑modernização da capacidade nuclear  ↑relações com o Japão e a Rússia
  • EUA: tenta estabelecer uma nova balança de poder → Japão + China + Rússia + ANSEA + Estados Unidos

A Ascensão da China e a Nova Ordem Mundial

  • mudanças no pós-Guerra Fria na Ásia:  compartimentação → fusão
  • ↑cooperação entre China + países da ANSEA → estreitamento das relações da China com toda a área
  • Índia: vincula-se ao dinamismo regional – fatores e características:
  1. fim da URSS
  2. Revolução Científico-Tecnológica
  3. aumento da globalização econômica
  4. ascensão econômica da região
  5. normalização das relações com a China e adjacências
  6. integração ao novo ciclo de desenvolvimento asiático.
  • desmembramento da Ásia Central soviética → nova fronteira política e econômica → interesse de potências médias da região (Irã, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão)
  • presença americana na região central da Ásia: acesso a recursos econômicos + evitar o contato entre a Europa e a Ásia
  • ampliação da noção de segurança asiática → Ásia política tende a assemelhar-se à Ásia geográfica
  • Novo Segundo Mundo → sob a liderança da República Popular da China → conflitos ideológicos (de civilizações e culturas) + transformações paradigmáticas → nova ordem mundial não-hegemônica + modelo de desenvolvimento nacional, de segurança e de governabilidade próprios + aproximação com o Velho Segundo Mundo
  • a China mantém o “modelo asiático”, pois depende diplomático, militar e economicamente dos EUA
  • Japão → envolvimento local com questões do continente + busca por autonomia + vulnerabilidade às pressões americanas + relativa dependência comercial com os EUA
  • Coréia do Norte → tenta encerrar o isolamento do país através do arsenal nuclear (“moeda de troca”) + risco do colapso do regime político ditatorial + criação de ZEEs
  • Coréia do Sul → aproximação com a China + distúrbios políticos internos (população não quer uma inserção econômica internacional “desenfreada” nem a reunificação da península)
  • EUA tentam cercar a China → acordos com a Mongólia + incentiva o separatismo no Taiwan e no Tibet + propaganda antichinesa + sistema antimísseis na Ásia
  • A Ásia busca aproximações estratégicas → mercados emergentes → África (África do Sul, principalmente), Mercosul (Brasil) etc.

A Crise Asiática: Estratégia de Contenção do Desenvolvimento

  • reunificação chinesa (com Hong Kong) + concretização do modelo autônomo dos Tigres Asiáticos → crise japonesa + terremoto financeiro nos Tigres vinculados aos EUA → ↓produção ↑desvalorização das moedas → pressões na China (Taiwan e Tibet) e na Indonésia
  • China: torna-se um núcleo → inserção mundial soberana + caráter inegociável de suas instituições político-sociais internas + fortalecimento econômico, tecnológico e militar
  • a principal explicação da crise é a “contenção do desenvolvimento asiático” → para impedir a formação de um polo competidor (a Ásia) + uma nova superpotência (a China)
  • desenvolvimento chinês: projeto estratégico de simbiose entre estatais neocomunistas + ex-comunistas + anti-comunistas
  • corrida armamentista na Ásia: para o Ocidente, representa rivalidade entre os Estados asiáticos; para os asiáticos, representa capacitação e modernização militar a fim de contra-balancear potências extrarregionais.
  • China – agiria como uma espécie de Estado Westfaliano → primazia do Estado-nação como ator internacional → ameaça aos EUA.

PARTE IV

O SÉCULO XXI E A CRISE INTERNACIONAL

SÉC. XXI: NEO-HEGEMONIA AMERICANA OU MULTIPOLARIDADE?

  • fim do século XX: advento de várias crises internacionais + desgaste do neoliberalismo + movimentos anti-globalização

A Crise da Ordem Neoliberal na Passagem do Século

  • desde 1999 → desaceleração / estagnação do crescimento econômico nos países da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento)
  • Fracasso do Neoliberalismo – consequências:
  1. Países de Primeiro Mundo: avanço da extrema-direita
  2. Países de Terceiro Mundo: crises de governabilidade + contestação à globalização (Fórum Social Mundial – defesa da agenda social, democrática e ambiental)
  • União Europeia
  1. mobilização de esquerda (contra desemprego e abandono dos trabalhadores pelo Estado)
  2. crescimento da extrema-direita
  3. implantação da moeda-única (euro)
  4. ampliação da comunidade para o leste e para o Mediterrâneo.
  • Rússia
  1. recuperação + crescimento de sua autonomia frente ao Ocidente
  2. dependência financeira
  3. aproximação estratégica com a China
  4. criação da Organização da Cooperação de Xangai (Rússia, China, Cazaquistão, Tadjiquistão, Quirguistão e Uzbequistão)
  5. rearticula o antigo espaço soviético → faz uso da CEI
  • China
  1. mantém crescimento acelerado + modernização
  2. estreitamento cada vez maior das relações com os vizinhos
  3. ingressa na OMC (Organização Mundial do Comércio) em 2001
  • Japão
  1. estagnação econômica
  2. gigante econômico + polo tecnológico
  3. atuação junto aos Tigres Asiáticos e à China
  • Sudeste Asiático
  1. mantém crescimento econômico após a crise de 1997
  2. ASEAN possui um diálogo aberto com a UE
  • África
  1. África do Sul torna-se o polo aglutinador do continente → Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADC)
  2. criação da União Africana (2002)
  • Oriente Médio
  1. Israel: eleição de Ariel Sharon (2001) → belicista e contrário a concessões aos palestinos → instabilidade
  2. desmoralização dos regimes árabes pró-EUA
  3. terrorismo
  • América Latina
  1. Plano Colômbia → EUA preocupa-se com o combate ao narcotráfico + guerrilhas de esquerda
  2. pressão americana contra Cuba e Venezuela
  3. Argentina e Peru empobrecidos com péssimos governos neoliberais
  4. Brasil faz oposição à ALCA e protagoniza no continente através do MERCOSUL.

Bush, o 11 de Setembro e a Guerra ao Terrorismo

  • Administração George W. Bush:
  1. desrespeito às organizações internacionais (especialmente a ONU)
  2. atos unilaterais, contrariando seus próprios aliados da OTAN
  3. guerra ao terrorismo → após os atentados de 11 de setembro de 2001
  4. invasão do Afeganistão
  5. belicismo
  • O significado do 11 de Setembro de 2001 → pretexto americano para uma longa intervenção na Ásia, afastando a Rússia da China e ambos dos recursos naturais da Ásia Central
  • A guerra contra o terrorismo inviabilizou qualquer acordo entre Israel-Palestina
  • Guerra do Iraque → serviu para isolar e derrotar o Irã (aliado da China e da Rússia)
  • desgaste da democracia americana + desaceleração do crescimento econômico + gastos exorbitantes com segurança após os atentados
  • os EUA de Bush tentaram a todo custo evitar a consolidação do novo sistema multipolar, que já era evidente.

Construindo o Terceiro Milênio: Tendências para o Século XXI

  • democracia liberal → adotada formalmente pela maioria dos países do mundo
  • efeitos da globalização acelerada: ↑desemprego (não apenas estrutural) + ↑migrações (do campo para a cidade + dos países do Sul para os do Norte) + ↑concentração de renda + ↑exclusão social de novo tipo (fechamento de fronteiras pelos países desenvolvidos, “enclausuramento” dos ricos em condomínios nas cidades)
  • a exclusão de grandes contingentes tem criado impasses para a economia-mundo
  • retorno da esquerda em vários países do mundo
  • falta de articulação dos movimentos contestadores do neoliberalismo através de partidos e lideranças que provoquem efetivamente alguma mudança
  • globalização + integração regional → abre espaço para a retomada da questão nacional
  • a Revolução Científico-Tecnológica precisa ser socialmente condicionada
  • os gastos com a criação de empregos trariam duas vantagens: 1) mercados domésticos estáveis (garantindo a demanda + limitando a concorrência internacional); 2) reduz um pouco o ritmo de modernização tecnológica (o que é benéfico, pois permite que a sociedade se adapte ao novo cenário)
  • faz-se necessário que o individualismo e a sociedade de consumo dêem espaço a valores coletivos → exemplo asiático
  • a defesa da paz + o respeito às organizações internacionais é imprescindível para a construção de um mundo racional e integrador → respeito às diferentes civilizações.

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