Balanceamento

Ficha de estudos sobre o capítulo IX do livro “La Segunda Guerra Mundial 1939-1945 – Objetivos de guerra y estrategia de las grandes potencias” de  Andreas Hillgruber – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Vizentini

Que consequências teve o desenrolar e o resultado da II Guerra Mundial para as potências envolvidas e para o sistema internacional em conjunto?

Grã-Bretanha

  • Decadência de sua condição de potência mundial com auge de 1815 a 1860 e na fase imperialista e declínio no final do século XIX por reformas internas e pela entrada na I Guerra Mundial.
  • A II Guerra Mundial confirmou definitivamente a sua derrocada.
  • A recuperação da Grã-Bretanha através de um renascimento da balança de poder pendendo em seu favor, quer pela vitória da Alemanha quer pela vitória dos Aliados, não era possível.
  • A política de apaziguamento adotada pela GB nos anos 30 era uma mera estratégia realista de manter o seu império global.
  • Dois fatores colaboraram para seu declínio:
  1. Não havia como recuperar sua influência sobre o Centro da Europa, pois a URSS estava fortalecida e já dominava essa região.
  2. A Grã-Bretanha adotara uma política contraditória com relação às suas colônias. Prometeu independência para a Índia para o pós-guerra (porém os conservadores como Churchill não queria concede-la, pois sabiam que as riquezas vinham em grande parte das colônias) e também haviam movimentos centrífugos ocorrendo: Canadá, Nova Zelândia e Austrália, por exemplo.
  • Um terceiro fator era a possibilidade de a Grã-Bretanha aliar-se a um potência hegemônica menor na Europa (a Alemanha) ou alienar-se a uma potência hegemônia maior e global (os Estados Unidos). A decisão lógica foi aliar-se aos EUA, haja vista o incremento da divisão internacional de trabalho EUA-GB e a vantagem estratégica de ter o Atlântico protegido pelo seu aliado.
  • A vitória do Partido Trabalhista, agora com Clement Attlee como primeiro Ministro, significou uma aceitação da posição britânica como potência menor e uma maior preocupação com a política interna (reformas sociais).

França

  • Paira sobre uma ambivalência: apreciou as sóbrias e realistas circunstâncias do fim da II Guerra junto às suas limitadíssimas condições do momento aliado à exaltação de sua grandeza como país, uma certa supervalorização na política internacional graças à sua incorporação como quarta potência no pós-guerra pelos Aliados.
  • A tentativa de manter uma política autônoma (adotada por De Gaulle) foi o motivo principal de tanto Grã-Bretanha como URSS terem concedido à França o status de membro do Conselho dos Aliados, numa tentativa de colocar um peso supostamente decisório na balança entre o Leste e o Oeste.
  • Em 1945 qualquer aliança feita com a França, na verdade, tinha uma importância de segunda ordem, já que a polaridade pairava principalmente entre EUA e URSS e não mais entre Grã-Bretanha e União Soviética.
  • A partir de 1945 passarão a enfrentar movimentos de independência em suas colônias, em virtude um movimento francês objetivando restaurar o Império Colonial. Nesse contexto, Argélia e Indochina vão tentar se libertar e, assim, França voltar-se-á para questões internas, deixando a política exterior em segundo plano.

Grã-Bretanha e França foram duas potências, portanto, que, depois da II Guerra Mundial, passaram a se preocupar mais com problemas internos de seus impérios decadentes e a atuar como potências médias na política internacional.

União Soviética

  • Caracterizou-se por uma política exterior proposta já a partir de 1944 através de esforços diplomáticos e avanços do Exército Vermelho no sentido de adquirir liberdade de movimento nas negociações internacionais e estratégicas – Stálin e Molotov.
  • Apesar de ter sido o país que mais sofreu na guerra e que mais teve seu território prejudicado (no lado dos Aliados), obteve grandes êxitos através da expansão da sua esfera de influência sobre um amplo cinturão de países além das repúblicas socialistas originais (extensão para o Oeste inclusive).
  • Não conseguiu afirmar plenamente sua principal zona de influência da Escandinávia à Itália (com fronteiras fixadas também na Alemanha pelo Acordo de Potsdam) graças à mudança de postura norte-americana, que passou da cooperação (Roosevelt) ao enfrentamento (Truman). Como alternativa, restava à URSS uma segunda zona de influência na Ásia, através da aproximação com a China de Chang Kai Chek e outros territórios adquiridos por acordos com os Aliados.
  • Sentia-se ainda cercada por potências imperialistas (como em 1939) porém agora com uma esfera de influência muito maior.
  • Adquiriu uma posição, na Europa, de potência semi-hegemônica, pois diversos Estados europeus reagiram ao poder soviético e muitos aderiram ao bloco ocidental, sob a liderança dos EUA.
  • Não conseguia mais manipular os estados neutros (os have nots) na Europoa, pois os EUA revelavam-se superiores militar e tecnologicamente, o que impedia um conflito direto com essa potência.
  • Por mais que se situasse junto aos EUA no plano de potência mundial do pós-guerra, enfrentava sérias dificultades: perigos clássicos de toda potência hegemônica em manter um extenso território (Centroeuropa e Extremo Oriente), dificuldade internas na dirigência do comunismo soviético após a morte de Stálin e tensões étnicas dos povos constituintes da URSS.

Estados Unidos

  • Nação mais forte e dominante tanto do ponto de vista econômico como estratégico (potência marítima e aérea) e como potência mundial notavelmente atraente devido às suas concepções liberais e democráticas.
  • A propaganda democrática e liberal amplamente usada pelos EUA nos anos posteriores à II Guerra a impedia de atuar como potência global de forma direta (seria contraditório).
  • A alternativa de potência mundial em um grande espaço regional, Atlântico e europeu ocidental se associou a eleição de enfrentar ou cooperar com a URSS.
  1. Não seria possível uma modificação territorial na Europa do pós-guerra sem um conflito direto entre EUA e URSS. Optaria-se, portanto, por uma polaridade entre ambos os blocos e a repartição do continente (Alemanha como núcleo) a fim de manter o equilíbrio.
  2. A outra opção seria uma política isolacionista à semelhança da adotada na I Guerra, ou seja, isolamento paralelo a um compromisso com a política internacional (possibilidade descartada).

Japão

  • Potência que sofreu a derrocada mais agressiva, porém menos decisiva para o país a largo prazo.
  • Sua capitulação em 1945 significou o fim da tentativa, pela primeira vez, de um estado asiático de atuar no mesmo rank das grandes potências ocidentais.
  • Entretanto a derrota do Japão não significou um final brusco na evolução do país, como se suspeitava devido à desdivinização da figura do imperador. O que se verificou foi uma mudança de direção, distinta e mais moderna, graças a alguns fatores:
  1. Passou a depender unicamente dos EUA;
  2. A ascensão de uma segunda potência asiática – a China;
  3. A revalorização do Japão no plano estratégico global norte-americano.
  • O Japão passou a viver uma fase mesclada de elementos históricos e tradicionais aliados à utilização do imponente potencial econômico da maior potência do pós-guerra (EUA).

Itália

  • Só poderia se afirmar como potência apoiando-se em outras mais fortes no âmbito global.
  • Enfrentava sérias dificuldades sociais e políticas herdadas do regime fascista.
  • Era menos importante estrategicamente que o Japão, portanto, não recebeu grande apoio dos EUA, teve de se reerguer com suas próprias e insuficientes forças e contentar-se com seu papel de potência média.

Alemanha

  • Ficara evidente que as intenções de Hitler de transformar a Alemanha em um grande império de posição hegemônica regional não seriam mantidas diante da derrota na II Guerra Mundial.
  • A capitulação significou uma catástrofe para os alemães, não somente militar e política, mas também moral.
  • Foi o país onde se verificou a maior discrepância entre o desejado e o realmente alcançado.
  • Após 1945, acabaram-se as aspirações, desde a época de Bismarck por cerca de 80 anos, de transformar a Alemanha em grande potência e pairava um pessimismo e uma depressão sobre o povo alemão acerca de uma possível reestruturação do país diante de crimes de guerra, tensões políticas e ideológicas, desmembramento e ocupação por outros países da administração alemã, etc.
  • A Guerra Fria viria a constituir uma solução para a Alemanha, significando uma ruptura com o passado militarmente muito mais acentuado que no caso da Itália ou do Japão, por exemplo, e passando a ocupar posição decisória na disputa entre os dois blocos hegemônicos.
  • Berlim tornou-se o palco das disputas concretas entre EUA e URSS, onde as forças dos dois países se chocavam mais diretamente.

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