Os Postulados da Economia Clássica

Ficha de estudos sobre o capítulo II do livro Teoria Geral, de John Maynard Keynes – Análise Macroeconômica – Prof. Fernando Ferrari Filho

I

  • Teoria Clássica do Emprego:

PRIMEIRO POSTULADO CLÁSSICO

  • O salário é igual ao produto marginal do trabalho (o salário de uma pessoa empregada é igual ao valor que se perderia se o emprego fosse reduzido em 1 unidade, deduzindo-se os custos dessa redução). A igualdade pode ser afetada pela imperfeição da concorrência e dos mercados.

Keynes aceita este postulado.

SEGUNDO POSTULADO CLÁSSICO

  • A utilidade do salário, quando se emprega determinado volume de salário, é igual à desutilidade marginal* desse mesmo volume de emprego (o salário real de uma pessoa empregada é exatamente suficiente para ocasionar o volume de mão-de-obra efetivamente ocupado). A igualdade para cada unidade individual de trabalho pode ser alterada por combinações entre as unidades disponíveis para empregar-se.

    *desutilidade marginal (marginal disutulity of labour) é qualquer motivo que induza um homem ou grupo de homens a recusar trabalho, em vez de aceitar um salário que para eles representa uma utilidade inferior a certo limite mínimo.

    • Desemprego Friccional: oriundo de uma desproporção temporária dos recursos especializados ou da proporção de recursos não empregados entre um e outro trabalho (quando se está mudando de trabalho). Seguno Keynes, está presente no 2º postulado clássico.
    • Desemprego Voluntário: proposto pelos clássicos também, significa a recusa ou a incapacidade de determinada unidade de mão-de-obra em aceitar uma remuneração equivalente à sua produtividade marginal.
    • Diante disso, há apenas 4 possibilidades de se aumentar o emprego:
    1. melhora da organização ou da previsão, a fim de diminuir o desemprego friccional;
    2. reduzir a desutilidade marginal do trabalho expressa pelo salário real, para o qual ainda existe mão-de-obra disponível, a fim de diminuir o desemprego voluntário;
    3. aumento da produtividade marginal física do trabalho, nas indústrias produtoras de bens de consumo de assalariados (cfe Pigou: bens de cujos preços depende a utilidade dos salários nominais);
    4. aumento em relação aos preços dos bens de consumo de não assalariados comparativamente aos das outras categorias de bens e deslocamento das despesas dos indivíduos não assalariados dos bens salariais para os de outras categorias.

    Keynes não concorda com este postulado.

    II

    “Será verdade que as categorias anteriores abrangem todo o problema, considerando que, de modo geral, a população raramente encontra tanto emprego quanto desejaria ao salário corrente?”

    • As exigências da mão de obra tendem a um mínimo de salário nominal e não a um mínimo de salário real, como os clássicos pensavam.
    • Os trabalhadores, na prática, não abandonam seus empregos por queda nos salários nominais.
    • Não é verdade (como se verificou após a crise de 29) que o desemprego se deve à recusa da mão de obra em aceitar uma diminuição dos salários nominais.
    • No caso de uma variação no nível geral dos salários, argumenta Keynes, a elevação nos salários nominais provoca queda nos salários reais e vice-versa, diminuindo o emprego.
    • Os bens de consumo de assalariados equivalentes ao salário nominal vigente não representam a verdadeira medida da desutilidade marginal do trabalho e, assim, o segundo postulado deixa de ser válido.
    • Críticas diretas de Keynes sobre o II Postulado:
    1. O comportamento efetivo do trabalhador: redução nos salários reais devido à suba de preços (não acompanhada de elevação dos salários nominais) não diminui a oferta de mão de obra disponível.
    2. Decorrência da contestação da hipótese de que o nível geral dos salários reais seja diretamente determinado pelo caráter das negociações sobre os salários: não é possível que os trabalhadores possuam meios para coincidir o equivalente do nível geral dos salários nominais (expresso em bens de consumo) com a desutilidade marginal do volume de emprego existente. Isso é uma hipótese arbitrária, diz Keynes.

    III

    • Quando um indivíduo ou grupo de indivíduos consente com a redução dos seus salários nominais em relação a outros, automaticamente sofrem uma redução relativa dos seus salários reais.
    • Não há normalmente resistência a essa redução dos salários nominais, exceto em níveis excessivos.
    • A competição em torno dos salários nominais influi sobre a distribuição do salário real agregado entre os diferentes grupos de trabalhadores e não sobre o montante médio por unidade de emprego. Logo, a união de trabalhadores se dá em defesa dos seus salários reais relativos.
    • Os trabalhadores reagem, portanto, à redução dos seus salários nominais (e não dos reais, como diziam os clássicos), mesmo que o equivalente real desses salários exceda a desutilidade marginal do emprego existente.

    IV

    • Desemprego Involuntário: conceito introduzido por Keynes, que ele apresenta da seguinte forma:

    “(…) no caso de uma ligeira elevação dos preços dos bens de consumo de assalariados relativamente aos salários nominais, tanto a oferta agregada de mão de obra disponível a trabalhar pelo salário nominal corrente quanto a procura agregada da mesma ao dito salário são maiores que o volume de emprego existente.”

    • Para os clássicos havia somente o desemprego voluntário, causado por um desequilíbrio em virtude de os trabalhadores não aceitarem trabalhar por salários irrisórios. Para Keynes, no entanto, mesmo que haja uma variação no salário real de mercado, tanto a S quando a D de mão de obra não se equilibram, pois o nível de emprego não é determinado no mercado de trabalho, mas sim pelo PDE.

    V

    • Keynes confirma sua concordância com o primeiro postulado, afirmando que “se o emprego aumenta, isso quer dizer que em períodos curtos a remuneração por unidade de trabalho, expressa em bens de consumo dos assalariados, deve, em geral, diminuir e os lucros devem aumentar.”
    • Qualquer meio para aumentar o emprego conduzirá indubitavelmente à diminuição paralela do Pmg, logo, do nível dos salários medido em termos desse produto.

    VI

    • Keynes analisa excertos de Mill e Marshall e conceitos de Pigou, afirmando que o pensamento contemporâneo ainda estava impregnado “da noção de que, se o dinheiro não for gasto de uma forma, o será de outra.”
    • Considera que a conclusão de que os custos de produção são sempre globalmente cobertos pelo produto das vendas resultantes da procura é bastante plausível.
    • Critica a ideia de que o ato de poupança individual conduz inevitavelmente a um ato paralelo de investimento, pois, para Keynes, não há relação entre “decisões de abster-se de um consumo imediato” e decisões “de prover a um consumo futuro”.
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