A Classe Dirigente

  • Em todas as sociedades há duas classes de pessoas:
  1. classe dirigente – menos numerosa, exerce todas as funções políticas, monopoliza o poder e goza das vantagens deste.
  2. classe dirigida – mais numerosa, controlada pela dirigente (legal, arbitrária ou violentamente), supre a classe dirigente através de meios de subsistência e submetendo-se ao poder daquela.
  • todo organismo político se organiza em torno de um ou mais líderes da classe dirigente (testa do Estado), que não necessariamente são os líderes máximos, como presidente, soberano, etc.
  • esses líderes da classe dirigente, que controlam por influência política as massas, podem ser primeiros-ministros, mordomos de paço ou um “simples” político.
  • as massas, através da pressão social, influenciam na política da classe dirigente.
  • o homem que está à frente da classe dirigente considera a pressão popular e governa de modo a impor respeito às suas ordens e às suas deliberações.
  • a classe dirigente possui estrutura variável, o que é chave para a determinação do tipo político e do estágio de civilização em que os povos se encontram: monarquia constitucional, monarquia absoluta, república etc.
  • a doutrina moderna considera que princípios democráticos, aristocráticos e monárquicos coexistem em todo organismo político.
Como as minorias governam a maioria?
  1. pela organização – são mais organizadas por serem menos numerosas.
  2. porque a maioria não é coesa em interesses (a minoria também não, mas pelo menos é mais coesa que a maioria).
  3. pela coordenação desses interesses – mais eficaz num grupo menor.
  4. por haver menores divergências internas.
  5. por serem constituídas de membros superiores em relação às massas – intelectual, material ou moralmente.
  • Um fator de relevância analisado ao longo da História é a superioridade militar, que abre facilmente acesso à classe dirigente. Isso ocorre frequentemente em sociedades primitivas ou em civilizações que recentemente entraram em estágio agrícola, como ocorreu na Polônia e na Rússia. Nestes dois casos a classe política era a própria classe militar.
  • A classe guerreira dirigente adquire quase que exclusivamente a posse de terras. Isso se verificou na Rússia, na Polônia, na Índia e na Europa medieval.
  • Com o desenvolvimento do capitalismo, a acumulação auferida da terra pelas classes dirigentes, em diferentes lugares, converteu-se em riqueza, o que passa a definir a partir de então quem pertence à classe dirigente – os ricos.
  • Para que a classe dirigente fosse determinada pelo poder econômico, era necessário que a propriedade privada estivesse bem garantida, através das leis, o que se verificou na transição do “Estado feudal” para o Estado burocrático.
  • Os meios de exercer influência social em todos os países são sempre de mais fácil acesso aos ricos que aos pobres.
  • Nas sociedades em que o fator religioso é muito forte, cria-se uma aristocracia clerical, que passa a deter uma parcela significativa da riqueza e do poder político. Exemplos: Egito antigo, Índia brâmane e Europa medieval.
  • Dentro da classe dirigente, através da experiência em dirigir organizações civis e militares, pode surgir uma aristocracia de funcionários, especializada na arte de governar. E o grau de domínio dessa arte é difícil de ser percebido, principalmente quando a pessoa não o demonstra.
  • A presença de castas hereditárias é outra característica de como se manifestam as classes governantes. Exemplos: China, Egito antigo, Índia, etc.
  • Todas as classes dirigentes, mesmo não tendo origem num modelo de castas, tendem a se tornar hereditárias, porque riqueza e valor militar (principais alicerces da dominação) são facilmente mantidos pela herança. Essa manutenção no poder por hereditariedade – inércia da força política – dificulta a democratização do acesso a estas classes por parte do resto da população.
  • Em se tratando de superioridade social, a superioridade intelectual não tem qualquer relação com a hereditariedade.
  • Mosca refuta a teoria evolucionária (hereditariedade orgânica ou etnológica) da dominação por parte da classe dirigente, pois se a seguíssemos a história política seria muito mais simples do que de fato se apresenta, já que simplesmente os descendentes de dirigentes  perpetuar-se-iam no comando (o que nem sempre acontece).
  • O que ocorre ao longo da história política é uma situação de constante alteração nas forças políticas, qual seja, processos de exosmose e endosmose entre classes altas e porções das baixas, em momentos de ascensão e declínio.
  • Quando as classes dirigentes declinam? No momento em que cessam as capacidades de subir (ou de pelo menos se manter) no poder, em virtude de uma superação por outrem daquilo que garantia o seu status de dirigente.
  • A sociedade humana é constituída por momentos em que produz classes dirigentes fechadas (inerciais) e outros em que há uma rápida substituição e organização de uma nova dominância.
  • A classe dirigente se mantém em hereditariedade, costumes e sob a protela das leis em sociedades mais fechadas, que passaram períodos de relativo isolamento ou crentes em seu próprio sistema. Exemplo: Baixo Império Romano, Índia após o Budismo, Europa medieval, etc.
  • Por outro lado, quando há um contato com outras civilizações (descobrimentos, comércio com povos estranhos, migrações forçadas) há a incorporação de novos elementos intelectuais, morais, técnicos, científicos, que colaboram para a destruição da classe dirigente em vigência a instauração de novas forças políticas. Exemplo: Europa após o século XV e, consequentemente, África e América.
  • A rápida reestruturação de classes dirigentes é um fenômeno recorrente em sociedades recém colonizadas.
  • Muitos povos resignaram-se a uma posição inferior, ao passo que membros de antigas classes dirigentes (mais ainda privilegiados) continuaram a crescer convencidos da sua posição de superioridade e de comando – força do hábito – o que justificaria a lentidão do desenvolvimento dos países antes colonizados.

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