Um Crescimento Econômico sem Precedentes: as Bases do Modelo (1945-1973)

Ficha de estudos sobre texto do livro El Crecimiento Económico en el Mundo Desarollado, de Martínez Martín, MADRID: Akal, 1992. História Contemporânea III – Prof. Luiz Dario Teixeira Ribeiro.

Os EUA lideraram a reconstrução europeia através de profundas mudanças na produção, comércio e consumo oriundos de uma prolongação do esforço bélico para a vida civil, criando uma nova era de expansão do capitalismo nas relações internacionais.

UM CRESCIMENTO ECONÔMICO ESPETACULAR (1945-1973)

  • A II Guerra Mundial resolveu muitos problemas conhecidos anteriormente (Crise de 29, desordem no sistema monetário internacional, tensões sociais, protecionismos, rivalidade pela hegemonia EUA x GB, etc) e estabeleceu as bases para uma economia desconhecida até então.
  • Crescimento econômico espetacular (1950-51 até 1973): associado ao início da Guerra da Coreia, representou uma fase de prosperidade econômica para os países desenvolvidos, sob financiamento americano. Época de maior crescimento do PIB já visto: média global de 4,9% anual e de crescimento da produtividade, média de 4,5% aa.

A REVOLUÇÃO KEYNESIANA

  • Era Keynesiana (1951-1973): marcada por maior intervenção e ampliação das funções do Estado na economia (legislações, comércio e políticas econômicas). Isso foi crucial para o funcionamento econômico do sistema capitalista.
  • John Maynard Keynes propunha uma ação estatal para estimular a demanda e multiplicar a produção, a renda e o emprego. As intervenções públicas corrigiam os defeitos do mercado, evitando as crises e criando o chamado capitalismo misto, mais eficiente. Propunha a criação de um Estado do Bem Estar Social, encarregado de:
  1. criar infraestrutura;
  2. nacionalizar empresas não rentáveis que administravam bens necessários (água, energia, etc);
  3. financiamento da pesquisa científica e tecnológica;
  4. assegurar a produção de serviços de utilidade geral onde há divergência entre o privado e o desejado socialmente: educação, por exemplo;
  5. proporcionar serviços e verbas sociais;
  6. políticas laboriais e salariais, intervindo nos mecanismos do mercado de trabalho;
  7. ordenamento jurídico sobre proteção da propriedade privada e a economia de mercado;
  8. o Estado como consumidor, através da demanda pública de bens e serviços (infraestrutura, gastos militares, equipamentos coletivos e serviços sociais, etc);
  9. política exterior ligada à expansão e proteção das empresas nacionais.
  • após a Crise da Década de 70, causada principalmente pelo excessivo endividamento de alguns países (gastos públicos de até 40% do PIB), muitos passaram a adotar medidas neoliberais ou monetárias, como as da Escola de Chicago, representada por Friedman ou as da Escola da Califórnia, por Shaffer, marcadas pela reprivatização da economia e o Estado mínimo.

O NOVO APARATO PRODUTIVO: A PRODUÇÃO EM MASSA

A REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA: A ERA DO ÁTOMO

  • A revolução tecnológica oriunda do desenvolvimento científico ocorreu entre os anos 30 e 60 e contou com significativa contribuição das tecnologias da guerra, como por exemplo a aplicação da energia atômica, o avanço da petroquímica e da eletrônica e a corrida armamentista e espacial.
  • Houve uma perfeita sincronia, que jamais será dissolvida a partir de então, entre ciência e produção, de maneira que aquela vai ganhar status de mercadoria e definir a competitividade de um país ou empresa.
  • Ocorre que a partir dessa revolução tecnológica, origina-se a produção de massa, com processos de produção sucessivos e rápidos, com controle automático do fluxo e da qualidade através de computadores, tudo isso aliado a uma divisão internacional do trabalho.
  • O progresso técnico também penetra no setor terciário contribuindo para o processo de terceirização das economias desenvolvidas. Transportes, comunicações e a agricultura modernizam-se em grande escala.
  • A revolução tecnológica vai contribuir para que muitos países saiam da crise dos anos 70, através de um estreitamento entre a cibernética e informático e os setores de produção e distribuição.

A ENERGIA – O PETRÓLEO

  • A partir dos anos 50 a demanda de energia (petróleo, carvão, gás natural, energia elétrica, etc) aumentou vertiginosamente, graças à revolução tecnológica e anteriormente já impulsionada pelo conflito bélico, que proporcionou energia a baixo custo aos países.
  • O petróleo seria a energia mais utilizada, devido a sua abundância, por ser barato (custos de extração e transporte menores que os do carvão), alto rendimento calorífico e por ser importante matéria prima da indústria petroquímica.
  • Até os anos 60, o petróleo era monopólio de algumas empresas, conhecidas como As Sete Irmãs: Exxon, Mobil, Texaco, Gulf, Standard, British Petroleum e Shell.
  • 1960: criação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
  • 1973: crise do petróleo – afetou principalmente os países industrializados, que haviam convertido grande parte de sua matriz energética para a petrolífera (Brasil, Chile, Argentina, por exemplo).

RENOVAÇÃO DOS MEIOS DE PRODUÇÃO E NOVOS SETORES PRODUTIVOS

  • A revolução tecnológica, a nova base energética e a consequente produção em massa modificaram a estrutura do modo de produção capitalista: não mais o empresário individual do século XIX, mas sim os conglomerados econômicos, as empresas transnacionais, a concentração empresarial.
  • A indústria passou por diversificação setorial e por maior especialização, enquadrada na nova DIT: petroquímica, automóveis, transportes, eletrodomésticos, eletroeletrônicos, aeronáutica, construção, armamentos, todos em larga escala.

A MÃO DE OBRA E A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

  • Após a II Guerra, a população mundial aumentou, muito mais nos países subdesenvolvidos do que nos desenvolvidos. Em países como EUA e Japão, foi importante para as economias industriais, enquanto que em países ainda não industrializados tornou-se um sério problema.
  • Os sistemas de produção em massa e a introdução generalizada do princípio automático alteraram a organização do processo de trabalho através de novas aplicações da linha de montagem, facilidade de escoar mais rapidamente os produtos e também substituir a atividade humana em certas tarefas em detrimento do controle e gestão de outras.
  • Mudanças na distribuição setorial do emprego: aumento da participação na indústria e serviços e diminuição na agricultura.

MERCADO MUNDIAL: COMERCIALIZAÇÃO E CONSUMO

O INTERCÂMBIO E A DISTRIBUIÇÃO: A REVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

  • Organizou-se, a partir dos anos 50, um mercado internacional hierarquizado por uma completa trama competitiva entre as empresas transnacionais, que abastecem e estimulam a demanda nos países desenvolvidos e controlam os mercados dos subdesenvolvidos.
  • As grandes redes comerciais a nível mundial, com um modelo consumista imposto pelos países desenvolvidos (principalmente EUA) compunham o que alguns autores chamam de “cultura da marca” – importância do marketing e da propaganda, que emergem neste período.
  • Os transportes e as comunicações assumem papel imprescindível nesta transnacionalização, pois foi através dos avanços tecnológicos que mercadorias e informações puderam circular por todo o globo cada vez mais rápido e a menores custos.

A SOCIEDADE DE CONSUMO

  • A produção de massa teve como consequência o consumo de massa.
  • O crescimento da demanda a nível internacional, com aquisição massiva e diversificada da produção, deu-se graças a alguns fatores:
  1. oferta ampla e diversificada (muitos produtos, muitas marcas, muitas empresas de muitos países – desenvolvidos).
  2. estímulo da demanda (através da publicidade).
  3. nova distribuição espacial das condições de vida (aumento do urbanismo, da malha rodoviária ou ferroviária, enfim, reordenação do espaço territorial).
  4. financiamento do consumo (poder de compra, ganância empresarial).
  5. o apoio estatal programado através de políticas keynesianas (criou condições para o aumento da capacidade de consumo da população).
  6. o papel do setor financeiro (crédito para o consumo privado).

CONCENTRAÇÃO EMPRESARIAL, INTERNACIONALIZAÇÃO DO CAPITAL E DA PRODUÇÃO: AS MULTINACIONAIS E GRANDES CORPORAÇÕES TRANSNACIONAIS

  • A partir da metade do século XX, as empresas protagonizam processos de fusão e absorção de outras, adquirindo caráter multinacional. Isso se caracteriza pela concentração de capital e pela dispersão da produção a nível mundial.
  • Soma-se a isso a contribuição do capital financeiro, através dos grandes bancos, que permitiu a fusão do capital industrial com o bancário. Exemplo: grupo Rockefeller – constituído por bancos e indústrias de diversos ramos (química, eletrônica, alimentação, têxtil, petróleo, etc).
  • A atividade creditícia também foi voltada para os Estados, no sentido de cobrir déficits públicos através de empréstimos. Logo, os bancos passaram a controlar as disponibilidades monetárias de empresas, famílias e também a ser credores do Estado.
  • Economia mundo:  1ª fase) internacionalização das mercadorias no comércio em escala mundial, apoiado em vantagens comparativas e livre comércio; 2ª fase) internacionalização do capital financeiro, exportação de capitais.
  • Nova DIT: países desenvolvidos – detinham as mais altas tecnologias, capital e as grandes empresas multinacionais, produzindo muitas vezes mais no estrangeiro do que internamente; países da periferia – produziam bens de consumo (têxtil, automóveis, etc…) das empresas multinacionais, manufaturas tradicionais e bens de produção de baixo conteúdo tecnológico.
  • Características das multinacionais e grandes corporações transnacionais:
  1. ligadas ao processo de grande concentração e centralização no contexto da internacionalização de capital.
  2. caráter multiplano.
  3. possibilidade de diversificar riscos comerciais e financeiros.
  4. emprego sistemático das formas mais avançadas de organização industrial.
  5. domínio de tecnologia de ponta.
  6. fortes recursos financeiros.
  7. elevados rendimentos das aplicações.
  8. domínio dos mercados onde atuam.
  9. fluxo crescente de saída de capital dos países desenvolvidos.
  10. EUA, GB, JAP e RFA concentravam 75% da matriz das multinacionais.
  11. a zona de localização das filiais se situa em outros países desenvolvidos.
  12. as multinacionais atuam em setores de base da economia.
  13. os ramos produtivos são os de ponta, além de alimentação e metálica básica. O predomínio entre as grandes empresas é norteamericano.
  14. os fluxos de ingresso dos investimentos diretos superam com o tempo a corrente de saída.
  15. as decisões econômicas, graças às multinacionais e corporações transnacionais, fugiram do controle do Estado.

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