O Fortalecimento das Alianças e as Crises (1890-1914)

Ficha de estudos sobre texto do livro “A Europa de 1815 aos Nossos Dias (Vida Política e Relações Internacionais” de Jean-Baptiste Duroselle – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Visentini

– As tensões aumentam na Europa a partir de 1890, principalmente pelo acirramento das disputas por colônias em África e Ásia e, também, pela demissão de Otto von Bismarck da diplomacia alemã, por Wilhelm II. Bismarck, de uma certa forma, equilibrava o sistema no período através de uma série de alianças, acordos bilaterais e até mesmo acordos secretos com uma ou outra potência.

– Holstein, novo embaixador alemão, recusou-se a renovar o acordo de contra-segurança com os russos conseguido por Bismarck. Baseava-se na hipótese de que era impossível uma aproximação entre França e Rússia.

1. O AMADURECIMENTO DAS ALIANÇAS E OS CONFLITOS (1890-1904)

  • aproximação entre França e Rússia: França, temerosa por não ter aliados, aceita conceder empréstimos à Rússia a fim de defender-se da Alemanha em uma possível alinça franco-russa. Os dois países tinham mais uma coisa em comum: descontentamento com os avanços ingleses sobre Egito e costa ocidental africana.
  • Inglaterra decidida a eliminar a França do Vale do Nilo.
  • A França, sem condições de travar uma guerra sozinha contra a Inglaterra, abandona o Egito.
  • Áustria-Hungria e Rússia decidem por um tempo manter o status quo nos Bálcãs, por 2 motivos: primeiro, o rei da Sérvia (e este era sempre o pivô da rivalidade) era pró-Áustria e, segundo, o Império Russo estava mais interessado no Extremo Oriente.
  • 1898:  break up of China – partilha da China pelas potências européias, sob a liderança da Alemanha.
  • Japão, descontente com a interferência européia direta na China, invade a Manchúria.
  • A inauguração da divisão chinesa pela Alemanha significou o lançamento de Wilhelm II na Weltpolitik: uma mudança perigosa de relações exteriores. Significou também um avanço sobre o Oriente, com a construção de ferrovia na Turquia, um avanço marítimo com a política naval de Tirpitz, um crescimento econômico que já superava a Inglaterra e um avanço comercial, tudo isso amparado por teorias racistas e pangermanistas.
  • A Inglaterra se revela amplamente insatisfeita e acuada com os avanços alemães e decide aproximar-se deles. O novo chanceler alemão, Bülow, recusa a proposta.
  • 1904: formação da Entente Cordiale entre Inglaterra e França.

Apêndice 1 – Entente Cordiale

Para a formação desta importante aliança, França renuncia as suas pretensões no Egito e, de outro lado, Inglaterra reconhece os direitos da França sobre o Marrocos.

2. A ERA DAS CRISES (1904-1914)

  • 1903: o rei da Sérvia é assassinado por oficiais da Mão Negra. O novo rei, Pedro I é abertamente pró-francês, pró-russo e contrário à Áustria-Hungria, ou seja, o país passa a inimigo oficial do Império Ausro-Húngaro.

  • 1904-1905: derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa, o que significou um enfraquecimento do exército russo e um maior interesse pelos Balcãs (não mais pelo Extremo Oriente).
  • PRIMEIRA CRISE DO MARROCOS (1905): Alemanha declara-se favorável à independência do Marrocos, enquanto França pretendia dominá-lo plenamente diante do parecer britânico. Nesse ínterim, Wilhelm II tenta uma aproximação com Nicolau II, porém não chega a se efetivar, devido à anterior aliança franco-russa. A crise é solucionada com a Conferência de Algesiras (1906), na qual os portos foram todos confiados à França e Espanha.
  • CRISE DA BÓSNIA-HERZEGOVINA (1908-10909): Áustria-Hungria anexa a Bósnia-Herzegovina a fim de enfraquecer a Sérvia e também porque acreditavam que, com isso, eliminariam as tentativas de nacionalismo iugoslavo. A Rússia não tinha condições de, neste momento – e sozinha, enfrentar o Império Austro-Húngaro e a França não quis se envolver. Esta crise, portanto, exacerbou o nacionalismo sérvio e a rivalidade austro-russa.
  • CRISE DE AGADIR OU SEGUNDA CRISE DO MARROCOS (1911): No Marrocos, o sultão Moulay Hafid é aprisionado por rebeldes e, assim, pede ajuda à França, que envia tropas para a o interior  do país. Isso provoca a ira da Alemanha, que considera uma ocupação efetiva e de caratér colonial por parte dos franceses e, então, partem com navios para lá. A Rússia permanece neutra no conflito. A Inglaterra posiciona-se a favor da França e diz estar preparada para uma guerra, porém os embaixadores de França e Alemanha fazem um acordo.

      Apêndice 2:  Acordo Colonial Franco-Alemão de 1911.

      Neste acordo, que termina com a Crise de Agadir, França cede grande parte do Congo para a Alemanha, recebendo em troca um pedaço do Camerum e o reconhecimento do protetorado francês no Marrocos.

  • PRIMEIRA CRISE BALCÂNICA (1912-1913): forma-se uma coalizão de países balcânicos (apoiada pela Rússia) contra o Império Otomano. Os aliados vencem os turcos. Os sérvios e os gregos fazem uma aliança contra os búlgaros, pois estes queriam amplos territórios na vitória contra a Turquia. No entanto, Bulgária ataca a Sérvia em 1913. Os búlgaros foram batidos em 15 dias pelos sérvios. Nestes conflitos, nenhuma potência deu apoio concreto (com envio de tropas), porém por muito pouco Áustria-Hungria não entra no conflito contra a Sérvia e, consequentemente, contra a Rússia.

3. A CRISE DE JULHO DE 1914

A crise fatal para que estourasse a Primeira Guerra Mundial foi balcânica e não pelos conflitos coloniais, pois estes já haviam sido gradativamente acordados entre as potências durante o século XIX e início do XX.

O estopim aconteceu em 28 de junho de 1914, quando o herdeiro do império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, foi assassinado na Bósnia-Herzegovina por um integrante da Mão Negra. A Áustria-Hungria tinha o pretexto que faltava para atacar a Sérvia, confiantes que estavam de ter sido a mando do governo sérvio. Tratava-se de uma força que não parava de crescer e que comprometia o seu império: o nacionalismo iugoslavo, cujo foco estava na Sérvia.

A Alemanha, por sua vez, sentia-se ameaçada pela aliança franco-russa e agora não podia mais recusar apoio à Áustria-Hungria, senão a Dúplice Aliança estaria comprometida e ela ficaria sozinha no cenário internacional.

Para a Rússia, a guerra era difícil, já que enfrentava dificuldades econômicas e políticas, porém em seu papel de “mãe dos povos eslavos”, precisava entrar no conflito em defesa da Sérvia.

A França, por outro lado, defenderia a Rússia, caso os alemães a atacassem, em virtude da Tríplice Entente.

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