Confronto com o Desenvolvimento dos Estados Unidos

Ficha de estudos sobre o capítulo XVIII do livro “Formação Econômica do Brasil”, de Celso Furtado – Formação Econômica do Brasil – Prof. Flávio Migovsky

  • No cenário pós-independência, verificou-se uma queda nos preços das exportações, a instalação de empresas inglesas no Brasil e também uma barateamento dos produtos importados, aumentando seu consumo no país. Isso gerou pressão sobre a balança de pagamentos, o que se refletiu na taxa de câmbio, que foi desvalorizada externamente.
  • Depreciação da taxa de câmbio:  desvalorização externa da moeda brasileira, como forma de quitar o déficit acumulado pelo governo com a independência.
  • Os produtos importados, com a depreciação externa da moeda brasileira, elevaram seus preços.
  • Caso tivesse o governo adotado uma tarifa aduaneira de 50% ad valorem para as mercadorias importadas, o efeito não seria tão grande. Um aumento de 100% sobre os importados e de 33% no nível geral dos preços equivale a uma T.A. de 50% ad valorem.

Por que os EUA se industrializaram no século XIX passando a competir com as potências européias enquanto o Brasil passaria todo o século XX caminhando para o subdesenvolvimento?

  • Os EUA adotavam protecionismo na sua economia: em 1789, de 5% ad valorem sobre o algodão e 8,5% para os demais produtos; em 1808, as tarifas sobre o algodão subiram para 17,5% ad valorem.
  • Na época da independência, nos EUA as classes dominantes eram a dos pequenos produtores rurais e a dos grandes comerciantes (yankees); no Brasil, era a dos grandes agricultores escravistas.
  • Nos EUA foram feitos investimentos diretos às indústrias (além do protecionismo), enquanto no Brasil, o Visconde de Cairu acreditava que a mão invisível (proposta por Adam Smith) se encarregaria das coisas.
  • No âmbito das relações com a metrópole, os EUA fomentaram uma indústria no Norte das colônias, que passou a competir com os produtos metropolitanos, pois enfrentavam dificuldades em importar manufaturas. Com a guerra de independência, isso se intensificou e passaram a ser auto-suficientes industrialmente.
  • A exportação de algodão para a Inglaterra durante a Revolução Industrial foi crucial para o desenvolvimento econômico dos EUA. A ampliação das lavouras de algodão deram-se pela incorporação de novos territórios e por um avanço rumo ao meio-oeste do território norte-americano.
  • Como no Brasil, com a abertura dos portos, a balança comercial estadunidense era também deficitária em meados do século XIX, porém não incidia sobre o câmbio (o que ocorria no Brasil), mas sim, convertia-se em dívidas de médio e longo prazos, que colaborariam para a fomentação de capital no país.
  • A primeira metade do século XIX foi de ampla participação estatal na economia dos EUA, porém já na segunda metade passarão a adotar princípios econômicos liberais.
  • No Brasil, pelo contrário, no início de sua formação econômica (cenário pós-independência), tentou-se adotar uma política liberal baseada nas idéias de Adam Smith, o que não deslanchou a economia brasileira especialmente quanto à industrialização.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s