A Diplomacia Bismarckiana (1871-1890)

Ficha de estudos sobre texto do livro “A Europa de 1815 aos Nossos Dias (Vida Política e Relações Internacionais” de Jean-Baptiste Duroselle – História das Relações Internacionais II – Prof. Paulo Gilberto Fagundes Visentini

O diplomata alemão Otto von Bismarck, além de responsável pela unificação alemã, passou a coordenar de uma certa forma o sistema internacional europeu da segunda metade do século XIX, tornando a Alemanha uma das grandes potências do período.

“Em todos os Estados europeus, a questão das relações com o Império alemão está no centro das preocupações dos homens de governo: é para Bismarck que todos voltam seus olhares.” (RENOUVIN) :)

1. CONSERVANTISMO BISMARCKIANO

* No pós-unificação (a partir de 1871), Bismarck não tinha intenções hegemônicas, mas sim de consolidação do estado alemão: manter a coesão, eliminar as resistências (pela anexação de Alsácia-Lorena, dos poloneses, dos dinamarqueses do Slesvig, etc) e favorecer o desenvolvimento econômico.

* Para tanto, passa a elaborar uma série de sistemas que possibilitassem a gravitação das outras potências européias em torno da Alemanha.

  • Primeiro Sistema Bismarckiano (1872-73): atrai os possíveis aliados franceses para o seu lado, formando a “Entente” dos 3 Imperadores (Rússia, Alemanha e Áustria-Hungria) + Itália, pois via a França como uma ameaça.

1877 : o Império Otomano sofre revoltas na Sérvia-Montenegro e Bulgária, onde tanto Áustria-Hungria quanto Rússia tinham interesses. O Império Russo declara guerra, em defesa dos estados eslavos, ao Otomano.

1878: Tratado de San Stefano – saindo vitoriosa, Rússia tenta criar a Grande Bulgária, sobre o qual Áustria-Hungria opõe-se. A Alemanha paira como mediador do conflito, inclinando-se (pela posição de Bismarck) mais favoravelmente ao Império Austro-Húngaro do que ao Russo: fim do sistema dos três imperadores.

1881: Bismarck consegue um acordo com o Império Russo, o qual prometia neutralidade diante de uma guerra franco-alemã.

  • Segundo Sistema Bismarckiano (1882): formação da Tríplice Aliança entre Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.

A Itália abdica do seu irrendetismo diante das promessas austro-alemãs de proteção frente a um possível ataque francês (e, também, porque já estava descontente com a colonização francesa na Tunísia).

Dúplice Aliança: tratado puramente defensivo e secreto com a Rússia, no qual Bismarck promete a neutralidade alemã no conflito entre Áustria e Rússia na Bulgária (Crise Búlgara de 1886).

  • Terceiro Sistema Bismarckiano (1887): consolidação do isolamento francês pelas alianças alemãs com outras potências vizinhas.

1887: renovação dos tratados da Tríplice Aliança através dos Acordos Mediterrâneos – manutenção do status quo na região.

2. EXPANSÃO COLONIAL DOS ANOS 1880

Ocorre uma aceleração pelo interesse ao colonialismo depois de 1870, por influência da geografia política e por necessidade de exploração e aumento de domínios.

A expansão das grandes potências para a África e a Ásia foi freada pelos movimentos das nacionalidades (nos Balcãs principalmente). Mesmo assim, o crescimento do movimento colonial deu-se como uma espécie de compensação pelas divisões políticas que deixavam insatisfeitos um ou outro estado na Europa. Significou, portanto, uma transposição para além-mar da diplomacia de equilíbrio europeu.

  • 1881: França conquista a Tunísia.
  • 1882: Inglaterra conquista o Egito.
  • 1884-85: Inglaterra se estende da Birmânia litorânea para o Norte.
  • 1885: França, em parceria com a Bélgica, penetra da África equatorial para o interior do continente.
  • 1884-85: Conferência Colonial de Berlim – acordos entre as potências para a colonização da África.
  • 1884: Alemanha conquista Togo, Camarões, sudoeste e oeste africanos e algumas ilhas do Pacífico.
  • 1889: Itália conquista a Somália e a Eritréia.

Passou-se a adotar 2 métodos que já se praticavam na Europa:

  1. o da divisão de territórios (por acordos bilaterais para estabelecer as fronteiras das colônias).
  2. o da criação de “Estados-Tampões” que evitassem choques entre as potências interessadas.

3. GRANDEZAS E FRAQUEZAS DA EUROPA BISMARCKIANA

  • Pontos Positivos

De um modo geral a Europa bismarckiana (após 1871) significou uma relativa paz no continente, pois as alianças e tensões entre as potências conseguiram ser equilibradas nas mãos do grande diplomata.

Em duas oportunidades Bismarck soube evitar a guerra:  em 1878, na crise entre Áustria-Hungria e Rússia após o Tratado de San Stefano e, em 1886, na crise Búlgara.

  • Pontos Negativos

A mudança de postura após a Unificação Alemã foi pouco compreendida pela população e até pelo rei Wilhelm I: antes, o engajamento em prol de um nacionalismo alemão (pangermanismo) com vias expansionistas e, agora, uma acomodação e uma preocupação mais interna com o país, sem o ideário de conquistar todos os territórios onde houvesse povos germânicos.

Bismarck foi incapaz de compreender a força dos nacionalismos na época, pois estava crente que na política do momento e, de uma certa forma, ignorou o patriotismo dos povos vizinhos, como os da Alsácia-Lorena, por exemplo, que se mostravam deveras insatisfeitos com a anexação alemã.

Outro ponto foi a expansão do exército alemão, fator este que motivou uma corrida armamentista generalizada no final do século XIX, pela Rússia (principalmente, pois temia o crescimento da Alemanha) e também por Grã-Bretanha e França.

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