A Tendência ao Desequilíbrio Externo

Ficha de estudos sobre o capítulo XXVII do livro “Formação Econômica do Brasil” de Celso Furtado – Formação Econômica do Brasil – Prof. Flávio Migovsky

  • Padrão-ouro: cada país deveria dispor de uma reserva metálica (ou algo que pudesse ser conversível) suficientemente grandes para cobrir os déficits ocasionais de sua balança de pagamento. Assim, o padrão-ouro foi um sistema de taxas de câmbio fixas  que visava à estabilização da moeda e das taxas, liderado pelo Banco da Inglaterra. Gerava uma espécie de “solidariedade internacional”. 

Como funcionava o sistema de padrão-ouro?

A base monetária eram peças de ouro, pela grande aceitação e valor desse material em todo o mundo como mercadoria. Aliado a isso, havia casas monetárias, que funcionavam como bancos, as quais recebiam o ouro e davam papéis de depósito em troca, que, por sua vez, podiam ser reconvertidos em ouro a qualquer momento, porém essa reconversão não era imediata; pelo contrário, demorava, pois havia confiabilidade neste sistema. Isso gerava condições para as casas bancárias emitirem certificados de depósitos mesmo que não houvesse o efetivo lastro em ouro. Os depósitos, sendo aceitos como pagamento, funcionavam como moeda.

O padrão ouro foi seguido por Dinamarca, Holanda, Noruega, Suécia entre outros, atingindo inclusive a América Latina. Seguiram o rastro do padrão-ouro a Argentina, o México, Peru e Uruguai. O Brasil não foi incluído na lista, devido ao que Furtado chamou de “impossibilidade de adaptação às regras do padrão ouro” nos moldes da economia cafeeira no país. As autoridades tomavam as medidas necessárias para a conversibilidade, atraindo capitais externos mesmo para países de moeda fraca, contribuindo para financiar os déficits na balança de pagamentos, mesmo quando os bancos centrais desrespeitavam no curto prazo as regras do jogo, pois no longo prazo acreditavam que estariam adaptados ao sistema.

No entanto, muitas vezes uma intervenção por parte de um determinado banco central para conter uma crise de liquidez poderia ser uma política contraproducente, à medida que uma expansão do crédito no sistema bancário resultasse na acentuação da própria crise (sangrar a própria economia para salvar a mundial). Porém, no estatuto do padrão ouro haviam as chamadas cláusulas de exceção, que davam permissão para que os bancos centrais agissem como emprestadores de última instância em determinadas situações, sobretudo para socorrer o sistema bancário em momentos de crise de liquidez ou até mesmo para evitar que problemas em determinado banco gerassem expectativas desfavoráveis entre os agentes e disseminasse uma crise bancária generalizada de grandes proporções, a qual poderia por em risco a credibilidade e a manutenção do padrão ouro como sistema monetário. (EICHENGREEN, 2000)

  • Os bancos centrais europeus (Inglaterra, França e Alemanha) não se preocupavam com países periféricos, pois achavam que estes não afetariam significativamente o sistema.
  • Os países das América Latina, incluindo o Brasil, não possuíam ainda bancos centrais no ínico do século XX e seu sistema bancário era vulnerável a dificuldades na balança de pagamentos.
  • Os países da América Latina eram propensos à vulnerabilidade externa face às flutuações dos seus termos de troca, pois eram especializados emapenas um ou dois produtos para exportação. No caso do Brasil, o café.

Diferentemente de sua primeira fase, nas décadas de 20 e 30 do séc. XX os governos não hesitavam em utilizar ativamente suas políticas monetárias com o intuito de atingir uma gama de objetivos econômicos nacionais, tais como aumentar a produção e o nível de emprego, transformando em “coisa obsoleta” a política do período 1870-1913 que visava defender inflexivelmente a estabilidade das taxas de câmbio. (EICHENGREEN, 2000)

  • No Brasil do final do século XIX não havia desequilíbrio externo, portanto a Teoria Monetária não poderia ser aplicada, já que as exportações eram altas, mas as importações também eram elevadas.
  • A renda monetária elevou-se graças a dois fatores: 1) aumento das exportações e 2) efeito multiplicador interno. Como a renda aumentou, automaticamente as importações também vão subir.
  • Nos países exportadores, como o Brasil, em épocas de crise, percebe-se o seguinte cenário: queda brusca nas exportações, queda lenta nas importações (manufaturados), redução da entrada de capitais estrangeiros, exigência de ampla reserva metálica para suprir o desequilíbrio externo iminente e manter o sistema do padrão-ouro.
  • A substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada tornou inviável a manutenção do padrão-ouro no Brasil, pois a moeda brasileira era inconversível e, mesmo assim se continuou tentando aplicá-la ao sistema pelo menos até os anos 30.

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